O funcionário ferido na explosão em uma fábrica termoquímica de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. Kauã Felix Rocha, de 19 anos, permanece internado em estado grave nesta sexta-feira (23). A família disse que o jovem teve 97% do corpo queimado e está na UTI do Hospital Estadual Jayme Santos Neves, na Serra.
A explosão aconteceu na manhã de quarta-feira (21). No momento, estavam na área da empresa Kauã e Lorran Marques da Conceição, também de 19 anos, que estaria executando trabalho manual e não resistiu ao acidente. Kauã foi socorrido e levado pelo helicóptero do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo da Secretaria da Casa Militar (Notaer) para a unidade médica da Grande Vitória, que é referência nesse atendimento médico.
Vítima de explosão em São Mateus é levada de helicóptero para hospital na Serra
Conforme a mãe de Kauã, Raiane Nunes Felix, boa parte do corpo do filho teve queimaduras de terceiro grau. “Ele tem 97% do corpo queimado e boa parte com queimaduras de terceiro grau, que é mais profunda. O caso dele é grave, mas ele está estável. Está sendo feito todo o tratamento, ele está tomando bastante soro para ficar bem hidratado”, contou para A Gazeta na manhã desta sexta-feira (23).
Tenho fé que ele vai sair dessa. Peço que continuem orando pelo meu filho, para que ele possa voltar para a família dele e jogar bola, que ele gostava tanto
Na manhã desta segunda-feira (26), segundo Raiane, Kauã ainda seguia em estado grave, mas estável. Ele permanecia entubado e sedado.
Kauã se casou recentemente e estava feliz, segundo Raiane. "Ele trabalha na fábrica há cerca de um ano e meio e gostado trabalho, do patrão", disse a mãe de Kauã.
Morte confirmada
Morreu na tarde desta segunda-feira (26) Kauã Felix Rocha, de 19 anos, único sobrevivente da explosão na Voi Termoquímica, ocorrida na última quarta-feira (21), na comunidade de Paulista, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. A informação foi confirmada à reportagem de A Gazeta por Raiane Nunes Felix, mãe do rapaz. Saiba mais aqui.
Atualização
26/05/2025 - 5:46
A matéria foi atualizada com a informação da morte do jovem Kauã.
Perícia continua
A área da explosão no terreno da Voi Termoquímica, na localidade de Paulista, São Mateus, segue isolada após realização de perícia, segundo informou na quinta-feira (22), o Corpo de Bombeiros. A corporação detalhou que não há data definida para conclusão dos trabalhos periciais, devido ao que chamou de "complexidade do caso", e que a área está sob intervenção do Estado.
Em nota, o Corpo de Bombeiros explicou que "a área atingida pelo sinistro na última quarta-feira (21) encontra-se isolada para a realização de perícia e sob responsabilidade do Estado".
"Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), Polícia Militar e do Exército Brasileiro permanecem na área de sinistro, desempenhando suas funções constitucionais. A decisão de isolar a área deve-se, puramente, para preservar os vestígios e possibilitar um trabalho pericial satisfatório e foi tomada em comum acordo pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Científica, Exército Brasileiro e Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp)", diz a nota do Corpo de Bombeiros.
A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (22), que "o caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (Dipo) de São Mateus e que detalhes da investigação não serão divulgados, no momento".
Cronologia
- Pouco antes de 11h começaram a circular nas redes sociais imagens de uma nuvem de fumaça, estilhaços de vidros de casas, e cenário de "terra arrasada" no local onde funcionava a empresa.
- O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado pouco depois de 10h, e mencionou que a explosão teria ocorrido em uma "fábrica de explosivos", em Paulista, São Mateus.
- Depois, a corporação se corrigiu. Disse que "na análise inicial da cena, considerou-se a hipótese de o local funcionar como fábrica de fertilizantes, o que depois foi descartado. Trata-se de uma empresa especializada na fabricação de produto inflamável utilizado pela indústria de mineração para o rompimento de rochas."
- Conforme o Corpo de Bombeiros, "a empresa é legalizada e registrada junto aos órgãos de fiscalização competentes. O sinistro destruiu completamente o galpão e tudo que havia em seu interior".
- Familiares confirmaram a morte do jovem Lorran Marques da Conceição, de 19 anos. Disseram que ele estava trabalhando no local havia pouco tempo.
- Uma prima de Lorran disse que o jovem estaria manuseando explosivo quando ocorreu o acidente. "A explosão foi muito forte, ele estava manuseando. Todo mundo foi atrás para ver o que tinha acontecido. Uma vítima foi para o Jayme, e ele (Lorran) foi o que morreu. Só tinha os dois naquele momento. Estamos aguardando a perícia para fazer o recolhimento. Reconhecemos as vestimentas e os calçados que ele usava. A minha mãe foi lá, familiares reconheceram ele", disse Helen Kerlle Marques da Silva, 36 anos
- Moradores da região relataram um barulho bem alto de explosão, que causou um tremor. Há registros de residências com vidros quebrados. Helen disse que a família de Lorran mora perto da fábrica e sentiu o impacto do acidente. "Vimos tudo. Muita gente foi lá logo após a explosão. Muitas casas tiveram os vidros estilhaçados", contou à reportagem.
- A Polícia Científica (PCIES) informou que a perícia foi acionada às 12h20, e que o corpo de Lorran foi encaminhado à Seção Regional de Medicina Legal (SML) em Linhares.
- Camilo Hemerly, um dos sócios da Voi Termoquímica – razão social Verde-Oliva Indústria Termoquímica Limitada (LTDA) – de sólido inflamável que explodiu nesta quarta-feira (21), conversou com a repórter da TV Gazeta, Viviane Maciel, e deu sua versão dos fatos, mencionando "falha humana" como possível causa da explosão.
- Camilo minimizou a explosão, chamando-a de um "acidente". Segundo ele, "não se tratou de uma explosão e sim de um rompimento de gás devido a estímulo mecânico", provavelmente, segundo o representante legal da empresa, causado por falha humana.
- Disse que, no momento do acidente, apenas dois funcionários estavam na fábrica: um morreu e o outro foi socorrido com vida. Acrescentou que os dois "têm seguro de vida fornecido pela empresa, que também já presta todo apoio aos familiares".
- Segundo o representante da empresa, "a fábrica é 100% regulamentada e o galpão, onde o acidente aconteceu, foi construído seguindo recomendações do Exército Brasileiro", e que o local da explosão "trata-se de uma nova unidade, inaugurada há pouco mais de um ano".