Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Mudanças

Governo planeja novo contrato para Terceira Ponte, mas pedágio está indefinido

Renato Casagrande afirmou que não irá renovar o atual contrato de concessão com a Rodosol, que termina em 2023, e disse que o governo estuda a nova modelagem de administração da ponte que liga Vitória a Vila Velha

Publicado em 25 de Novembro de 2021 às 08:06

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

25 nov 2021 às 08:06
Praça de pedágio da Terceira Ponte: cobrança automática atualmente é aceita apenas pelo TAG da Rodosol
Praça de pedágio da Terceira Ponte Crédito: Fernando Madeira
O governo do Espírito Santo se prepara para fazer um novo contrato para a administração da Terceira Ponte e dos 67,5 quilômetros da Rodovia do Sol, cuja concessão se encerra em 2023. Mas ainda não há informações sobre o pedágio, até mesmo se ele continuará sendo cobrado.
Em entrevista para A Gazeta, o governador Renato Casagrande informou que não pretende renovar o contrato com a atual concessionária, a Rodosol. E adiantou que o governo ainda estuda a nova modelagem de administração da via.
"Renovar não. Vamos ter que fazer um novo leilão. Vai terminar esse contrato e o governo vai ter que fazer um novo contrato. A Secretaria de Mobilidade ainda está estudando, não temos um modelo formatado. Mas é bem provável que tenhamos uma nova disputa, um novo leilão"
Renato Casagrande - Governador
Não há informações sobre como será o novo tipo de contrato, quando será lançado o edital,  se ele contempla cobrança de pedágio e, em caso positivo, uma possível estimativa de valor.

CONTRATO MARCADO POR DÚVIDAS E DÍVIDAS

O contrato de concessão da ponte e da rodovia foi assinado em 1998, por um prazo de 25 anos, que se encerra em 2023. Marcado, desde o início, por muita polêmica. Um exemplo é a ação civil pública movida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), questionando vários pontos do edital e da concessão, ajuizada no mesmo ano em que foi iniciado.
Um processo que levou mais de 20 anos para ter a sua primeira decisão de mérito, considerando que no período contava apenas com liminares, chamadas de decisões precárias ou provisórias. Uma delas foi a de 2013, que reduziu o valor da tarifa, na ocasião de R$ 1,90 para R$ 0,80, com o objetivo apenas de que se pagassem os custos de manutenção.
Anos mais tarde, por outra liminar, foi incluído no valor de manutenção também os custos da concessionária com a desapropriação de imóveis. Desde então o pedágio cobrado na Terceira Ponte tem sido o valor reduzido com as atualizações decorrentes da inflação, o que faz com que a tarifa hoje (categoria 1) seja de R$ 2,20, com cobrança unidirecional. Sem a redução judicial, o valor pode superar o dobro.
A diferença entre o valor do pedágio que vem sendo cobrado e o que “deveria” ser pago ocasionou uma das muitas possíveis dívidas do contrato.

AUDITORIA DO TRIBUNAL DE CONTAS IRREAL

Em 2013, logo após a redução do pedágio, o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) iniciou a realização de uma auditoria no contrato. No ano seguinte chegou a apontar que a concessionária devia ao Estado mais de R$ 600 milhões. Com base nesta informação Renato Casagrande, que era governador à época, chegou a suspender o pagamento do pedágio na ponte, o que vigorou até o final daquele ano (2014).
Em outubro de 2019 ano, o TCE-ES mudou a sua estratégia. A conselheira relatora do caso no TCE, Márcia Jaccoud Freitas considerou a dívida irreal, assinalando que o cálculo feito pela área técnica do TCE foi feito com base "em premissas equivocadas". E deu um prazo para a Arsp fazer o novo reequilíbrio econômico financeiro do contrato.
A Justiça estadual também realizou perícias no contrato, que chegou a apontar que a dívida era do Estado para com a Rodosol, em valores que superaram os R$ 60 milhões, em 2015. Elas não foram consideradas na sentença do juiz da Segunda Vara da Fazenda Pública Estadual, Felippe Monteiro Morgado Horta, de 2019.
"As manifestações relativas aos cálculos e laudos realizados nos autos sob tal pretexto – não serão objeto de análise nesta demanda específica, sob pena de prolação de decisão extra petita, bem como de estender ainda mais a duração do processo em tela, que já se arrasta por mais de 20 (vinte) anos".

JUIZ DIZ QUE AVALIAÇÃO DAS DÍVIDAS DEVE SER FEITA PELA ARSP

Inclui também avaliar o que deixou de ser pago de pedágio em decorrência das decisões judiciais. É o caso da diferença entre o valor integral e o valor reduzido da tarifa, que deixou de ser pago desde julho de 2013 e até de momentos anteriores. Caberá a Arsp fazer o levantamento desta dívida e compará-lo com outros pontos, como possíveis inexecuções de serviços praticados pela concessionária. Em sua decisão o juiz assinala:
"Compete à Agência Reguladora de Serviços Públicos a aferição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão dos serviços públicos relativos ao Sistema Rodovia do Sol, não sendo atribuição primeira do Judiciário, inclusive pela necessidade de conhecimento técnico-científico na área, a fiscalização do balanço financeiro da concessão"
Felippe Monteiro Morgado Horta - Juiz da Segunda Vara da Fazenda Pública Estadual
Na mesma decisão é informado ainda: "A partir da análise a ser providenciada pela Arsp, poderão ser adotadas as medidas e diligências voltadas à eventual restabelecimento do equilíbrio econômico do contrato, inclusive de maneira administrativa."
Quase dois anos após a decisão, que é de dezembro de 2019, a Arsp ainda não informou sobre o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato com a Rodosol, que caminha para a sua finalização. Nem mesmo se há dívidas, qual o volume delas, se é a concessionária que deve ao governo ou o contrário, e em caso positivo, como elas vão ser quitadas, e qual será o impacto no valor do pedágio.

O OUTRO LADO

Por nota a Agência de Regulação dos Serviços Públicos (Arsp) informou que está sendo feita uma obra na Terceira Ponte para a “Ciclovia da Vida”, executada por contrato realizado pela Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura Urbana (Semobi), não tendo interferências diretas na concessão rodoviária.
Em relação à auditoria, a Arsp informa que está realizando estudo de reequilíbrio econômico e financeiro, seguindo as diretrizes do acórdão do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) e que respeitará todas as decisões judiciais.
Com relação às demandas judiciais, informa que os processos ainda tramitam e que “extrapolam a esfera administrativa desta Agência”. Por fim, informa que o reajuste do pedágio segue índices inflacionários e que “tem data para entrada em vigor em 1º de janeiro de cada ano”.
A Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura Urbana (Semobi) foi demandada pela reportagem. Assim que tivermos uma resposta, esta matéria será atualizada.
A concessionária Rodosol também foi demandada pela reportagem para se manifestar sobre a decisão do governador.  Assim que enviarem as informações, esta matéria será atualizada.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
6 livros para crescer na carreira e nos negócios
Boulevard Arbori
Boulevard Arbori Residence e Resort, pré-lançamento em Vila Velha, integra arquitetura e bem-estar
Imagem de destaque
Dia de São Jorge: 8 orações e simpatias para proteção

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados