Moradores de bairros como Centro, Guaranhuns, Praia da Costa, Itaparica e Itapuã, em Vila Velha, amanheceram com ruas tomadas por lixo nesta terça-feira (12). O motivo é uma paralisação dos coletores, iniciada na tarde de segunda-feira (11).
A reivindicação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares no Estado do Espírito Santo (Sindilimpe-ES) é a reintegração de trabalhadores desligados da empresa. Segundo o órgão, teria ocorrido uma demissão em massa.
Na tarde de segunda-feira, o sindicato impediu a saída dos caminhões da Localix Serviços Ambientais S.A., responsável pela coleta de resíduos em Vila Velha. Houve confusão no local, e a Guarda Municipal foi acionada. Segundo relatos, agentes utilizaram balas de borracha e spray de pimenta, atingindo alguns trabalhadores.
A presidenta do Sindilimpe-ES chegou a ser detida por desacato e resistência, mas foi liberada ainda durante a tarde.
O que diz a empresa
Em nota divulgada na manhã desta terça-feira, a Localix informou que “já está tomando as medidas cabíveis para o cumprimento da ordem judicial que determina o fim imediato da greve ilegal apoiada pelo Sindilimpe-ES”.
A empresa afirmou ainda que acionou a Polícia Militar para garantir o cumprimento da liminar e permitir a saída dos caminhões para realização da coleta nos bairros da cidade.
A repórter Viviane Lopes, da TV Gazeta, esteve na portaria da empresa na manhã desta terça-feira e apurou que a PM chegou a ir ao local e conversou com sindicalistas, mas depois foi embora. Nenhum caminhão de coleta de lixo havia saído do local até as 8h30.
O que diz a prefeitura
Na noite de segunda-feira, a Prefeitura de Vila Velha disse que, “apesar de estar em dia com todas as obrigações contratuais junto à empresa Localix, responsável pela limpeza urbana no município, o sindicato dos trabalhadores descumpriu decisão judicial e impediu a realização da coleta de lixo na cidade”.
A Justiça do Trabalho fixou, ainda na noite de segunda-feira, multa diária de R$ 100 mil ao Sindilimpe-ES por descumprimento da decisão judicial que proibia o impedimento do acesso de trabalhadores à empresa e qualquer ação que comprometesse a execução dos serviços de limpeza urbana no município.
“O sindicato defende a reintegração de trabalhadores desligados do quadro da empresa, entre eles pessoas próximas à dirigente sindical. Argumenta que a empresa realizou demissão em massa, o que não procede”, afirmou a prefeitura.
Sobre a atuação da Guarda Municipal na segunda-feira, a prefeitura disse que "ocorreu pautada nos princípios da legalidade, proporcionalidade, necessidade e preservação da ordem pública, priorizando, durante toda a ocorrência, ações de mediação, negociação e verbalização, com uso progressivo da força apenas após sucessivas tentativas de solução pacífica e diante do descumprimento de ordem judicial e da obstrução de serviço público essencial".
O que diz o sindicato
Nas redes sociais, o Sindilimpe-ES questionou a atuação da Guarda Municipal de Vila Velha na tarde de segunda-feira, afirmando que houve truculência por parte dos agentes e que a paralisação era pacífica.
A deputada federal Jackeline Rocha publicou um vídeo denunciando a detenção da presidenta do sindicato, assim como as deputadas estaduais Camila Valadão, Iriny Lopes, o senador Fabiano Contarato, e outros políticos.
A reportagem de A Gazeta tenta contato com o sindicato, na manhã desta terça-feira, para mais detalhes. Quando houver retorno, o texto será atualizado.