Um peixe Meca, conhecido como Espadarte, foi pescado na segunda-feira (6) em Guarapari. Vídeos mostram que um guindaste foi necessário para tirar o peixe de 328,6 quilos da embarcação. O feito foi considerado histórico por pessoas que estavam no barco e aqueles interessados na pesca.
O pescador Igor Dorea Wilken estava na embarcação com outras cinco pessoas e contou ao g1 ES que o peixe foi pescado na linha a aproximadamente 45 km da costa e a 600 metros de profundidade. O grupo saiu de Vitória no início da manhã, e o animal foi pescado por volta das 13h.
Segundo o biólogo e especialista em peixes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) João Luiz Gasparini, a pesca do animal não é proibida. "A carne da espécie é conhecida como "picanha do mar" por ser saborosa e de textura macia e consistente", disse Gasparini.
Após a pesca, o peixe foi levado para o píer de Guarapari, que fica no Centro da cidade. No vídeo é possível ver que o local estava cheio e muitas pessoas comemoram quando o peixe foi erguido. "Duzentos e não sei quanto, vai passar dos trezentos, passou! Trezentos e vinte e seis! Vamos tirar uma foto", celebrou um dos indivíduos.
Peixe de 328 kg foi pescado em Guarapari
Igor Dorea Wilken é cirurgião dentista, mas pesca por hobby desde criança com o irmão. Ele e outras cinco pessoas fazem parte da equipe que estava na embarcação.
"Nós estamos participando de um campeonato de pesca e já saímos com o objetivo de achar um Meca, porque quanto maior, maior a sua pontuação. Saímos cedo de Vitória e pouco mais de uma hora já avistamos ele. O difícil foi conseguir colocá-lo em cima da lancha. Por ser muito pesado, foram mais de quatro horas para conseguir tirá-lo do mar. Foram momentos de muita tensão, um trabalho em equipe. Sem todo mundo ajudando, a gente não ia conseguir"
Após a pesca, o grupo comemorou com amigos no píer de Guarapari.
"Foi uma festa. O marinheiro começou a limpar o peixe e devemos distribuir para os amigos e funcionários do Iate Clube de Vitória ainda nesta terça. Eu nunca tinha pescado um peixe desse tamanho. Agora vamos enviar as informações para uma página que computa recordes de pescaria para ver se realmente conseguimos bater o recorde, mas ao que tudo indica, batemos sim, porque o último Meca pescado pesava 282 quilos," comentou Wilken.
O dentista brincou com as possibilidades de poder fazer tantos pratos com a carne do peixe. "Agora ele vai virar de tudo, grelhado, sashimi, e claro, não pode faltar a moqueca", afirmou.
Peixe é conhecido no ES
De acordo com João Luiz Gasparini, o animal é comum no Estado, pode atingir 4,5 metros e pesar até 540 kg. O Meca é parecido com o Marlim Azul, peixe-símbolo do Espírito Santo. Guarapari possui uma estátua da espécie na Praia do Morro, um dos pontos mais visitados na cidade.
O recorde foi em 1992, quando o peixe de 636 quilos e 4,62 metros foi fisgado. Desde então, faz parte do livro dos recordes como o maior Marlim-Azul pescado no mundo.
"Eles são parecidos, mas o Meca é de outra família. Para os, leigos esse bico engana. Espadarte, Marlim, Peixe Vela. Todos tem um bico imenso. O espadarte aparece no Atlântico Sul ao largo da costa brasileira e ocorre em alto-mar", explicou o biólogo.
Atualmente, a pesca do Marlim-azul e do Marlim-branco é proibida porque as espécies estão em extinção.
"Histórico", diz presidente do Iate Clube
A pesca do peixe gigante foi comemorada por quem estava na embarcação, mas também por aqueles interessados na prática. Em entrevista à reportagem de A Gazeta, o comodoro do Iate Clube, Fabiano Pereira, definiu o feito como histórico.
"Ontem, para nós, foi um grande dia, onde nossa lancha Blue Label pescou um swordfish de 328 kg. Isso é histórico, porque colocou nossa equipe em primeiro lugar no campeonato nacional da categoria", afirmou.
O presidente do Iate Clube lembrou que a pescaria foi feita em alto-mar, ou seja, distante da cidade. Foi necessária a presença de todo o grupo para retirar o animal da água e levar para terra firme. Ainda de acordo com Fabiano Pereira, o Espírito Santo é referência na pesca: "O Estado está se revelando como a capital mundial da pesca de águas profundas. Isso é muito importante, porque incentiva o turismo náutico", diz.
*Com informações de Viviane Lopes, do g1 ES, e Caio Vasconcelos, de A Gazeta