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Casa Verde

Imóvel histórico no Centro de Vitória vai a leilão por quase R$ 1 milhão

Prédio foi construído em 1897 e chegou a pertencer a uma família influente na política do Espírito Santo; proprietária disse que adquiriu imóvel em 2017 e não tinha ciência do leilão

Publicado em 21 de Maio de 2025 às 10:42

Felipe Sena

Publicado em 

21 mai 2025 às 10:42
Prédio conhecido como Casa Verde vai a leilão
Prédio conhecido como Casa Verde vai a leilão Crédito: Divulgação Rymer Leilões
Um imóvel histórico localizado no Centro de Vitória vai ser leiloado no próximo mês, com lance inicial de R$ 891 mil. O prédio, conhecido como Casa Verde, tem três andares e área total de 385,66 m². A edificação fica na Rua Dionísio Rosendo, nº 120, e foi construída em 1897 — chegando a pertencer a uma família influente na política do Espírito Santo. 
Segundo o edital do leilão, o imóvel faz parte do patrimônio considerado massa falida da empresa Vidraçaria Cristral LTDA. O processo tramitava na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória desde 1995, mas a decisão que permitiu que o prédio fosse a leilão saiu em 2022. 
A doutora em filosofia Tânia Aurora Araújo, atual proprietária do imóvel, disse não ter ciência do leilão, e explicou que comprou o imóvel há quase uma década. Atualmente, segundo ela, a Casa Verde tem sido usada gratuitamente pela cultura capixaba, abrigando uma loja de produtos agrícolas vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e um espaço cultural que promove atividades e eventos em prol da memória e das tradições locais, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural do Espírito Santo.
Tânia afirma que o imóvel, classificado pela Prefeitura de Vitória como de interesse de preservação com grau de proteção integral, mantém suas atividades culturais mesmo com a incerteza sobre o futuro da casa.
A advogada que representa Tânia informou que será solicitado um embargo de terceiro para garantir que a proprietária, que comprou o imóvel de boa-fé, possa permanecer com a posse da Casa Verde.

História da Casa Verde

Construído em 1897, o imóvel tem uma trajetória marcada por mudanças, seja nele mesmo ou na região do Centro de Vitória. Conforme o Inventário do Imóvel de Interesse de Preservação da Prefeitura de Vitória, originalmente o imóvel foi construído como uma residência térrea, projetada por Carlos Blommer, e pertencente ao proprietário Otto Mauricio da Silva.
A construção fazia parte do conjunto de casarões que compunham a antiga Rua das Flores e tinha um estilo arquitetônico eclético/neoclássico, caracterizado por uma volumetria regular e janelas laterais que favoreciam ventilação e iluminação. Posteriormente, foi pertenceu à família Cerqueira Lima, influente na política capixaba. Henrique Cerqueira Lima, chegou a exercer o extingo cargo de vice-presidente do Espírito Santo e ocupou o cargo de diretor do Arquivo Público Estadual.
Parte da fachada da Casa Verde em foto de 1924
Parte da fachada da Casa Verde em foto de 1924 Crédito: Divulgação PMV
A edificação sobreviveu às reformas urbanas das décadas de 1920 e 1930, que demoliram boa parte do casario colonial da região. Durante o século XX, o imóvel passou por uma ampliação, transformando-se numa edificação de dois pavimentos, com uma aparência mais ornamentada e inspiração neoclássica.

Armazém do Campo e disputas judiciais

O processo que fez com que o prédio fosse a leilão começou a tramitar na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória em 1995. A Casa Verde, segundo o processo, integra a massa falida da Vidraçaria Cristal LTDA, e a homologação dos credores saiu em 2022. 
A Casa Verde tem três andares e foi construída em 1897. Já abrigou famílias influentes da política capixaba e passou por diversas reformas ao longo do tempo. Atualmente, em um dos pavimentos funciona uma loja de produtos agrícolas do Armazém do Campo, ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e em outro, a Associação Cultural Casa Verde, que funcionou no local de 2015 a 2018, e, após obras complementares no espaço, voltou a realizar eventos culturais no local há pouco mais de um mês. Segundo a associação, os eventos que estavam programados, seguem mantidos. 
A reportagem de A Gazeta entrou em contato com um responsável para saber como ficaria a situação do armazém. A pessoa disse que não tinha conhecimento do leilão e que comprou a Casa Verde em 2017 da mesma pessoa identificada como parte do processo de falência que levou o imóvel a leilão.
Segundo a proprietária da Casa Verde — que preferiu não se identificar — ela chegou a investir um valor superior a R$ 890 mil na restauração, e possui contrato de compra e venda para provar a aquisição. Além disso, a mulher afirmou que vai buscar um advogado para representá-la diante da situação.

Interesse de preservação

A "Casa Verde", segundo a Prefeitura de Vitória por meio da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (Sedec), está classificada como de interesse de preservação, com Grau de Proteção Integral Secundário (GP2), conforme estabelecido na Lei nº 3.158/1984, que institui o primeiro plano diretor urbano de Vitória. "Para fins de salvaguarda, a Identificação do imóvel como de interesse de preservação é equiparado ao Tombamento", informou a Prefeitura de Vitória.

Sobre o leilão

Enquanto não há atualização sobre a situação do imóvel na Justiça, o leilão da Casa Verde segue marcado. Interessados devem se cadastrar no site do leiloeiro no link www.rymerleiloes.com.br até 72 horas antes do leilão, onde também será feito o certame on-line. Conforme o edital, haverão três chamadas e a primeira delas deve acontecer no dia 2 de julho deste ano. 
  • 1ª chamada: 2/7, às 12h (por valor igual ou superior à avaliação de R$ 891 mil);
  • 2ª chamada: 17/7, às 12h (por valor igual ou superior a 50% do valor de avaliação: R$ 445,5 mil);
  • 3ª chamada: 7/8, às 12h (por qualquer preço)

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