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Perigo na estrada

Imprudência e problemas de saúde puxam mortes em rodovias federais no ES

Levantamento feito por associação mostra que estado de saúde do motorista também influencia nas causas de acidentes no Estado; números da PRF confirmam estudo

Publicado em 06 de Outubro de 2022 às 08:16

Júlia Afonso

Publicado em 

06 out 2022 às 08:16
A ausência de reação do motorista, ou seja, quando ele não tem aquele "reflexo" a tempo, liderou o ranking de acidentes registrados em 2022 nas rodovias federais que cortam o Espírito Santo. E você sabia que esse tipo de ocorrência pode estar relacionada à saúde do condutor?
O estudo foi feito pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), que apontou que pelo menos 13 mil acidentes nas rodovias federais do país, neste ano, tiveram como causa principal questões ligadas à saúde.
Colisão entre carro e moto deixou um morto e dois feridos na BR 101 em Conceição da Barra
Colisão entre carro e moto deixou um morto e dois feridos na BR 101, em Conceição da Barra, em setembro deste ano Crédito: Leitor | A Gazeta
O Espírito Santo seguiu a mesma linha: de acordo com dados obtidos pela reportagem de A Gazeta junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF), o número de mortos em ocorrências ligadas a problemas na saúde de motoristas mais do que dobrou: de 1º de janeiro a 31 de julho de 2021, foram 14 óbitos. No mesmo período deste ano, as mortes saltaram para 32. O de feridos também aumentou: de 331 para 462.
Mas, afinal, o que são esses acidentes relacionados à saúde? Flávio Emir Adura, diretor científico da Abramet, explicou que as principais origens de acidentes no trânsito podem ser agrupadas em três categorias: fator humano, fator veículo e fator via.
"O estado de saúde do motorista, o não uso de equipamentos de segurança, o uso de substâncias que interferem nas funções cerebrais envolvidas na condução veicular (álcool, drogas), as falhas de atenção provocadas pelo uso do telefone celular, a fadiga e a privação do sono, o uso de medicamentos que interferem no estado de vigília ou na capacidade de tomar decisões, entre outros, são fatores humanos capazes de causar ou agravar sinistros de trânsito", ponderou ele.
Portanto, os acidentes registrados no Estado que se enquadraram na categoria "fator humano + saúde", proposta pela associação, foram: ausência de reação do condutor, reação tardia ou ineficiente do condutor, condutor dormindo e ingestão de álcool pelo condutor.
Segundo os dados do Observatório da PRF, os acidentes com mais registros no Estado neste ano tiveram como causa, na ordem: ausência de reação do condutor, com 177 ocorrências, e reação tardia do condutor, com 152 registros.
"O tempo de reação é decisivo, e a demora na reação dos motoristas a situações inesperadas provoca muitos acidentes. O ato de dirigir exige interação entre a cognição (processo para que o ser humano consiga desenvolver suas capacidades de linguagem, pensamento, memória, raciocínio, capacidade de compreensão, percepção, etc) e a resposta motora. Perdas decorrentes de determinadas doenças impedirão gradativamente tal interação", ressaltou Adura.
Acessar a via sem observar a presença de outros veículos ficou em terceiro lugar do ranking de 2022 no Estado: foram 143 acidentes e nove mortes. Em seguida, foram os acidentes causados porque o condutor deixou de manter a distância do veículo da frente, com registros de 118 acidentes e 135 feridos. Velocidade incompatível com a via e manobra de mudança de faixa registraram, respectivamente, 117 e 71 casos, com total de 13 óbitos.
Todos esses acidentes, de acordo com a análise da associação, são causados por fatores humanos.
"Segundo os dados nacionais analisados, 83% dos sinistros foram motivados exclusivamente pelo chamado fator humano. Além das causas relacionadas direta ou indiretamente à situação clínica dos condutores (fadiga, estresse, cansaço, déficit de atenção ou comprometimento do raciocínio), são comuns as fatalidades relacionadas à imprudência ou transgressão às leis de trânsito. Entre os fatores intervenientes e causadores dos sinistros, portanto, o comportamento humano é destacadamente o grande responsável, até mesmo porque, como a manutenção é responsabilidade do condutor, as falhas no veículo devem ser vinculadas também ao fator humano", destacou
Por último, ficaram os acidentes em que o condutor dormiu, com 54 registros e seis mortes. "Cochilar ao volante é uma das situações mais perigosas. Menos de 20% dos motoristas profissionais admitem cochilar enquanto dirigem, mas a real proporção dos que já dormiram no volante chega a quase 50%", afirmou Adura.

EXAMES EM DIA PODEM EVITAR ACIDENTES

Passar por uma bateria de exames periodicamente é importante para detectar problemas de saúde que podem ser tratados e, assim, impactar na diminuição de acidentes.
Deficiências visuais, distúrbios do sono, audição comprometida, problemas cardíacos e diabetes não controlada, que podem levar a mal súbito são alguns dos exemplos citados pela associação que podem interferir na condução do veículo.

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