A qualidade do ar tem melhorado na Grande Vitória desde o ano passado. É o que aponta o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), cujos dados demonstram que, em 2023, até agora, somente durante algumas horas a qualidade foi considerada moderada em um dos pontos avaliados.
A situação foi registrada na Enseada do Suá, em Vitória. Durante parte dos dias 4 e 5 de fevereiro deste ano, a qualidade do ar no local foi considerada moderada, devido ao aumento de dióxido de enxofre (SO2). Nas demais áreas e datas analisadas, o nível vem sendo considerado bom desde o início do ano.
Em outras ocasiões, o instituto explicou que, por conta da estação Enseada do Suá ficar em um ponto central da Grande Vitória, o local é diretamente impactado por fontes de emissão veiculares e industriais, o que reflete nos resultados.
Para saber a qualidade do ar em diferentes estações, por bairro, utilize o mouse para navegar no infográfico abaixo. Cada cor, refere-se a um determinado poluente.
Nove estações automáticas de medição estão distribuídas nos municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, ajudando a compreender o avanço ou decréscimo da poluição do ar nas cidades.
Em dezembro de 2022, por exemplo, o dióxido de enxofre resultou em queda passageira na qualidade do ar medido pela estação de Jardim Camburi, em Vitória.
No Ibes, em Vila Velha, o resultado moderado foi causado pelo aumento do índice de ozônio (O3), registrado também em alguns momentos de setembro, outubro e novembro.
Em 23 de setembro, especificamente, a qualidade chegou até mesmo a ser considerada ruim durante uma hora, antes de retornar ao patamar moderado.
Nas outras estações, de modo geral, o nível de poluentes emitidos parece ter pouco efeito sobre a qualidade do ar, que permanece em bons patamares durante a maior parte do ano.
Rede de monitoramento
Dione da Conceição Miranda, que é doutora em Ciências e pesquisadora do impacto da poluição do ar na saúde, avalia que, embora os dados indiquem uma melhora, os mecanismos de medição disponíveis ainda não são suficientes para dizer que a qualidade do ar está boa em toda a Grande Vitória, tendo em vista que somente algumas áreas são monitoradas.
Ela defende que é preciso continuar empregando esforços para ampliar a rede de monitoramento, para que se tenha um recorte mais amplo da situação real nos municípios, e para que, a partir desses dados, seja possível adotar medidas efetivas de controle da poluição do ar.
“Precisamos ressignificar o que é poluição atmosférica e as formas de enfrentamento. As pessoas gastam muito tempo, energia e dinheiro lidando com poeira sedimentável (pó preto), que é sujeira apenas, e muito pouco com o que realmente afeta a saúde, que são os poluentes, como dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio, monóxido de carbono.”
E reforça: “Temos que dar importância àquilo que é de fato importante. Porque, se você não conhece de fato o que está acontecendo, se a rede não abrange as variadas regiões, não consegue dimensionar realmente a qualidade do ar dos municípios. Você está inferindo.”
A reportagem entrou em contato com o Iema, para comentar os dados e explicar que ações vêm sendo implementadas para melhorar a qualidade do ar no Estado. Mas não houve retorno até a conclusão desta reportagem.