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Crime em Santa Maria de Jetibá

Júri vai conhecer novos detalhes da trama para matar empresário no ES

Arnaldo Tesch foi morto há dez anos, com uma facada, na fábrica onde trabalhava. No último sábado, promotores de justiça e advogados de acusação fizeram o reconhecimento do local do crime

Publicado em 19 de Julho de 2022 às 15:13

Vilmara Fernandes

Publicado em 

19 jul 2022 às 15:13
Em uma visita de reconhecimento de local do crime realizada no último sábado (16), os promotores de justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) identificaram novos detalhes sobre o assassinato do empresário Arnaldo Tesch. Há dez anos, ele foi morto com uma facada em sua fábrica, localizada na região de Córrego do Ouro, em Santa Maria de Jetibá, Região Serrana do Estado.
O julgamento acontece no próximo dia 21, em Vitória. No local do crime, estiveram os promotores do Júri de Vitória e os advogados de acusação, que foram acompanhados por familiares da vítima.
“O processo foi desaforado para Vitória, isso significa que os jurados, os promotores, o corpo que vai analisar e julgar o processo não é daqui e não conhece o local. Para a gente, é de suma importância a vinda ao local, para compreender a dinâmica dos fatos, tendo em vista que há várias câmeras, várias filmagens, que têm algumas lacunas que precisavam ser compreendidas, para melhor explicar ao jurados o que aconteceu e mostrar que efetivamente os réus praticaram o crime”, informou o promotor Leonardo Augusto de Andrade Cezar dos Santos.
Maria Tesch, mãe do empresário Arnaldo Tesch que foi assassinado, em Santa Maria de Jetibá, Espirito Santo
Maria  Sumake Tesch, mãe do empresário Arnaldo Tesch,  que foi assassinado em  Santa Maria de Jetibá Crédito: Ricardo Medeiros
A fábrica de pallets, que segundo a família chegava a uma renda mensal de quase R$ 2 milhões, está abandonada. O destino das máquinas aguarda a solução do processo.
Foram denunciados pelo assassinato a esposa do empresário, Gilvana Pires Pereira Tesch, na época com 35 anos, e o pai dela, Remi Pereira dos Santos, com 60 anos na ocasião. Outras três pessoas que participaram do crime nunca foram localizadas.

ENTENDA A DINÂMICA DO CRIME

Ao conhecer o local onde ocorreu o assassinato, os promotores e advogados de acusação tiveram mais clareza sobre a dinâmica do crime, onde cada detalhe citado no processo aconteceu.
“Aqui, a gente conseguiu perceber que o Remi, um dos réus que aparece na filmagem, tinha total visão do que estava acontecendo, de quem vinha, e efetivamente viu essas pessoas, por isso permanece com a linguagem corporal bastante calma”, informa o promotor.
Outro ponto identificado, explicou ainda, foi o local onde o empresário recebeu a facada e como foi o seu socorro.
“A gente percebeu o local onde foi dada a facada, o local para onde foi levado o corpo e onde o corpo foi encontrado. E que havia local mais próximo para dar socorro, e foi escolhido o local mais distante para dar socorro, justamente para a vítima sangrar e a consumação do crime ser mais rápido”, acrescenta.
Reconstituição do assassinato do empresário Arnaldo Tesch, em Santa Maria de Jetibá, Espirito Santo
Reconhecimento do local do crime do empresário Arnaldo Tesch, em Santa Maria de Jetibá Crédito: Ricardo Medeiros
Também explica que uma das testemunhas do processo relata que, pouco antes do assassinato, viu os criminosos e que chegou a relatar o fato para o denunciado Remi. “Ele tira por menos, mas aqui a gente pode perceber que ele viu tudo”, acrescenta o promotor.
Foi ainda compreendida a participação da esposa da vítima, Gilvana, que levou para o local uma lanterna. Segundo os promotores, ela utilizou o objeto para sinalizar aos criminosos que poderiam entrar na fábrica.
“O principal, a lanterna; nas imagens, a gente fica na dúvida se o local era escuro, se a ré Gilvana ia para casa ou não. E aqui foi sanada a dúvida de que não tinha necessidade nenhuma de uma lanterna. Ela pega a lanterna, vai no dia do crime com essa lanterna e faz movimentos em direção ao local onde estavam as pessoas, o que demonstra que isso era um sinal para começar a execução do crime”, explica o promotor.
Ele avalia que os jurados de Vitória não vão enfrentar dificuldades para julgar o crime. “O jurado de Vitória é muito inteligente e sabe interpretar as provas de maneira que a gente possa fazer justiça, mais uma vez, no plenário de Vitória”, assinala Leonardo Augusto Cezar.

RELACIONAMENTO EXTRACONJUGAL

No processo, que já conta com 13 volumes, é informado que o casal Arnaldo e Gilvana enfrentava problemas conjugais. “Ele descobriu que ela tinha vários amantes. Após a descoberta, ele tentou se separar”, informa o promotor Bruno de Oliveira.
Foi a partir deste momento, segundo os promotores, que Gilvana e Remi começaram a articular uma trama para acabar com a vida de Arnaldo, com a intenção de ficar com a fábrica. Ela também conseguiu que o empresário fizesse seguros de vida em seu nome. Após a morte, segundo informações do inquérito policial, ela conseguiu receber um seguro de cerca de R$ 700 mil.
“No dia do crime, houve uma encenação para parecer que eram vítimas de assalto. Mas o Remi não aparece nas imagens com o comportamento de uma vítima, ao contrário do empresário”, observa o promotor Leonardo.
Ele relata ainda que, durante as investigações policiais, Gilvana e o pai, Remi, criaram diversos obstáculos para impedir que os fatos fossem descobertos. “Impediram o acesso às filmagens das câmeras. Nos depoimentos, Remi dava versões diferentes, e a Gilvana, quando foi depor como testemunha, decidiu ficar calada”, relata o promotor.
Remi Pereira dos Santos e sua filha, Gilvana Pires Pereira Tesch, foram denunciados como mandantes da morte de Arnaldo Tesch Crédito: Reprodução | TV Gazeta

COMO FOI O CRIME

Arnaldo Tesch foi morto em 10 de outubro de 2012, às 19h50. Na ocasião, três suspeitos - dois deles usavam capuz - renderam o empresário e o sogro, por volta das 19 horas, na fábrica de pallets que Arnaldo possuía em Santa Maria de Jetibá, Região Serrana do Estado.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPES, o empresário foi levado até um local onde as câmeras de segurança não filmavam. Imagens de câmeras da fábrica, divulgadas pela Polícia Civil após o crime, mostram que uma mulher - que foi identificada como Gilvana - faz sinal com uma lanterna que, segundo a polícia, serviu para indicar aos três invasores que poderiam dar início ao plano.
Logo depois, as imagens mostram, segundo apontou a Polícia Civil, o momento em que o sogro, Remi, joga um pedaço de madeira nas proximidades de um dos invasores, supostamente avisando que poderiam render Arnaldo.
Empresário Arnaldo Tesch, morto em outubro de 2012, em Santa Maria de Jetibá
Empresário Arnaldo Tesch, morto em outubro de 2012, em Santa Maria de Jetibá Crédito: Reprodução Arquivo Familiar
Nos registros, o empresário é surpreendido pelos três desconhecidos encapuzados. Remi vai à frente até um local que não é filmado, chamado ponto cego das câmeras. No local, Arnaldo é atingido por uma facada.
Dois executores fugiram do local com o carro da vítima. “O denunciado Remi, sem realizar nenhum ato de salvamento ou pedir ajuda a terceiros, simula um socorro da vítima que estava sangrando, todavia por um caminho bem mais distante”, relata a denúncia do MPES.
O empresário foi atingido com uma facada que perfurou o pulmão esquerdo, saco pericárdico e o coração. Um ferimento, é relatado na denúncia, “com grande quantidade de sangramento”. De acordo com os promotores, além de aplicar a facada, eles a torceram no corpo, aumentando a lesão.

O QUE DIZ A DEFESA DOS ACUSADOS

Por nota, a defesa de Gilvana e Remi, realizada pelos advogados Patrick Berriel e Gualtemar Soares, afirma que o “desaforamento foi fundamental para a imparcialidade dos jurados”. Acrescenta ainda que “há circunstâncias que influenciaram a investigação realizada pela delegacia de polícia da região”.
Sobre a denúncia do MPES, os advogados destacam que se trata de uma proposta de acusação. “Não significa que os fatos colocados pela acusação são verdadeiros”, afirmam.
"São diversos os casos de pessoas denunciadas que são inocentadas, exatamente devido à possibilidade de análise de provas, ao longo processo. E este é mais um deles"
Patrick Berriel e Gualtemar Soares - Advogados de defesa, em nota
Destacaram ainda que “a polícia não quer chegar aos verdadeiros mandantes do crime, mesmo possuindo as imagens do local do crime no dia do homicídio”.
“Ao encontrarem os executores, provavelmente chegariam até quem de fato encomendou o crime. Mas essa informação não é de interesse da investigação porque já existem inocentes perfeitos para serem colocados no banco dos réus. Por isso, afirmamos que não há provas concretas contra a Gilvana. Durante o julgamento, a defesa irá provar a inocência dela e a justiça será feita”, disse Berriel.
Informou ainda que os indícios não se sustentam porque todos foram baseados em “testemunhos por ouvir dizer e fofocas”. “Fato que se comprova porque a polícia tem as filmagens do local, feitas no dia do crime e, mesmo assim, até hoje, quase 10 anos após o crime, não encontrou os executores”.
Júri vai conhecer novos detalhes da trama para matar empresário no ES

Atualização

20/07/2022 - 9:25
Esta matéria foi atualizada com mais informações enviadas pela defesa dos denunciados pelo crime.

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