Quem olhou para o céu em cidades do Norte e Noroeste do Espírito Santo, na noite da última quarta-feira (14), pode ter visto um objeto surpreendente, aparentando ser uma bola de fogo, e se questionado se não seria um meteoro. Atrás de respostas, A Gazeta procurou o Exoss Citizen Science Project, e a organização disse que, na verdade, o que ocorreu foi a reentrada de um lixo espacial na atmosfera: um pedaço do foguete Falcon 9, da empresa Space X. A reportagem recebeu registros de visualização do material de pelo menos duas cidades capixabas: Pinheiros e Alto Rio Novo.
A trajetória do objeto não chegou a contemplar o céu sobre o Espírito Santo. Ele foi primeiro visto na região de Mato Grosso, depois passou por Goiás, Minas Gerais e chegou até o Sul da Bahia – que faz divisa com Norte e Noroeste capixaba. “Ele pulveriza, vai queimando e sobra quase nada dele, quando chega até o solo”, explicou Luciana Fontes, colaboradora do projeto Exoss – acrônimo de Exploring the Southern Sky, ou "Explorando o Céu do Sul", em uma tradução literal para o português.
Luciana explicou que a reentrada de lixo espacial acontece quando objetos descartados no espaço, como satélites desativados, fragmentos de foguetes ou peças soltas, voltam para a Terra devido à gravidade. “Esses objetos orbitam a Terra até perderem altitude, geralmente por atrito com a atmosfera. Quando entram na atmosfera, o atrito gera calor intenso, fazendo com que a maioria se queime e se desintegre”, afirmou.
Há casos em que sobram pedaços maiores, mas normalmente eles caem em áreas desabitadas. “Pedaços maiores podem sobreviver e cair em áreas desabitadas, como oceanos, ou, raramente, em regiões habitadas, causando preocupação. Esse processo é natural, mas difícil de prever com precisão devido à trajetória instável dos detritos”, disse a colaboradora do projeto Exoss.
Esse tipo de objeto não representa risco. Há monitoramento em tempo real para fazer a previsão das entradas. Não é preciso ter medo, ter pânico
Ainda conforme Luciana, tem se tornado cada vez mais comum a queda desses objetos na Terra. “Para se ter ideia, a gente recebe quase todos os dias recebemos reportes de possíveis entradas. Existe uma quantidade muito maior de missões espaciais hoje em dia, tem muita coisa sobrando no espaço e acaba entrando na atmosfera”, contou.
Sobre o foguete
O Falcon 9, da Space X, empresa do bilionário Elon Musk, foi lançado ao espaço em agosto de 2014 - de Cabo Canaveral, na Flórida, Estados Unidos - em uma missão para a colocação de um satélite de comunicações em órbita, atendendo à região Ásia-Pacífico, conforme o Exoss.