A Páscoa, comemorada neste domingo (9), tem uma enorme importância para muitas religiões. E, embora seja um dia mais ligado atualmente ao cristianismo, outras denominações também comemoram ou veem a data como um momento especial. Algumas não chegam a ter a festividade marcada no calendário, porém tiram um tempo para refletir sobre seu significado.
Com missas, cultos e rituais, as igrejas Católica e Evangélica compartilham do mesmo sentido para a Páscoa: a ressurreição de Jesus. Porém há algumas diferenças nas celebrações. Os católicos, por exemplo, praticam a oração, a caridade e o jejum durante os 40 dias antes da data, período conhecido como Quaresma. A intenção é preparar o espírito dos fiéis com sacrifícios e reflexões sobre a crucificação de Cristo.
"O ciclo da Quaresma e da Páscoa é vivido para se encontrar sentido no sofrimento humano. Acompanhar o Senhor em sua dores, não de forma passiva, mas se inserir. Somos convidados a reunir nossas dores, seja qual for, e buscar sentido para nossa vida"
Ele destaca que todo a contemplação da Páscoa católica é finalizada com a comunhão durante a missa deste domingo, que é mais longa em comparação às pregações em outros dias, "para relembrar e refletir todo o signifcado da época". A leitura da Bíblia inclui trechos sobre a ressurreição de Jesus, e algumas igrejas costumam realizar procissões simbolizando o encontro de Cristo ressuscitado com os discípulos.
Já os evangélicos, seja da vertentes tradicional, da petencostal, seja da neopentecostal, celebram a Páscoa com peças teatrais sobre a ressurreição e palavras de reflexão durante um culto especial neste domingo. É o dia também da Santa Ceia, em que o corpo de Cristo é representado pelo pão e, o sangue, por um suco de uva, que são consumido durante um momento especial.
"É um pacto da nova aliança, as nossas celebração envolvem ainda cantatas e mensagens bíblicas. É um momento de reflexão"
Já a tradição judaica segue outro caminho. Durante oito dias, não se pode consumir qualquer cereal. “Caso a pessoa tenha em casa, ela deve doar para alguém, nem dentro de casa pode ter”, explicou o presidente da Congregação Israelita Capixaba, Douglas Miranda.
O banir do alimento se deve à lembrança dos tempos difíceis dos antepassados, quando estavam escravizados no Egito, e a lembrança de que hoje estão livres. No primeiro dia de reflexão, eles se reúnem para um jantar comunitário chamado Ceder ("ordem "em hebraico), no qual alimentos típicos são servidos em uma prato chamado Keara, em uma ordem já pré-estabelecida para remomorar cada significado da Páscoa judaica.
No primeiro dia da celebração judaica, são consumidas ervas amargas, para mostrar como os hebreus sofreram na escravidão; água com sal, para lembrar as lágrimas; ovo com a casca queimada, para lembrar a continuidade da vida. “Nós também fazemos doações e contamos histórias para as crianças. Passamos os momentos juntos pelo sentido de coletividade, o povo saiu junto do Egito, então comemoramos juntos”, explicou Miranda.
"Nós também fazemos doações e contamos histórias para as crianças. Passamos os momentos juntos pelo sentido de coletividade, o povo saiu junto do Egito, então comemoramos juntos"
Durante o domingo de Páscoa, há reuniões entre as famílias com jantares com representações do sentido da época para a população judaica.
TEMPO PARA REFLETIR
Os fiéis do espiritismo não comemoram a Páscoa, mas isso não descarta um tempo para refletir. Os espíritas veem a época como uma forma de lembrar, discutir sobre o amor, tolerância, moral e esperança.
"Se apresentar vivo depois da crucificação é uma lição de esperança, pois mostra que a morte só é uma passagem. Só o corpo recebe a morte e o espírito vive na eternidade"
Já nas religiões afrobrasileiras, como a umbanda e candomblé, também não há atividades relacionadas à Páscoa, porém cada casa religiosa tem sua liberdade. "Na Bahia, há um sincretismo forte, então, muitos acabam indo (nas celebrações do dia) e não há restrição. Nós temos uma tradição de realizar o fechamento de corpo na Sexta-feira Santa, mas é coincidência de data", contou Silnei Farkas, dirigente da associação Nacional das Religiões Afro Brasileiras.