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Bicanga e Manguinhos

Moradores do litoral da Serra voltam a reclamar de espuma nas praias

O problema, que já ocorreu em anos anteriores, tem sido recorrente; a prefeitura da Serra verificou que se trata de lançamento de resíduo industrial e disse que vai identificar a origem do material para notificar e multar a empresa responsável

Publicado em 14 de Janeiro de 2021 às 19:00

Isabella Arruda

Publicado em 

14 jan 2021 às 19:00
Bicanga e Manguinhos
Formação de espuma nas praias da Serra tem sido frequente Crédito: Reprodução | TV Gazeta
O aparecimento de uma espuma densa em praias do município da Serra tem sido cada vez mais frequente segundo os moradores do local, em especial das regiões de Bicanga e Manguinhos. O problema, que já ocorreu em anos anteriores, tem sido recorrente e já motivou passeatas em protesto, organizada pelos próprios frequentadores da região litorânea.
Uma moradora, que prefere não se identificar, diz que saiu para caminhar na areia nesta quarta-feira (13), como faz rotineiramente, e se deparou com muita espuma. "É impressionante a quantidade e a altura da espuma. Não sabemos de onde vem, mas achamos que é de alguma empresa que joga isso no rio. Isso aparece, some, mas está muito frequente agora. E a prefeitura da Serra não faz nada a respeito. Já fizemos passeata em Manguinhos cerca de dois anos atrás e não deu em nada. Enquanto isso, no riozinho da vila estão morrendo peixes", contou.
Acionada pela reportagem nesta quinta-feira (14), a Prefeitura Municipal da Serra (PMS) informou que a Fiscalização Ambiental do município foi ao local, verificou que se trata de lançamento de resíduo industrial e que agora vai identificar a origem do material para notificar e multar a empresa responsável. Em nota, a PMS afirmou que equipes da Secretaria de Meio Ambiente monitoram o local e constataram que o lançamento foi interrompido.

ESPECIALISTA EXPLICA IMPACTOS CAUSADOS PELA ESPUMA

De acordo com o coordenador científico do projeto Jubarte.Lab e também coordenador do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Agnaldo Martins, a espuma é possivelmente formada por substâncias tensoativas, como os detergentes. "Com a agitação da água do mar, essas substâncias formam a espuma, que pode ser lançada mesmo no esgoto doméstico, porque no verão há muito mais gente próximo à praia usando shampoos, detergentes e outros produtos que contêm essas substâncias que provocam espuma", iniciou.
"De fato é compreensível que haja aumento no verão. Mas, como apareceu no meio da semana assim, acredito que se trate de um aporte extra da substância, que pode ser de origem industrial. O ideal seria que os tensoativos pudessem ter sido reciclados em vez de lançados dessa forma no esgoto, indo parar no mar", acrescentou o professor.
Sobre os impactos que a espuma pode causar ao meio ambiente, o pesquisador cita três:
  • O primeiro impacto é que as espumas fazem com que a água não consiga reter por muito tempo o oxigênio, o que leva à diminuição da oxigenação da água
  • A espuma pode interferir na saúde das aves marinhas, na proteção que elas têm. Elas contam com uma proteção natural que impede que a água entre pelas penas e molhe a pele delas. Esta espuma pode interferir nessa proteção e elas podem acabar morrendo de frio, por conta da diminuição brusca da temperatura corporal delas; 
  • O terceiro impacto é que a espuma impede a passagem de luz pela água para permitir a ocorrência da fotossíntese das plantas aquáticas.

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