De janeiro a junho deste ano, o Espírito Santo registrou 390 mortes em acidentes de trânsito, o equivalente a dois óbitos por dia. Dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) apontam que o número de registros é 9,5% maior que o do mesmo período de 2021. Houve crescimento nos três segmentos catalogados pelo órgão: atropelamento, colisão e capotamento.
Desses três, o que teve o maior percentual de crescimento foi o de óbitos por capotamento, com 37,5% de alta. No primeiro semestre de 2022, o Estado registrou 77 mortes ocorridas nesse tipo de acidente, contra 56 no ano passado.
O município da Serra aparece como a cidade com mais vítimas de capotamento no território capixaba: 7 no total. Linhares (5) vem na sequência, seguida por Alfredo Chaves (4), Nova Venécia (4) e Baixo Guandu (3).
Já os atropelamentos passaram de 56, de 1º de janeiro a 30 de junho de 2021, para 68 no mesmo período de 2022 – um crescimento de 21,4%. Serra também é a cidade com mais vítimas desse tipo de ocorrência (9). Em seguida, aparecem Vitória (8), Vila Velha (6), Cariacica (4) e São Mateus (4).
Por fim, houve 245 mortes em colisões neste ano, uma a mais em relação ao mesmo período de 2021 - aumento de 0,4%. Os cinco municípios com mais vítimas são Serra, com 23; Cachoeiro de Itapemirim, com 17; Vitória, com 12; Vila Velha, com 11; e Linhares, com 10.
Em relação ao perfil, a maioria das vítimas de atropelamentos, colisões e capotamentos são do sexo masculino, com idades entre 30 a 59 anos.
ESTRUTURA VIÁRIA E EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO
Para o advogado criminalista Rodrigo Horta, um dos fatores que influenciam nas mortes registradas nas vias capixabas é a condição das rodovias que cortam o Estado, como a BR 101, que enfrenta um impasse com a devolução da concessão feita pela Eco101.
"A engenharia de trânsito é um dos pilares para evitar acidentes. Uma rodovia bem pavimentada, uma estrada bem sinalizada", destaca.
O especialista ainda chama a atenção para a importância de aliar um bom sistema viário com a educação dos motoristas. "O acidente ocorre porque o sistema viário falhou. Vem de uma falha do sistema viário, o motorista tem que, frequentemente, ser educado. Quando a carteira é suspensa ou cassada, tem que fazer um curso de reciclagem."
O advogado avalia, por fim, que quando há necessidade de medidas legais é porque os sistemas educacional e viário falharam.
CONSUMO DE ÁLCOOL
Na avaliação do advogado especialista em trânsito João Luiz Guerra Júnior, o crescimento nas mortes em 2022 pode ter relação com a volta da circulação das pessoas em meio ao cenário menos restritivo da pandemia. No entanto, ele destaca haver também uma sensação de impunidade entre os motoristas que bebem antes de dirigir.
“As pessoas começaram a sair mais de carro. Os motoristas hoje ainda continuam bebendo e dirigindo. Há uma sensação daeimpunidade, de que nunca serão parados em uma blitz ou que vão dirigir e nada vai acontecer. É necessário ampliar a fiscalização. Precisa de mais campanhas, educação no trânsito, desde a escola até a faculdade”, avalia.
"Existem muitos aplicativos que mostram onde vai haver blitz ou não. Você não pode estar preocupado só com a blitz, tem que pensar na vida humana "
LEGISLAÇÃO
O advogado João Luiz Guerra Júnior faz, por fim, um paralelo entre a percepção que alguns motoristas têm sobre a legislação e a sensação de impunidade. “Se o cara parou na blitz, ele vai poder se defender tanto da multa aplicada como da suspensão. Todo o processo entre a multa e a suspensão da possibilidade de dirigir demora, no mínimo, cinco anos. Então, durante esse tempo, ele pode continuar dirigindo”, finaliza.