Potencialmente fatal, a
dengue hemorrágica é a forma mais grave da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e que requer maior atenção dos pacientes aos sintomas.
A infectologista Polyana Gitirana Guerra Rameh, do Vitória Apart Hospital, explica que, de modo geral, qualquer pessoa, independentemente da idade, corre o risco de desenvolver quadros graves de dengue, mas idosos e portadores de comorbidades — como
diabetes ou
hipertensão — enfrentam mais riscos nesse sentido.
“Existem algumas situações que predispõem (o desenvolvimento da forma grave), mas a principal é você já ter tido dengue antes, de um tipo diferente do que você tem agora.”
Isto é, além dos pacientes com pior capacidade de resposta à agressão da infecção, os reinfectados — que já tiveram dengue anteriormente — são mais suscetíveis a desenvolver a forma grave da doença. Atualmente, há quatro variantes em circulação: o DENV-1 (vírus dengue-1), o DENV-2, o DENV-3 e o DENV-4, que apresentam materiais genéticos (genótipos) e linhagens diferentes.
Além disso, Polyana explica que pessoas coronariopatas, como as que já colocaram stents ou têm pontes de safena e foram orientadas a tomar ácido acetil-salicílico (AS) de forma constante, também têm mais riscos de lidar com os sangramentos, uma vez que o medicamento interfere na coagulação do sangue.
“A primeira manifestação, além da hemorragia em si, é uma distribuição inadequada dos líquidos no corpo. Por isso que a gente fala tanto em hidratação (durante a recuperação). Seus vasos (sanguíneos) são prejudicados. É como se você tivesse um encanamento com múltiplos furos, e o líquido não vai para o lugar correto. Isso favorece alterações cardíacas, hipotensões, o coração fica sobrecarregado.”
Infectologista da Rede Meridional, Lorenzo Nicco Gavazza reforça que a infecção gera diminuição da quantidade de plaquetas do sangue, aumentando muito a chance de sangramentos de pele, de órgãos internos e até hemorragias cerebrais.
Além disso, pode gerar alteração de vasos sanguíneos e levar à queda muito importante da pressão arterial e a danos graves a órgãos internos, fazendo o paciente correr risco de vida.
Os sintomas mais tradicionais da dengue são dor no corpo, dor nas articulações, febre (geralmente alta), dor de cabeça (principalmente atrás dos olhos), náuseas e manchas avermelhadas no corpo.
“Os sinais de alerta que devem fazer a pessoa que está com quadro febril
buscar imediatamente atendimento médico são: sinais de sangramento na pele, nas fezes ou em mucosas, fraqueza extrema com desmaios, vômitos muito frequentes que não permitem a pessoa se alimentar ou beber água, dor abdominal de forte intensidade e olhos amarelados. Caso tenha algum desses sintomas, não perca tempo!”
Gavazza frisa que a prevenção continua a ser um método importante de combate à dengue. Nesse sentido, é recomendado o uso frequente de repelentes, vestimentas cobrindo maior superfície do corpo e uso de telas em casa e no trabalho.
“Também é importante a ação nos focos de reprodução de mosquito como locais de água parada. E, além disso, já está disponível no nosso país a nova vacina contra a dengue, Qdenga, com ótimos resultados nos estudos realizados em pacientes até 60 anos.”