Os exemplares que foram retirados eram castanheiras e apresentavam necroses, fungos e riscos à segurança dos frequentadores da região da
Praia do Canto, segundo informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória (Semmam). Um deles estava posicionado próximo à esquina com a Rua Elesbão Linhares e o outro, na esquina com a Rua Moacir Avidos. Eles foram substituídos por mudas de ingás mirim e jatobá.
Além disso, segundo informações da Semmam, outra castanheira já havia sido retirada antes do início dos serviços, por apresentar uma inclinação na sua estrutura. Essa retirada, porém, não estava prevista no projeto.
"O projeto aprovado prevê a retirada de seis árvores na avenida. Mas é importante lembrar que, no subsolo, existem conflitos, como rede de esgoto, fiação e gás. Por isso, é tudo muito dinâmico e estamos caminhando junto com a obra. As decisões vão sendo tomadas durante a análise de cada árvore para a conclusão da ciclovia”, afirma Ronaldo Simões, coordenador de arborização e paisagismo de Vitória.
No momento, há em toda a extensão da
Avenida Rio Branco — que abrange os bairros Santa Lúcia,
Praia do Canto e corta a Avenida Nossa Senhora da Penha —
292 árvores divididas da seguinte forma:
115 no canteiro central,
148 nas calçadas laterais e
29 no cruzamento com a Reta da Penha. Dentre os exemplares, estão as espécies:
As espécies têm no mínimo 60 anos de idade e não são nativas de território capixaba. Dessa forma, as substituições também serão utilizadas para plantar mudas nativas do território capixaba, com no mínimo 2 metros de altura.
Existem duas formas para a alteração das árvores: retirada e novo plantio; ou substituição. Na primeira, após a retirada, o novo espécime pode ser replantado em um local diferente. Já no segundo, a muda é posta no mesmo local em que a árvore foi removida. Atualmente, houve apenas substituições no local onde está sendo realizada a obra.
O secretário de Meio Ambiente de Vitória, Tarcísio Foeger, disse que as substituições levam em consideração a análise de caule e raiz e se há margem de segurança suficiente para que a ciclovia passe nas laterais. Nos pontos com árvores, a pista terá 1,2 metro de largura em cada sentido, enquanto nos locais não arborizados o espaço será de 4,5 metros.
As retiradas também estão previstas no artigo 22 da Lei Municipal 8.696/2014. Além do ingá e do jatobá, novas opções de exemplares arbóreos para as substituições ainda estão sendo estudadas pela prefeitura.
Vale ressaltar que nem sempre há necessidade de substituição das árvores na Avenida Rio Branco. “Em determinado caso, nossos agentes foram a campo para fazermos a análise. Em uma ocasião, houve apenas a poda de troncos de uma árvore na altura do
Banco do Brasil”, relatou Foeger.
Estão sendo feitas intervenções no canteiro central da avenida para adequar a arborização à obra da ciclovia. O planejamento é atualizado conforme a progressão da construção da pista, com a realização de podas de copa e raízes de árvores, se necessário.
Em janeiro deste ano, a reportagem de
A Gazeta apurou alguns dados sobre a obra na Avenida Rio Branco. Além da reurbanização do trecho, também foi prevista a implantação da ciclovia com um investimento de
R$ 3,7 milhões. O valor faz parte do pacote de
R$ 1 bilhão em investimentos previstos pela
Prefeitura de Vitória em várias áreas,
até 2024, nos eixos de mobilidade e infraestrutura viária.
Bastante debatido, o modelo final do projeto foi aprovado em assembleia com moradores da região. Um dos conselheiros da Associação de Moradores da Praia do Canto, César Saade revelou que levou tempo para haver consenso com a PMV. “(O projeto) foi amplamente divulgado e teve um processo longo”, lembra Saade.
A avenida manterá duas pistas para tráfego de veículos e mais uma para estacionamento, em cada sentido. A via também contará com mudanças no seu sistema de drenagem e terá a ciclovia entre a Ponte Ayrton Senna e a Reta da Penha, com um quilômetro de extensão. O trecho que passa pelo bairro Santa Lúcia já possui ciclovia, finalizada em 2020.