Atualização
O texto foi atualizado com a nota da Polícia Civil sobre a situação atual do inquérito.
Um padre do Espírito Santo é investigado por suspeita de
participação em um esquema de desvio de recursos provenientes dos dízimos de
uma igreja. A Justiça negou um pedido de
habeas corpus apresentado pelo defesa do religioso e manteve o andamento do inquérito
policial que investiga o caso.
Ainda na decisão, com assinatura disponibilizada parcialmente em 9 de julho, o magistrado recomendou à Polícia Civil que concluísse as diligências e apresentasse o relatório final com celeridade.
A Gazeta optou por preservar a identidade dos investigados e o município onde os fatos são apurados, pois ainda não foi oferecida denúncia pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Em nota enviada à reportagem, a Polícia Civil informou que o inquérito policial, presidido pela Delegacia de Polícia no município foi concluído em 24 de março de 2026 e encaminhado ao MPES no dia seguinte.
"Em razão da natureza e da extensão dos fatos investigados, foi necessária uma análise minuciosa dos elementos probatórios, o que demandou maior tempo para a conclusão do procedimento. Após a conclusão das diligências e a análise de todo o conjunto probatório, o inquérito foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público para as providências cabíveis, não havendo pendências quanto à atuação da Polícia Civil no âmbito da investigação", disse a Polícia Civil.
O Ministério Público, por
sua vez, somente confirmou que o caso é tratado em sigilo.
Não foi possível localizar os advogados do suspeito, mesmo
mediante consulta na base de dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O espaço
segue aberto para eventuais esclarecimentos.
Ex-funcionário teria confessado desvio de dinheiro de fiéis
Segundo os autos, a investigação começou após suspeitas de desvios de valores provenientes dos dízimos da igreja. Durante o inquérito, um ex-funcionário confessou participação nos furtos e afirmou à Polícia Civil que o padre teria colaborado com o esquema, inclusive liberando acesso ao local em que o dinheiro era depositado. O religioso nega qualquer envolvimento.
No pedido à Justiça, a defesa alegou que o inquérito se estende desde 2022 sem conclusão e sustentou que não existem provas suficientes para justificar a continuidade da investigação, afirmando que a suspeita se baseia apenas no depoimento do ex-funcionário.
Ao analisar o caso, o juiz entendeu que o depoimento do
investigado que confessou os furtos representa, neste momento, um indício
suficiente para manter a investigação em andamento. O magistrado ressaltou que
a verificação da veracidade dessa versão depende da análise aprofundada das
provas, o que não pode ser feito por meio do habeas corpus apresentado pela defesa do suspeito.
Embora tenha mantido o inquérito, o juiz observou que a
investigação já dura mais de três anos e recomendou que a Polícia Civil conclua
as diligências pendentes e encaminhe o relatório final ao Ministério Público,
que decidirá se apresenta denúncia à Justiça ou pede o arquivamento do caso.