"Esse sentimento é de que agora nos falta alguém que é de casa, realmente um pai, um avô, um amigo." A demonstração de carinho em relação ao papa Francisco, que morreu na manhã desta segunda-feira (21), é do padre João Custódio Cosmi Cunha, da Diocese de São Mateus, que mora em Roma desde 2023. Em entrevista à Rádio CBN Vitória, o religioso contou que o clima na capital da Itália e no Vaticana é de tristeza e comoção.
Padre João foi enviado pela diocese com a missão de fazer o mestrado em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.
Ele lembra que, em abril do no passado, chegou a ter a oportunidade de uma audiência privada com papa Francisco.
Foi uma oportunidade em que o papa preparou um discurso, mas, como não usou, deixou um espaço aberto para a gente fazer perguntas e ele respondia. Assim, com uma naturalidade de um padre para o outro. De um neto conversar com um avô
Para o sacerdote capixaba, uma das principais características do pontífice era a sua humildade.
Papa Francisco era um homem sempre presente, próximo. Sempre com esse toque de querer ser uma pessoa entre as pessoas, sabendo da sua posição, sabendo da sua importância, mas sempre uma pessoa
O pontífice chegou a aparecer, no domingo de Páscoa (20), para abençoar milhares de pessoas na Praça de São Pedro. Ele acenou da varanda e pediu a um assessor que lesse seu discurso.
“Ele quis dar uma volta na praça, que estava cheia, com o papamóvel para dizer às pessoas: ‘Estou aqui, estou com vocês, vocês estão no meu coração’, e hoje, com essa partida assim inesperada, demonstrou que, acima de tudo, estão a missão e o seu coração de pastor.”
Também em entrevista à CBN Vitória, o padre Bruno Franguelli, que já atuou como vice-reitor do Santuário de Anchieta e também se encontra em Roma atualmente, relembrou o momento em que celebrou missa com o papa Francisco, em 2017.
"Eu tive muitas oportunidades, não somente de celebrar a missa. É claro que isso coroou propriamente a minha proximidade ao papa, mas tive muitas oportunidades de estar com ele. De fato, hoje em Roma, a gente percebe o quanto faz falta e a tristeza que amanheceu essa cidade", disse Bruno Franguelli.
Ao relembrar esses momentos, Bruno cita que uma das marcas do pontífice era o seu bom humor em todas as situações, mesmo nos dias em que esteve internado.
"Mesmo nos dias de difíceis de hospital, os jornalistas se aproximavam e ele fazia sempre uma brincadeirinha. Isso é a força de vida que tinha o papa Francisco", relembrou o padre.