A Polícia Militar do Espírito Santo desistiu do projeto de criar uma “Cidade Policial Militar”, um centro administrativo e operacional que seria implantado na Serra. Por outro lado, decidiu apostar em obras em unidades da Corporação em diversos pontos do Estado. O investimento inicial já aplicado é de R$ 17,5 milhões, mas já estão previstos mais R$ 109 milhões para projetos que estão sendo desenvolvidos.
A “Cidade Policial Militar” seria implantada em um imóvel localizado às margens da BR 101, em Jardim Limoeiro, na Serra. A intenção era levar para o espaço as seguintes unidades: o Comando de Polícia Ostensiva Metropolitano, o Comando de Polícia Ostensiva Especializado, o 6º Batalhão, o Batalhão de Trânsito (BPTran), também as diretorias de Recursos Humanos (DRH), Administração de Frota (DAF), Direitos Humanos e Polícia Comunitária (DDHPC) e a de Ensino, Instrução e Pesquisa (DEIP).
Ocorre, segundo o comandante da PMES, coronel Douglas Caus, que o preço pedido pelos donos do terreno avaliado para a implantação do projeto era superior ao da avaliação feita pela Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger). “O preço pedido era muito elevado, superior ao da avaliação feita pela Seger, inviabilizando o projeto. Decidimos encerrar o projeto”, explicou.
A Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) informou que o imóvel que era do interesse da PM foi ofertado em locação, em junho de 2021, por R$388 mil/mês. Mas a avaliação do governo, no mesmo período, era de R$ 252 mil/mês. O processo foi encerrado em fevereiro de 2022.
Em janeiro do ano passado, quando o projeto foi divulgado, gerou insatisfação, já que ele contemplava a retirada do Batalhão de Trânsito (BPTran) do Centro de Vitória. O governador acabou anunciando que a mudança não aconteceria. A unidade vai agora passar por uma ampla reforma.
PLANO ATUAL É REALIZAR OBRAS EM VÁRIAS UNIDADES
O plano atual, segundo o coronel Douglas Caus, é investir em obras em diversas unidades da Corporação. Além de reformas e manutenções, vão ser feitas ampliações e até novas construções. A parte inicial do projeto contempla recursos superiores a R$ 17,5 milhões, que foram distribuídos em:
Obras em andamento
- Investimento - R$ 9.326.786,67
- Execução - Reforma e manutenção de nove unidades
- Exemplos - Reforma do estande de tiros (fase final) e construção da pista de atletismo na Academia da PM (fase final)
Obras em fase de conclusão
- Investimento - R$ 8.251.243,21
- Execução - Reforma e manutenção em 17 unidades
- Exemplos - Reforma do prédio do centro de treinamento e conclusão da quadra do BME; reforma da Companhia Independente de São Pedro, da Companhia Independente de Cidade Continental e do DPM de Paul
O projeto contempla ainda obras em mais de 20 unidades da Corporação no Espírito Santo a partir de 2022, que estão em diversas fases, como regularização de terrenos, projetos, posterior licitação e construção. O investimento previsto supera R$ 109 milhões. São elas:
De acordo com o comandante Caus, os recursos virão de financiamentos do BNDES e dos cofres estaduais, considerando que os projetos foram aprovados pelo governo do Estado.
“Conversamos com o governador Renato Casagrande sobre a necessidade de se fazer obras de reforma, manutenção e até a construção de novas sedes para unidades da PM, ele entendeu a nossa necessidade e nos apoiou. Parte dos recursos, cerca de R$ 17 milhões já foram liberados”, explica.
Relata ainda que os recursos começaram a ser utilizados e liberados à medida em que os projetos foram sendo postos em prática. “São construções, reformas e ampliações que contemplam aplicações de recursos em unidades da Grande Vitória e interior do Estado. Os valores estimados representam o maior investimento na Corporação, em 187 anos, feitos pelo governador Renato Casagrande dentro do Projeto Estado Presente”.
As obras são consideradas necessárias. “Temos muitas unidades antigas que demandam reformas, outras precisam ganhar novas sedes, mas os prazos dependem das várias etapas em que os projetos estão sendo executados. Vão garantir aos policiais militares um ambiente mais saudável, estratégico e seguro para desempenhar as suas atividades. E a população também terá um ambiente de melhor qualidade para ser atendida”, acrescenta.
Um dos projetos contempla ainda a padronização das unidades da PM em todo o Estado.
NOVO ESPAÇO PARA ATIVIDADES DO QUARTEL
Com o fim do projeto “Cidade Policial Militar”, para onde seriam levadas algumas diretorias abrigadas hoje no Quartel do Comando Geral (QCG), em Maruípe, a Corporação estuda novos projetos para desafogar o QCG.
O comandante observa que trata-se de um prédio com mais de 100 anos, com diversas limitações, e que já não atende mais às necessidades da Corporação. E que abriga, além do comando, do subcomando e de diretorias da PM, mais dois Comandos de Polícia Ostensiva Regional (CPORs).
“É um projeto ainda embrionário, mas estudamos o que é mais viável para solucionar o problema de espaço do QCG, se vamos buscar um local para locação, para comprar ou se o próprio governo possui algum imóvel na Grande Vitória para construirmos um espaço para abrigar algumas diretorias e assim desafogar o QCG. O Comando da PM permaneceria em Maruípe”, explica Caus.
As obras, assinala ainda Caus, fazem parte de um conjunto de investimentos na PMES que envolvem ainda concursos públicos, compra de armamento, de munições, de viaturas, de coletes balísticos, pagamentos de ISEO (que permite o policial trabalhar nas folgas). “É um planejamento que vem sendo viabilizado por etapas”, assinala.
Correção
08/06/2022 - 9:36
Versão anterior desta matéria informava que havia obras em curso e outras programadas para a Associação da Polícia Militar. No entanto, o nome correto é Academia da Polícia Militar (APM). A legenda da foto e a tabela foram corrigidas.