A terceira onda de expansão do coronavírus no Espírito Santo está deixando não somente o sistema de saúde à beira do colapso, mas também os profissionais que trabalham na linha de frente contra a Covid-19, doença causada pelo vírus. Uma variante mais agressiva, mais pacientes em estado grave e plantões intermináveis estão pesando dia após dia sobre esses trabalhadores.
Na última semana de março - mês mais mortal de toda a pandemia até o momento no Espírito Santo - a reportagem de A Gazeta reuniu depoimentos de profissionais de saúde que atuam de Norte a Sul do Estado. Mesmo trabalhando em regiões diferentes, os relatos revelam sentimentos semelhantes em todos eles.
"A gente já tinha uma carga horária alta e que está aumentando. Estamos fazendo mais do que estamos conseguindo para dar conta da quantidade de pacientes. Não tem horário de você sair de casa e muito menos um horário pra voltar", descreve Meg Porto, médica do Hospital Evangélico de Vila Velha.
Além do cansaço físico e mental, os profissionais de saúde ainda precisam lidar com a descrença de muitos que duvidam da sobrecarga no sistema de saúde.
"A equipe toda está trabalhando e fazendo o que pode para minimizar o caos que a pandemia nos impôs nos últimos dias. Se você não acredita ainda que o CTI está cheio, eu não posso fazer mais nada para convencer a você", desabafou o médico Marlus Muri Thompson. Ele está na linha de frente contra a doença no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim.
Outro sentimento comum é o medo do que está por vir. "A gente vem trabalhar porque sabemos que os pacientes precisam da gente. Mas com o cansaço e a exaustão que estamos, a vontade é de não vir. Os pacientes são muito grave, ás vezes eles estão conversando com a gente e, ao mesmo tempo, eles ficam gravíssimos", diz Beatriz Rivieri Colodette, enfermeira da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim.
Colaboração: Vinicíus Zagoto, Beatriz Caliman e João Henrique Castro