Com a seca prolongada que atinge o território capixaba, os rios no Espírito Santo estão com volume abaixo da média. O Rio Santa Maria da Vitória, responsável por abastecer quase metade da população da Grande Vitória e alguns municípios do interior do Estado, tem a situação mais preocupante e já se aproxima do nível crítico.
É esperado no próximo mês o início do período chuvoso, o que pode aliviar a situação. Mas a previsão é de chuvas abaixo da média, o que pode levar a uma escassez hídrica em parte das cidades capixabas.
Atualmente, o Espírito Santo enfrenta um cenário de estiagem, com quase metade do território em situação de seca moderada. A região mais crítica está no Norte e no Noroeste do Estado, que concentra 29 municípios nesse quadro, segundo o informativo de acompanhamento da seca publicado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) na última quarta-feira (22).
Entre os rios da Grande Vitória, o Santa Maria é o que se encontra com a vazão mais baixa: 3.135,03 litros por segundo, segundo boletim divulgado pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh). O volume está muito próximo do que é considerado crítico, que é de 2.895,30 litros por segundo.
Para se ter uma ideia do quão baixo está o volume de água, a média mensal de vazão é de 7.525,74 l/s.
A vazão do Rio Santa Maria da Vitória está em queda desde o início de setembro e chegou a ficar inferior ao nível crítico na última semana. Um rio chega ao nível crítico quando atinge 50% da sua capacidade de vazão.
A situação do Rio Jucu também é preocupante. A vazão está bem abaixo da média mensal, que é de 15.965 l/s, mas a situação é menos grave que o rio Santa Maria. De acordo com a Agerh, o volume do Rio Jucu estava em 8.289,23 litros por segundo. O índice é considerado crítico quando atinge 6.260,04 litros por segundo.
Embora o quadro não seja animador, a Agerh conta com o início do período chuvoso, a partir do próximo mês, para ajudar a abastecer as áreas de recarga dos rios. Segundo a agência estadual, “estamos nos últimos e mais críticos meses do período de estiagem que, normalmente, vai de abril a outubro”.
A expectativa é a mesma do Incaper, que destaca a chegada da primavera. O Instituto explica que durante a estação, as massas de ar frio provocam quedas ocasionais de temperatura e “há um aumento progressivo na quantidade de precipitação, marcando a passagem da estação seca para a chuvosa”, afirmou a meteorologista do instituto Thábata Brito, por meio de nota.
Segundo o Incaper, a média acumulada de precipitação na primavera fica acima dos 400 mm na Região do Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana, entre 350 e 400 mm no restante das regiões Sul e Serrana e na Região Nordeste.
ES DEVE RECEBER MENOS CHUVA QUE OUTROS ESTADOS DO SUDESTE
Porém, é esperado que as chuvas fiquem muito aquém do esperado no Espírito Santo. O ClimaTempo prevê uma precipitação bem abaixo da média no Estado. O Espírito Santo é apontado como uma exceção na região Sudeste do país, que é fortemente impactada pela chegada do fenômeno La Ninã e, consequentemente, com o aumento no volume das chuvas.
“A tendência é que as frentes frias fiquem estacionadas entre São Paulo e Rio de Janeiro, provocando bastante chuva nesses dois estados. Então, nem todos os sistemas terão força para avançar em direção ao Espírito Santo, deixando o estado com chuva próxima da média e alguns pontos abaixo da média entre outubro e novembro", destaca a meteorologista do ClimaTempo Ana Clara Marques.
Segundo ela, vai chover mais do que choveu em setembro, mas não conforme o esperado. A tendência é que as frentes frias consigam avançar até o Espírito Santo em dezembro, " deixando o tempo chuvoso na maior parte dos dias".
ESCASSEZ DE ÁGUA NÃO É DESCARTADA
Caso a previsão para o período chuvoso se confirme, o Estado pode viver uma escassez hídrica. A situação não é descartada pela Agerh nem pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).
"Em novembro, é comum a volta do período mais chuvoso, que ajuda a abastecer as áreas de recarga dos rios. Mas, se essa previsão climática não se consolidar, a escassez hídrica também não é descartada", afirmou a Agerh, em nota.
Já a Cesan disse que o abastecimento de água para a população está garantido nos municípios atendidos pela companhia, mas que "não descarta qualquer medida diante da escassez hídrica".
"Mesmo sem risco de criticidade hídrica no Estado neste momento, é sempre importante lembrar que a população precisa adotar práticas responsáveis, fazendo uso consciente da água em todas as atividades, tanto na cidade quanto no campo", alertou.