Sem transporte público, o pedreiro Ademir Pereira da Silva se viu obrigado a ficar em casa por duas semanas. Mas, sem poder trabalhar, a comida começou a faltar em casa e as dificuldades aumentaram. Na manhã desta terça-feira (13), ele acordou cedo na esperança de conseguir chegar ao trabalho, mas foi surpreendido pela manifestação do Sindicato dos Rodoviários.
O pedreiro saiu de casa, no bairro Nova Esperança II, em Cariacica, e pretendia chegar a Vila Velha. Com a carona de um amigo, conseguiu chegar apenas até o terminal de Campo Grande, onde esperava por um ônibus há cerca de duas horas. Em casa, os seis filhos passam por dificuldades.
"Roubar não vou, mas não sei o que fazer", diz pedreiro que não conseguiu chegar ao trabalho no ES
"Essa manifestação está atrasando a gente um pouco. Estou há duas semanas sem trabalhar. A situação está muito difícil em casa. A gente quer trabalhar, mas eles não estão deixando. E os filhos da gente em casa passando necessidade. Eu não sei nem mais o que fazer"
O transporte público é a única maneira que Ademir tem para chegar ao trabalho. Com a remuneração paga por dia trabalhado, ele diz que, se chegar atrasado, corre o risco de perder um dia inteiro de serviço.
"Eu não tenho dinheiro para ir até lá. Não tem outra situação para fazer. Aí quando acontece da gente fazer o que não quer, eles querem prender a gente. Mas não querem deixar a gente trabalhar. Espero trabalhar hoje ainda, mas como não é dia fechado, eles descontam o dia da gente", lamentou.
"Tenho seis filhos em casa. Ontem mesmo eu tive que vender alguma coisa minha de dentro de casa para ter o que comer para os meus filhos. Roubar eu não vou. Mas eu não sei o que fazer mais."
PROTESTO
O protesto do Sindicato dos Rodoviários terminou às 9 horas desta terça (13), conforme o prometido. A categoria quer a inclusão de motoristas e cobradores no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19.