Apesar de realmente ser uma bactéria microscópica, a chamada micobactéria se escreve (e fala) assim mesmo: mico. Os 12 casos confirmados em uma clínica particular do Espírito Santo são de micobactéria de crescimento rápido (MCR). O nome da clínica não foi informado pela Secretaria de Estado da Saúde.
De acordo com o guia de recomendações para o diagnóstico e tratamento das doenças causadas por micobactérias não tuberculosas no Brasil, elaborado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a relação do nome em português é com a família Mycobacteriaceae. Existem mais de 100 espécies de micobactérias catalogadas no mundo.
As micobactérias não tuberculosas (MNT) dividem-se em dois grupos, de acordo com a velocidade de crescimento:
- micobactérias de crescimento rápido (MCR), que causam infecções de pele, tecidos moles, ossos e articulações. Formam colônias em meio sólido em até sete dias;
- e micobactérias de crescimento lento (MCL), que causam Infecções pulmonares e de linfonodos. Demoram mais de sete dias para formar colônias em meio sólido.
COMO OCORRE A TRANSMISSÃO
Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a micobactéria de crescimento rápido (MCR) é um micro-organismo encontrado no solo, na água e eventualmente no ser humano, e pode gerar dificuldades na recuperação de pacientes submetidos a procedimentos invasivos.
A transmissão da micobactéria MCR pode estar relacionada ao mal reprocessamento dos instrumentais e aparelhos utilizados em procedimentos invasivos, como nos casos de cirurgia plástica. O período de incubação da bactéria pode variar de duas semanas a 12 meses.
As infecções podem envolver praticamente qualquer tecido, órgão ou sistema do corpo humano, e é mais frequente o acometimento na camada interna da pele. Os infectados apresentam sintomas como:
- dor intensa;
- vermelhidão;
- aparecimento de lesão e nódulos (pequenos caroços);
- dificuldade de cicatrização;
- secreção no local da incisão cirúrgica.
Ao infectar o ser humano, as micobactérias são altamente resistentes e podem ser letais. O guia do Ministério da Saúde salienta que a notificação de doenças causadas por micobactérias é obrigatória quando ocorrem após procedimentos invasivos, como cirurgias plásticas.
TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO
Segundo a Sesa, de acordo com a legislação vigente, a responsabilidade do tratamento e acompanhamento do paciente é da clínica. A Vigilância Sanitária faz a gestão do risco com objetivo de controlar e garantir o restabelecimento da segurança do procedimento, além de cobrar do estabelecimento de saúde o suporte ao paciente.
42 CASOS DE MICOBACTÉRIA FORAM REGISTRADOS NO ES DESDE 2019
Nos últimos quatro anos, foram 42 casos de micobactéria MCR confirmados no Estado, sendo 12 só neste ano, até agosto, todos registrados na mesma clínica. O nome da clínica não foi informado pela Secretaria da Saúde. Segundo a Sesa, não há um surto de micobactéria no Estado atualmente.
No Espírito Santo, em 2019, foram 11 casos confirmados de MCR, mesmo número registrado em 2020. Em 2021, foram 8 pessoas infectadas pela micobactéria e, neste ano, até agosto, 12 casos positivos.
A Sesa argumenta que o Estado realiza vigilância ativa de casos de MCR alinhado ao Sistema Nacional durante todo o ano e que as equipes realizam inspeção e análise de notificações nos estabelecimentos com monitoramento das práticas de prevenção e controle de infecção, além do acompanhamento dos indicadores de resultados.