Sintomas persistentes, dores crônicas, fadiga excessiva. Em alguns pacientes infectados pela Covid-19, os efeitos da doença permanecem por um prazo maior, na chamada 'Covid longa'. Será que é possível traçar um perfil do grupo de pessoas com maior chance de desenvolver esse fenômeno? Estudos tentam encontrar as respostas.
No Brasil já são mais de 33 milhões de casos confirmados de coronavírus. Um estudo conduzido pela Fiocruz Minas apontou que até 50% dos infectados apresentam sintomas pós-infecção, ou seja, mais de 16 milhões de pessoas podem desenvolver a Covid longa.
Uma dessas pessoas é a aposentada Sandra Mara de Oliveira, de 66 anos. Ela teve Covid-19 em maio de 2021 e, mais de um ano depois, mantém a tosse do período da infecção. Ela conta que por causa da tosse persistente precisou procurar atendimento médico.
"Precisei ir ao médico em dezembro do ano passado porque não parava de tossir há meses. Fiz os exames e fui diagnosticada com pneumonia. Minha pneumologista disse que esse problema era decorrente do coronavírus"
Três estudos publicados recentemente ajudam a traçar um perfil de quem está mais suscetível a desenvolver Covid longa.
O estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz Minas e publicado pela revista Transactions of The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene acompanhou 646 pacientes, entre 18 e 91 anos, durante 14 meses e concluiu que as pessoas idosas e com comorbidades tendem a apresentar sintomas mais graves e um período mais longo de pós-covid.
Foram relatadas sete comorbidades que podem aumentar as chances de Covid longa:
- hipertensão arterial crônica,
- diabetes,
- cardiopatias,
- câncer,
- doença pulmonar obstrutiva crônica,
- doença renal crônica
- tabagismo ou alcoolismo.
Outra pesquisa desenvolvida por cientistas da University College London analisou dez estudos populacionais e dados de 1,1 milhão de britânicos diagnosticados com Covid-19. Os resultados mostraram que a maioria dos pacientes que relataram sintomas persistentes após 12 semanas do fim da doença são mulheres.
Além disso, a existência da Covid longa em pessoas entre 50 e 60 anos foi maior do que em outras faixas etárias. Os fatores de risco identificados foram asma e obesidade.
Um trabalho feito por pesquisadores do Chief Medical Officer Health of Women Team também concluiu, após verificar dados de mais de 1,3 milhão de pacientes, que as mulheres possuem maiores chances de ter a síndrome do que os homens.
O infectologista Lauro Ferreira esclarece que não há explicação para esses grupos serem mais vulneráveis. “Essas pessoas são consideradas mais vulneráveis porque, estatisticamente, desenvolvem mais a Covid longa. Explicação não tem, essa é uma análise de dados. Existem teorias, mas nada ainda é comprovado cientificamente”, conclui o médico.
COMO IDENTIFICAR E SE PREVENIR? É POSSÍVEL?
Ainda não há exames para diagnosticar a Covid longa. Geralmente, os médicos descartam outras doenças e chegam a conclusão que pode ser a síndrome pós-Covid.
O infectologista Lauro Ferreira conta que a prevenção varia de acordo com o perfil do paciente, mas em geral a recomendação é manter bons hábitos. “Devemos tentar dormir bem, ter um sono de qualidade, fazer atividade física e manter uma alimentação saudável”, explica.