Rogério Gomes Faria, de 59 anos, foi um dos moradores de Mimoso do Sul, no Sul do Espírito Santo, que só conseguiu se salvar das enchentes recorrendo aos telhados de vizinhos. De lá, o aposentado viu a lanchonete e a casa onde morou por toda a vida serem completamente destruídas pela água, conseguindo salvar apenas uma fritadeira elétrica.
"Nós escutamos um barulho, aí ele [filho] falou ‘caiu a casa’ [...] A vontade era pular no rio também”"
Rogério mora ao lado da irmã Rosimere Gomes, de 62 anos. A casa dela chegou a ficar de pé, mas tudo que estava dentro foi destruído pela água que chegou no segundo andar. A aposentada conta que foi tudo muito rápido.
"“Eu tava dentro de casa. Começou a encher a rua, a minha vizinha falou: ‘Rosi, a rua tá cheia, vê se o rio não tá cheio. Fui lá olhar o rio, quando olhei o rio não tava cheio [...] Quando eu tentei abrir a porta da cozinha já não consegui porque a água do rio já entrou. Aí não tivemos mais tempo para nada"
Com medo da casa desabar assim como a do irmão, Rosimere se abrigou no telhado de uma vizinha até a situação atenuar. Após perder tudo, a família busca formas de se reconstruir. “Nós salvamos a nossa vida, o importante é isso. O resto só a Deus pertence agora. Vamos ver”, desabafa.