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Ações de prevenção

Segurança nas escolas: o que tem sido feito no ES para evitar ataques

Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo elabora plano de proteção escolar que será apresentado até o final de abril

Publicado em 05 de Abril de 2023 às 20:23

Leticia Orlandi

Publicado em 

05 abr 2023 às 20:23
Mobilidade elétrica no ES
Veículos utilizados pela polícia no patrulhamento escolar Crédito: Divulgação
O aumento na frequência de ataques a escolas, como o ocorrido nesta quarta-feira (5) em Blumenau (SC), deixa em alerta o país e também o Espírito Santo, que registrou casos trágicos recentemente. Em agosto do ano passado, um ex-aluno tentou atacar uma unidade de ensino de Jardim da Penha, Vitória. Depois, em novembro, um adolescente de 16 anos invadiu duas escolas a tiros em Aracruz provocando a morte de quatro pessoas e ferindo outras 12.
Além desses casos noticiados, o Espírito Santo também contabilizou 34 ameaças de ataques violentos a escolas no ano passado. Só nas últimas semanas, depois do ataque que provocou a morte de uma professora em São Paulo, o setor de inteligência da Polícia Militar do Espírito Santo já identificou três ameaças em instituições de ensino capixabas.
Diante dessa alta dos casos de ataques a escolas e também das ameaças, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) disse estar criando um plano de segurança escolar que será apresentado até o final de abril.
O Comitê Integrado de Segurança Escolar está dividido em 15 grupos temáticos para elaborar ações a serem implementadas em prol da segurança, segundo informou o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho.
"Estamos aprendendo a trocar o pneu com o carro em movimento. É um fato novo na literatura policial. Agora surge uma demanda muito específica e perigosa que precisa urgentemente do nosso empenho"
Alexandre Ramalho - Secretário de Estado da Segurança Pública
Ramalho adiantou algumas das ações que já estão sendo realizadas e também farão parte do planejamento:
  • Uma das propostas que envolve tecnologia é implantar sistema de inteligência artificial nas câmeras dentro e fora das escolas para identificar situações específicas que podem sinalizar uma ameaça de ataque. Ramalho explicou que a ideia é que a câmera identifique, por exemplo, quando passar por ela uma pessoa com máscara, roupa preta e portando arma de fogo ou arma na mão. Assim, pode antecipadamente acionar as forças de segurança, como é feito no cerco eletrônico que identifica carros.
  • Ações caso a escola sofra um ataque, a exemplo de um plano de evacuação de emergência que o Corpo de Bombeiros tem para incêndios ou enchente. A proposta é elaborar uma plano para orientar as formas de agir em casos de emergência, como onde se esconder, se abrigar, como usar as mesas e cadeiras e até quem pode ajudar a impedir a ação, como a professora que imobilizou o aluno em São Paulo. 
  • A Sesp está buscando emancipar a Companhia Especializada de Polícia Escolar, que hoje é comandada por um capitão, e transformá-la numa companhia independente, comandada por um major, o que possibilitaria também ampliar o efetivo. A proposta prevê ainda a contratação de policiais da reserva para aumentar o apoio.
  • Criação de um canal exclusivo no Disque Denúncia 181 para lidar com informações recebidas sobre ameaças a escolas. Será criada uma codificação específica para essa situação, o que vai permitir gerar um fluxo a partir da chegada ao Ciodes, que vai orientar a melhor condução do caso.
  • Grupo na Polícia Civil está se especializando em investigar denúncias recebidas relacionadas ao assunto. Será o canal específico para analisar denúncias de internet ou até o bilhete ou uma foto. O secretário destacou que o objetivo é garantir mais rapidez no trabalho. Se tiver a localização, os policiais podem ir direto na casa da pessoa, por exemplo.
  • Também há um grupo de inteligência que reúne integrantes da Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e inteligências da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, que é responsável por monitorar a internet para identificar casos e agir de forma antecipada.
  • Dados estatísticos também vão auxiliar as forças de segurança a identificar o perfil de quem está à frente dos ataques e das ameaças. O objetivo é usar a inteligência para identificar no Espírito Santo o perfil e onde os casos onde estão ocorrendo com mais incidência, o que vai ajudar a trabalhar na prevenção.

Mais ações

  • Será oferecido um curso de capacitação de segurança escolar para todas as unidades operacionais da PMES, aberto para outras polícias do país.
  • Também será ofertado um curso de capacitação de segurança escolar para gestores de escolas de todo o Espírito Santo, abordando principalmente a questão do comportamento dentro das escolas.
  • Também será feito o lançamento do primeiro manual de patrulhamento e segurança escolar, inédito no Brasil, segundo o secretário de Segurança.

Cuidado no ambiente escolar

Alexandre Ramalho destacou ainda que o trabalho deve contar também com a participação da comunidade escolar, visto que os agressores costumam ser adolescentes que já sofreram bullying e humilhação em ambiente escolar. Segundo o secretário, isso afasta o jovem do ambiente escolar, onde não recebe acolhimento. Outra característica é que muitas vezes esses jovens ficam isolados e têm contato com poucas pessoas. 
"Esse tipo de situação a gente percebe que tem sido gatilho para devolutiva dos ataques porque esse jovem não encontra um grupo que possa conviver e vai entrando em depressão. Em determinado momento, encontra acolhimento na deep web por ficar em casa e na internet", afirma Ramalho. 
O perfil dos que já ameaçaram ou atacaram escolas pode auxiliar para que a unidade de ensino faça um acompanhamento de perto de alunos que apresentam sinais com essas características, assim como as famílias também tem papel a desempenhar de acompanhar seus filhos a fim de procurar ajuda se necessário, destacou Ramalho.
"Não temos a visão que alguns querem nos impor da segurança armada e de viatura na porta da escola, detector de metal e botão de pânico. Não é isso que vai resolver o problema. O que vai resolver é diálogo, principalmente com a comunidade escolar"
Alexandre Ramalho - Secretário de Estado da Segurança Pública

Ações nas escolas particulares

As escolas particulares também têm feito um trabalho para evitar ataques. Segundo informou o Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe/ES), há um programa chamado “Segurança nas Escolas”, que orienta as instituições de ensino associadas no sentido de tornar o ambiente escolar seguro.
Esse programa compreende ações junto às autoridades de segurança pública, como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, bem como encontros com especialistas voltados para questões socioemocionais dos nossos alunos e colaboradores.
"Nosso objetivo não é apenas dar apoio nas questões patrimoniais, mas também na parte emocional, que envolve toda comunidade escolar, além da aproximação escola e família. Ressaltamos que cada escola tem autonomia para configurar as ações de segurança conforme a sua realidade. Seguimos acompanhando as ações dos órgãos governamentais para juntos tentarmos entender o que vem acontecendo nesse cenário desafiador", detalha a entidade.

Orientações

Um relatório realizado para a equipe de transição do governo federal a respeito de ataques em escolas aponta as situações de extremismo entre adolescentes e jovens no Brasil. Segundo o relatório, a violência direcionada a esse espaço ocorre muitas vezes por um sentimento de vingança em relação à comunidade escolar por algo que trouxe sofrimento aos agressores. Ou ainda pelo alto impacto midiático, servindo como estratégia de propaganda do extremismo de direita.
 O texto considera que a instalação de artefatos de segurança, como detectores de metais e outros dispositivos, não vão enfrentar o impacto do reacionismo extremista. "Prevenir e impedir os ataques às escolas passa por ações extra e intraescolares, por meio de um trabalho intersetorial, com ação efetiva da gestão das redes públicas de ensino. Assim, em primeiro lugar, é fundamental que órgãos de inteligência ligados às forças de segurança monitorem sites, redes sociais, comunicadores instantâneos e fóruns anônimos, ao passo que mantenham canais de comunicação direto com as escolas e redes públicas de ensino", afirma o relatório.

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