O Sambão do Povo volta a se encher de cores e alegria nesta sexta-feira (10) com a abertura dos desfiles do Carnaval de Vitória 2023. Sete escolas do Grupo A entram na avenida, a partir de 22 horas, para disputar uma vaga na elite da folia em 2024.
Imperatriz do Forte
Das comunidades do Forte São João e Romão, em Vitória, a Imperatriz do Forte é a primeira a pisar no Sambão do Povo. Com o enredo “Mas será o Benedito?”, a agremiação vai contar a história de Benedito Meia-Légua, lendário quilombola de Sapê do Norte — a região engloba os atuais municípios de São Mateus e Conceição da Barra, cuja história foi marcada pelo período escravista e, consequentemente, pela existência de quilombos e líderes na luta da liberdade do povo negro.
Com estimativa de 800 componentes, a Imperatriz do Forte segue para a avenida com dois carros alegóricos, um tripé e 16 alas, pelas quais serão distribuídos os membros das comunidades para manter toda a escola cantando.
Império de Fátima
Na sequência, entra no Sambão a mais jovem escola do Carnaval de Vitória: a Império de Fátima, que vai completar 10 anos de fundação no próximo mês. Na avenida, os integrantes vão cantar "Não dá mais pra segurar, explode coração", com a esperança de conquistar o título de campeã do Grupo A.
De cores azul, branco e dourado, a agremiação do Bairro de Fátima, na Serra, terá três carros alegóricos e um elemento cenográfico. Para o desfile, a promessa é chamar a atenção até com o carro de som, sobre o qual o intérprete Leozinho estará fantasiado de Mahatma Gandhi e os apoios de muçulmanos, fazendo uma encenação teatral.
Pega no Samba
A tradicional Pega no Samba é a terceira escola a desfilar na sexta-feira. Com o enredo "Era só mais um cria", a proposta é falar da cultura, do trabalho e da criatividade das periferias. Da região de Consolação, em Vitória, a agremiação considera importante homenagear "seu próprio chão" e prestigiar as pessoas das comunidades.
E pensando em toda a diversidade encontrada nesses locais, o desfile da agremiação terá mais que samba: haverá também um toque de funk, hip hop, axé e passinho para animar os foliões nas arquibancadas e camarotes.
Independentes de São Torquato
Prestes a completar 49 anos de história, a Independentes de São Torquato, de Vila Velha, vai cantar as mulheres, trazendo como referência uma que está no imaginário popular, sobretudo de quem é do município: "Madalena — muito mais que um bem-querer". A proposta do enredo é valorizar a cultura capixaba e exaltar o público feminino.
Colorindo a avenida de vermelho e branco, a São Torquato planeja chegar imponente, com mil componentes em 19 alas, três carros alegóricos e um tripé.
Chega Mais
Com uma jornada iniciada na década de 1980, a Chega Mais tem como enredo "No alto do morro, no topo do mundo. Dai ao Quadro o que é da arte" e vai celebrar a comunidade do Quadro, em Vitória, onde surgiu a escola, contando e cantando a história de quem vive e trabalha por lá, e particularmente exaltando a arte que nasce na favela.
De cores azul e branco, a agremiação estará no Sambão com 900 componentes em 18 alas, três carros alegóricos e um tripé. Entre as curiosidades da escola, uma é a bateria, batizada de "Chegada mais Quente" por uma personalidade do samba carioca, Andrezinho, da Mocidade Independente de Padre Miguel.
Mocidade da Praia
"Meu canto e seus encantos: o mar, batucadas e Flores, a Mocidade e todos os amores..." é um enredo que traz o desejo de aproximar a escola Mocidade da Praia de sua comunidade, a Praia do Canto, em Vitória.
Fundada em 1947 pelo Mestre Flores como Batucada da Praia, a agremiação tem tradição, mas ainda é pouco conhecida pelos moradores do bairro. A ideia é estabelecer essa proximidade com a comunidade e, ainda, levar alegria para todos os foliões que vão acompanhar os desfiles no Sambão. A Mocidade vai entrar na avenida com 900 componentes e dois carros alegóricos.
Unidos de Barreiros
Para finalizar a primeira noite de desfiles, a Unidos de Barreiros, de São Cristóvão, em Vitória, vai cantar "Sou negro, sou raça, sou Brasil! Eis a história de nossos ancestrais, os filhos da Afra!", levando para o Sambão referências culturais da África e, particularmente, abordando as religiões de matriz africana.
Com 900 componentes, a Barreiros terá 14 alas e dois carros alegóricos. A escola foi a campeã de 2022 no Grupo B, que lhe garantiu subir para o A neste ano. Agora, vai tentar reeditar o sucesso e partir para a elite do Carnaval de Vitória em 2024 — o Grupo Especial que, neste sábado (11), vai ter outras sete agremiações se apresentando no Sambão a partir de 22 horas.