O coronavírus ainda não foi completamente decifrado por médicos e especialistas. A cada dia surge um novo desafio e soluções precisam ser encontradas. E uma nova estratégia que pode ser adotada no combate ao vírus é uma terceira dose da Coronavac para idosos, o que está sendo estudada pelo Instituto Butantan, segundo informou o diretor Dimas Covas, nesta quinta-feira (27), durante o depoimento à CPI da Covid.
"Chamo de dose de reforço e isso será necessário a todas as vacinas. Não só em relação à própria duração da imunidade, mas em relação às variantes", disse Covas.
A vacina é, atualmente, o único recurso da ciência capaz de evitar a maior parte dos casos graves e até a morte de pessoas contaminadas pela Covid-19. A possibilidade de uma terceira dose ser necessária para pessoas acima de 70 anos ainda é tido como um assunto prematuro pelos especialistas entrevistados por A Gazeta.
"O sistema imunológico do idoso tem como caraterística natural uma menor capacidade em promover os mecanismos protetores ligados a uma vacina. Eles também são mais sensíveis a infecções, por isso integram grupo prioritário. As vacinas, no entanto, tem capacidade de proteger os indivíduos de todas as faixas etárias. Até o momento não seria necessária essa terceira dose, pois todas as vacinas aprovadas que estão sendo aplicadas em diversos países estão sendo eficazes", opina Daniel Gomes, imunologista e professor do Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Para a epidemiologista e professora da Ufes, Ethel Maciel, a terceira dose para idosos é alternativa para maior proteção desta faixa etária, que possui um sistema imunológico que não consegue defender o organismo de agentes agressores. Mas ela faz advertências da necessidade de aumentar o contingente populacional vacinado.
"A Coronavac teve uma resposta menor em indivíduos a partir de 80 anos. A terceira dose vai ser necessária para esses grupos. Porém, neste momento que enfrentamos uma vacinação muito lenta, do ponto de vista científico acredito que deveria ser dada a terceira dose e do ponto de vista da lentidão da campanha vejo que precisamos garantir que as pessoas tenham acesso à vacina. Portanto, nesta escolha complexa seria a vacinação de outros grupos antes da terceira dose"
O infectologista Lauro Ferreira também destaca que a discussão não deve estar na idade, mas sim na lentidão da vacinação no Brasil e as constantes interações, causando uma alta transmissão do vírus.
"Quando a Coronavac foi criada, não havia a variante P1 e nem a inglesa, por exemplo. A Coronavac foi desenvolvida para os vírus originais, em princípio", observou Ferreira, que também é professor da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia (Emescam).
As novas variantes fazem com que a Coronavac ou qualquer outro imunizante tenha sua eficiência reduzida. "Toda vacina tem duas respostas imunológicas: a imunidade celular, que não muda com as variantes, e a imunidade humoral, que é mediada por anticorpos. Dessas duas armas, uma delas as variantes podem afetar. Hoje, temos apenas 13% da população imunizada, que é quando recebe a segunda dose. Aumentar o número de pessoas vacinadas com as duas doses deve ser a discussão no momento", completou o infectologista.