O número de passageiros transportados em voos domésticos no
Aeroporto de Vitória é menor do que o de 2012, apesar do aumento no índice de pessoas que passam pelo terminal registrado nos últimos meses. É o que mostra um levantamento feito por
A Gazeta a partir de dados da
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Em 2012, foram 1,7 milhão de passageiros. Dez anos depois, em 2022, o registro foi de cerca de 1,2 milhão, número que chegou a 1,59 milhão no ano seguinte e teve uma leve queda em 2024, com 1,505 milhão de passageiros. O fenômeno ocorre em todo o país e é tratado pelo setor aéreo como “década perdida”.
De acordo com a Anac, em 2012, foram contabilizados 1,7 milhão de passageiros. O índice se manteve estável até 2015 e voltou a cair em 2016, diante das consequências da crise econômica do período que levou à retração do Produto Interno Bruto (PIB) e ao aumento do desemprego. Em 2018, houve uma recuperação, mas, logo depois, o setor foi profundamente abalado pelas restrições impostas pela pandemia de Covid-19, como explica o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence.
“A gente teve duas crises entre esse período de 2014 e 2024. Mal tinha se recuperado da crise entre 2015 e 2016 e chega a pandemia de Covid-19, que restringe a circulação de passageiros, com o intuito de evitar uma propagação maior da doença. Realmente, o setor aéreo considera mesmo uma década perdida, mas, quando a gente olha um pouco mais para frente, faz uma projeção, há boas expectativas, porque há uma tendência de crescimento relativamente contínuo da economia”, contextualiza.
Entenda como os dados são contabilizados
Enquanto a Anac leva em conta somente a origem para contabilizar o número de passageiros, a Zurich entende que houve embarque e desembarque (ida e volta no mesmo aeroporto). Dessa forma, os números da administradora acabam sendo o dobro que os divulgados pela agência. Por exemplo, se a Anac informar que o fluxo foi de 100 mil em um mês, a concessionária entende que o índice foi de 200 mil.
O economista avalia que, além das crises econômicas, o setor é afetado pela baixa competitividade, altos custos e uma cultura que acaba privilegiando destinos internacionais e não nacionais.
“O Brasil sempre privilegiou algumas grandes empresas, a gente tem uma competitividade relativamente fraca, tem poucas grandes empresas operando no país. Isso é ruim para o consumidor, para as empresas que acabam sendo menos eficientes do que gostariam. Os custos do setor também são muito elevados, e as empresas acabam entrando em recuperação judicial, o que a gente tem observado nesses últimos anos. Tem uma questão cultural também. A gente nunca olhou muito para o Brasil em si como rota de turismo. O brasileiro de classe média alta opta por viajar para destinos internacionais. Isso dificulta para algumas regiões do país, como Vitória, que não tem rotas internacionais”, destaca.
Os custos do setor também são muito elevados, e as empresas acabam entrando em recuperação judicial, o que a gente tem observado nesses últimos anos. Tem uma questão cultural também. A gente nunca olhou muito para o Brasil em si como rota de turismo. O brasileiro de classe média alta opta por viajar para destinos internacionais. Isso dificulta para algumas regiões do país, como Vitória, que não tem rotas internacionais”, destaca.
Por meio de nota, a Zurich destacou que outro fator que atrapalhou a recuperação nos últimos anos foi a
limitação de pousos no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 2024, que chegou a gerar a redução de 47% na oferta de assentos para a capital carioca. Isso acabou afetando o resultado do ano passado, quando foram registrados menos passageiros no terminal que em 2023.
Governo do ES quer aumentar índice por meio do turismo
O fluxo de passageiros no Aeroporto de Vitória se insere em uma discussão crucial para o futuro da economia do Estado, que deve ser fortemente
impactado pela reforma tributária.
“Nós temos uma ocupação de basicamente 80% em nossas aeronaves. A Zurich tem nos ajudado a dialogar com as companhias aéreas para que a gente utilize parte desse percentual ocioso com tarifas melhores para criação de pacotes, para as pessoas virem passear. Hoje, o nosso maior turismo é o de negócio. O que a gente tem não dá para ser só de negócio. Tem que também ser turismo de lazer”, afirma Lorena Vasques Silveira, subsecretária de Estado de Estudos, Negócios, Planejamento e Infraestrutura Turística.
Cenário para o futuro é otimista
A expectativa é que, caso a economia brasileira continue em expansão, o fluxo de passageiros no terminal capixaba cresça e, inclusive, supere o recorde anual atingido em 2012.
“Se a economia se mantiver nesse ritmo de crescimento, por mais que tenha uma moderação mais para frente, é muito provável que o Aeroporto de Vitória registre novos recordes mensais e anuais nos próximos anos por conta da estabilidade econômica. A gente deve superar o patamar de 2014. Se forem comparados sempre com os mesmos meses, a gente vê que o ano de 2025 foi o maior para os mesmos meses dos anos anteriores. É muito possível que a gente registre novos recordes”, projeta Imaizumi.
Posicionamento da Zurich
"A Zurich Airport Brasil tem, em sua estrutura corporativa, uma área focada exclusivamente no desenvolvimento de rotas e por consequência na atração de mais passageiros. O trabalho é realizado em diversas frentes, entre elas, utilização de ferramentas de mapeamento de demanda de passageiros, com dados dos principais mercados de conexão e das taxas de ocupação das rotas.
Esses relatórios são apresentados em reuniões frequentes com as cias aéreas, demonstrando a elas a demanda do aeroporto de Vitória; uma outra frente fundamental é o trabalho junto ao trade turístico, unindo entes públicos e privados na promoção do destino Espírito Santo para atração dos viajantes de lazer.
A concessionária também oferece programas de incentivo para as cias aéreas. Importante ressaltar ainda a boa e competitiva política de ICMS sobre o querosene de aviação do governo do Espírito Santo, uma prática adotada pela maioria dos estados brasileiros para atrair mais voos - visto que o principal custo de uma cia aérea é o combustível."