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Apps de compras fundam uma nova era no setor de supermercados do ES

Para analistas, agilidade na entrega se torna cada vez mais um diferencial competitivo, em um cenário em que os consumidores se acostumaram a comprar pela internet e a receber o pedido em um curto intervalo de tempo

Publicado em 21 de Setembro de 2021 às 07:59

Caroline Freitas

Publicado em 

21 set 2021 às 07:59
Feira Hortifruti
Feira Hortifruti: empresa foi comprada pela Americanas Crédito: Delizete Debona
A aquisição da Rede Hortifruti pela Americanas e uso frequente de aplicativos até para aquisição de alimentos, como arroz, feijão, frutas e verduras, pode ser o ponto de partida para uma nova era do setor de supermercados do Espírito Santo, ao modificar noções sobre a forma de se comprar e de se entregar.
Analistas avaliam que a agilidade nesse processo se tornou um grande diferencial competitivo, principalmente após a pandemia, que fez disparar a busca por serviços de delivery. 
A gigante do e-commerce, que já contava com um serviço de entregas linkado ao site principal da marca, o Americanas Mercado, concluiu, recentemente, a aquisição do aplicativo de delivery capixaba Shipp, já rebatizado de Americanas Delivery.
A conclusão da operação, avaliada em R$ 2,1 bilhões, ainda está sujeita à aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas caso a venda do Hortifruti seja confirmada, a Americanas terá possibilidade de fazer entregas bem mais rápidas de alimentos frescos e outros itens básicos, uma vez que a empresa terá em mãos a ferramenta logística e os produtos à disposição.
Mesmo antes da operação, alguns supermercados já faziam suas vendas por meio do aplicativo. E existem outras alternativas que também têm ganhado adeptos no Espírito Santo, como é o caso do Uber Eats, que conta com um nicho de mercado, e do Ifood, por meio do qual vendem lojas como Extrabom e São José. Existe ainda o Cordershop, que faz as compras para você, no Carrefour e Sam's Club.
Outros estabelecimentos do Estado também começam a caminhar nessa direção, mas optam por canais próprios.  O Carone e o Extrabom, por exemplo, tem e-commerce consolidado desde antes do início da pandemia, mas cresceu com a busca de comodidade no período de isolamento social.
Ok Superatacado, por exemplo, liberou, recentemente, a opção de compra on-line, por meio do site da empresa. O consumidor pode optar por ter o pedido entregue em casa ou por retirá-lo no Ok de Laranjeiras, na Serra, já separado e embalado.
Nos três casos, no entanto, as compras não são entregues na hora. O consumidor precisa marcar o dia para receber o produto ou mesmo para fazer o drive-thru.
Integrado a isso, a empresa lançou ainda o aplicativo OK Dindim, que permite obter parte do dinheiro de volta na hora da compra — o famoso cashback. O saldo acumulado pode ser utilizado para pagar futuras compras nas unidades da rede. Essa modalidade de serviço ganhou popularidade  em lojas virtuais nos últimos anos. Mas agora também começa a ganhar os espaços físicos. 
O Canguru Supermercados, com duas lojas na Serra, que já oferecia a comodidade das compras on-line para seus clientes há mais de três anos, viu a demanda crescer com a pandemia, e chegou ao ponto de contratar taxistas para a entrega do supermercado. "Um negócio bom para ambos, já que o serviço de táxi também foi impactado pelos aplicativos de transporte", destacou a empresa, em nota.
O clube de compras Sam’s Club, pertencente ao Grupo BIG, lançou também uma plataforma de e-commerce da marca, para atender os sócios da região de Vitória, que agora podem abastecer suas despensas sem sair de casa, e com a entrega gratuita nas compras com valor a partir de R$ 150.
“Somos especialistas em varejo e sabemos que podemos oferecer um serviço melhor. Vamos oferecer uma experiência diferenciada, com equipes treinadas e dedicadas exclusivamente ao atendimento e seleção (picking) dos produtos em cada loja, o que torna o processo mais rápido e eficiente”, destacou.o diretor executivo digital do Grupo BIG, Marcelo Rizzi.
De acordo com o executivo, a plataforma foi desenvolvida após a realização de um amplo diagnóstico sobre as soluções disponíveis no mercado. A partir desta avaliação, a empresa optou pelo modelo de logística Ship From Store, que utiliza as lojas físicas como centro de distribuição.
“Além de trazer vantagens para o consumidor, o sistema valoriza os nossos ativos e gera um ganho de eficiência significativo para a companhia”, explicou
Já o Carrefour, que desde de 2016 contava com serviço de entrega, lançou, em outubro do ano passado, uma nova plataforma de compras pela internet. Conforme explicou o diretor do e-commerce da rede, Adriano Ciarletti, com o isolamento social e a aceleração digital, no segundo trimestre de 2020, o crescimento do e-commerce do Grupo representou um salto de três anos em três meses, e foi preciso ampliar a atuação da marca no ambiente virtual.
“Com o uso de modernas soluções, avançamos na integração ágil dos sistemas internos e externos para oferecer uma experiência cada vez mais unificada para os nossos clientes. A inovadora plataforma tem impactos positivos em todas as frentes do negócio, com uma performance de alto nível na gestão de pedidos, estrutura de marketplace e nos serviços que conectam a operação online com as lojas físicas.”

O QUE GARANTE A FIDELIZAÇÃO DO CLIENTE

O gerente de Marketing e Inovação do Grupo Multivix, Giulianno Bresciani, pontuou que o e-commerce especificamente não é uma ideia nova, mas o modo como é feito é o que garantirá a fidelização do cliente. 
"A gente vê a Americanas comprando o Hortifrutti, comprando a Shipp, integrando um pacote junto a um site que já é um dos maiores do Brasil, e é uma combinação que dá muito certo porque o consumidor já se habituou com isso, com comprar sem sair de casa e receber em pouquíssimo tempo. Quem não quiser perder espaço, tem que seguir por esse caminho."
E ele frisa que além de ter um bom site ou aplicativo, a entrega do pedido também deve ser bem planejada, desde a seleção dos produtos até o momento em que o consumidor recebe a encomenda em casa. "Não basta entregar rápido, é preciso entregar o pedido em condições adequadas, que não façam com que o cliente queira devolver a compra, ou desista da plataforma."
O ponto é reforçado pela professora das unidades de Engenharia e Gestão de Negócios da Faesa, Liana Figueiredo, que pontua que essa agilidade no processo de vendas à distância não diz respeito somente à tecnologia, mas ao capital humano envolvido, que é tão importante quanto. 
"É interessante haver uma reestruturação, que envolve tecnologia, novas plataformas, que podem ser construídas para cada ambiente de varejo e que consigam incorporar essa nova necessidade, que acaba sendo latente, que é a urgência", explica.
"Os produtos e preços não costumam ter muita diferenciação entre o ofertante, então o prazo de entrega pode ser o diferencial que tornará o negócio mais competitivo"
Liana Figueiredo - Professora das unidades de Engenharia e Gestão de Negócios da Faesa
"Tem a ver com tecnologia, uma plataforma que permita essa rapidez, mas tem também a dimensão humana. Por mais que tenha ali o algoritmo, o processo de separação ainda é humano. É preciso conscientizar as pessoas sobre a importância, a necessidade de rapidez daquela função. É algo importante. Às vezes a pessoa está preparando um almoço, ou precisa dar um leite pro filho. São questões urgentes. Não é só a tecnologia que precisa avançar."

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