O Aeroporto de Linhares, no Norte do Espírito Santo, foi inaugurado há mais de um mês com a promessa de receber, em breve, voos comerciais regulares de passageiros. No dia da inauguração, autoridades chegaram a prometer um voo teste da Azul em 28 de abril para abrir primeira rota aérea da cidade.
A companhia aérea fez uma vistoria das condições do aeroporto na data, mas não houve o voo teste. Após a inspeção minuciosa do novo terminal de passageiros e da pista de pousos e decolagens recém-ampliada, a Azul listou o que falta para operar na cidade.
O ponto principal a que está condicionada a operação é a instalação de instrumentos de auxílio à navegação aérea, como o PAPI (Indicador de Caminho de Aproximação de Precisão, da tradução da sigla em inglês). Esse equipamento é essencial para operações de pouso de aeronaves turbojato, que são aquelas usadas para os voos domésticos pelas companhias aéreas.
De acordo com a Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), responsável pela obra em Linhares, o PAPI já foi comprado e instalado, mas ainda aguarda homologação das autoridades competentes.
Azul explica o que falta para ter voos para o Aeroporto de Linhares
Outro ponto que no momento impede voos comerciais em Linhares é a estação meteorológica de aeródromo. Essa infraestrutura envia em tempo real e de forma automática as informações meteorológicas para pilotos e responsáveis pela coordenação do tráfego aéreo local, sendo indispensável para segurança.
A estação meteorológica do Aeroporto de Linhares foi construída juntamente com a nova pista. Está pronta e com os equipamentos instalados. Porém, assim como o PAPI, também depende de homologação da Aeronáutica e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), processos que já estão em andamento, segundo a Semobi.
A Azul ponderou que também aguarda homologação do procedimento IFR em condições IMC, ou seja, para uma aeronave realizar voo por instrumentos quando necessário. Esse procedimento possibilita a operação de aeronaves quando as condições meteorológicas não permitem a visibilidade mínima, como em voos noturnos.
"Esses auxílios são requisitos para a operação e ainda garantem a segurança, especialmente em dias com condições climáticas adversas"
Sobre o procedimento IFR, a Semobi destacou que o Aeroporto de Linhares já é homologado para pouso e decolagem sem auxílio de equipamentos, com aproximação visual diurna.
A Azul reforçou o interesse em operar em Linhares destacando que "tão logo esses procedimentos forem concluídos pela administração do aeroporto, a companhia seguirá com o planejamento para as operações na cidade."
Negociação com a Infraero
A Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) informou que está em tramitação na Secretaria Nacional de Aviação Civil, órgão do Ministério de Portos de Aeroportos, o processo entre o governo do Estado e a Infraero para que a operação do Aeroporto Regional de Linhares seja realizada pela estatal.
A pasta explicou que o governo já aceitou a proposta da Infraero para gerir o terminal e o processo de conclusão da transferência de gestão "está em andamento, seguindo os demais encaminhamentos para as aprovações legais".
Ainda segundo a secretaria, uma equipe da Infraero já se encontra no Aeroporto de Linhares prestando apoio às atividades. A estatal inclusive já enviou alguns equipamentos para a cidade visando o início das operações em breve.