A parceria da mineradora com a produtora de aço verde H2 Green Steel prevê a implantação de duas plantas industriais. Apesar de nem o número de hubs nem no local ainda terem sido definidos pela mineradora, o
Espírito Santo sai na frente como destino provável para abrigar o novo projeto.
Além de Tubarão, em
Vitória, a Vale também tem área em Anchieta, próximo à Samarco, com potencial para receber as usinas, segundo o empresariado capixaba. As duas regiões têm chance de abrigar as novas fábricas por contarem com infraestrutura com acesso a porto e ferrovia (no caso de Anchieta, com o futuro ramal da EF-118). De acordo com o jornal Valor Econômico, estimativas indicam que unidades poderiam demandar investimento de, no mínimo, US$ 1,7 bilhão (o equivalente hoje a R$ 8,5 bilhões).
Com esse acordo, a Vale estabelece uma parceria no Brasil com um produtor de ferro e aço verdes que está na vanguarda da descarbonização global, enquanto fomenta a indústria de baixo carbono e estimula a cadeia do hidrogênio verde no país.
"Com essa parceria, a Vale dá seus primeiros passos no mercado de hidrogênio verde. A iniciativa reforça o papel da Vale como indutora da ’neoindustrialização’ do Brasil, que será baseada na indústria de baixa emissão de carbono, cumprindo sua vocação de âncora do desenvolvimento regional, como sempre fez ao longo de sua história", afirma o presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo.
Para a presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, o Estado tem as características fundamentais para a instalação de novos negócios. Entre elas, disponibilidade de matéria-prima, acessos ferroviários, portos, estabilidade econômica, incentivos públicos, entre outros pontos fortes.
"As vantagens da implantação das fábricas de HBI e hidrogênio verde para o Estado estão associadas ao desenvolvimento da tecnologia inovadora dessas plantas no Espírito Santo e também na geração de empregos diretos e indiretos e nas oportunidades de negócios", afirma.
Ela destacou que o Estado possui alguns municípios com potencial para a implantação das fábricas de HBI e de hidrogênio verde, entre eles Vitória e Anchieta. "A decisão pelo Espírito Santo ficará por conta da estratégia que a Vale vai adotar", destaca.
Durval Vieira de Freitas, CEO da DVF Consultoria, cita que, além da área da Vale em Tubarão, a mineradora tem potencial de instalar as plantas ao lado da Samarco, próximo ao Porto de Ubu, que também vai receber ramal da EF-118. Ele afirma que, se a produção de briquete verde der resultado, a tendência é que as outras usinas da mineradora sejam transformadas também para fazer esse tipo de produto.
Sobre a estrutura de hidrogênio verde, Durval acredita que será projeto de médio prazo, cerca de 10 anos. O hidrogênio verde é produzido a partir de fontes de energia renovável, como eletrólise da água utilizando energia solar ou eólica, sendo mais sustentável e com zero emissões de gases poluentes.
"Esse é um ganho imenso para o Espírito Santo. A Vale está investindo no Estado e no futuro, caso vendam a tecnologia, isso será bom para os fornecedores e as empresas capixabas. Todos nós ganhamos com isso", destaca.