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Mercado aquecido

Com juros baixos, vendas de imóveis novos em Vitória triplicam

Com demanda maior e custos de construção mais elevados, preços de unidades habitacionais em lançamento subiram. Projeção é que velocidade de vendas se intensifique em 2021 diante

Publicado em 11 de Fevereiro de 2021 às 20:45

Siumara Gonçalves

Publicado em 

11 fev 2021 às 20:45
Prédios e casas em Vitória vistos a partir do Morro da Marinha, em Vila Velha
Prédios e casas em Vitória: mercado imobiliário aquecido Crédito: Fernando Madeira
O ano de 2020 fechou como um dos melhores para o mercado imobiliário nos últimos tempos. Apesar da pandemia do novo coronavírus, as vendas de imóveis novos mais do que triplicaram em Vitória no segundo semestre. Para especialistas, a baixa dos juros para financiamento imobiliário está entre os principais motivos para este aquecimento do setor.
De acordo com dados do Radar Imobiliário da Apex Partners, as vendas cresceram 246% no segundo semestre de 2020 em comparação o semestre anterior. Foram comercializados 638 imóveis vendidos em Vitória no período. Já nos primeiros seis meses do ano passado foram vendidas apenas 184 unidades. A pesquisa começou a ser elaborada em setembro de 2019.
Os bairros Praia do CantoJardim da Penha, Enseada do Suá e Praia do Suá se destacaram e tiveram os melhores índices de velocidade de venda no ano passado, segundo a pesquisa. 
O head de Real Estate da Apex, Marcelo Murad, explica que o setor voltou a ter bons números em 2020 e está com uma perspectiva positiva em relação aos indicadores socioeconômicos que direcionam o mercado imobiliário.
"Abrimos o ano de 2021 com perspectivas melhores do que as que tínhamos no ano passado. Com a metodologia que desenvolvemos no radar, conseguimos observar os efeitos da redução da taxa de juros, que ocorreu no segundo semestre de 2020, com os cortes abruptos da Selic. A consequência disso foi a redução do custo do crédito para financiamento imobiliário, o que favoreceu muito o setor", comenta.
Além do crédito imobiliário ter ficado mais barato com a Selic chegando ao seu menor patamar histórico, em 2% ao ano, a nova taxa de juros também afetou a rentabilidade de aplicações financeiras conservadoras e populares, como a caderneta de poupança, que passou a render abaixo da inflação.
Segundo Murad, há que se considerar ainda o crescimento da massa salarial em 2020. "Estamos tendo um bom resultado, apesar do nível atual de desemprego no país, que ainda continua elevado", ressalta.
"Os dados ao longo de 2020 mostram um primeiro trimestre muito ruim, com vendas bem quase nulas. Já olhando para o segundo semestre, vemos que elas foram a um outro patamar e se estabilizaram em torno de 100 e 120 unidades por mês [exceto em dezembro]. Eu acho que essa média ainda é baixa para Vitória, mas já é bem melhor do que os resultados anteriores"
Marcelo Murad - Head de Real Estate da Apex
O especialista estima que, em 2021, a média de unidades habitacionais vendidas mensalmente em Vitória fique entre 300 e 400. "Os dez lançamentos de empreendimentos que vimos no segundo semestre do ano passado, frente aos quatro do semestre anterior, mostram o crescimento da indústria e o potencial de mercado", aponta Murad.

PREÇO DO M² EM VITÓRIA

Vitória fechou o ano de 2020 com 1.032 unidades em estoque e R$ 771 milhões de Valor Geral de Vendas (VGV) disponível, pulverizados entre os 62 empreendimentos mapeados pela Apex com estoque ativo.
O preço médio por m² de toda a região de Vitória fechou 2020 com um aumento de 11,92% em relação as unidades em lançamento, ocasionado pela correção das tabelas pelo Custo Unitário Básico de Construção (CUB) e pelos projetos de valor mais elevado. "Estamos tendo uma procura muito grande por apartamentos de 3 e 4 quartos e de lançamentos de alto padrão para atender ao mercado", explica.
O metro quadrado mais caro da capital está localizado na Praia do Canto (R$ 16.130,45), enquanto o mais barato fica em Santa Cecília (R$ 5.749,02). Já o preço médio do m² em Vitória, em 2020, ficou em R$ 8.957,94. Veja a tabela completa no final da matéria
De acordo com o especialista, com o alto número de lançamentos no quarto trimestre do ano passado e campanhas de vendas agressivas, o Índice de Velocidade de Vendas (IVV) também foi influenciado positivamente em alguns bairros.
Esse foi o caso de Praia do Canto, Jardim da Penha, Enseada do Suá e Praia do Suá. Apesar disso, Murad lembra que, em números gerais, Jardim Camburi continua sendo o bairro que mais vende unidades.

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