O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deve distribuir aos trabalhadores neste mês de agosto pelo menos R$ 5,9 bilhões, cerca de 70%, do lucro líquido de 2020, que foi de R$ 8,5 bilhões. A divisão dos recursos tem como objetivo melhorar a rentabilidade para os cotistas, que este ano, deve ficar próxima de 4%, abaixo da inflação, que deve fechar o ano em 6,79%.
É esperado que o rendimento fique menor que no ano passado. O FGTS é sempre remunerado em 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), atualmente zerada. Em 2020, a distribuição dos lucros foi de de R$ 7,5 bilhões entre os trabalhadores, o que garantiu uma rentabilidade de 4,9% ao ano.
O rendimento do ano passado surpreendeu ao ser superior ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acumulada em 4,52% em 2020. Para este ano, o economista Felipe Storch Damasceno afirma que não é esperado o mesmo.
"Apesar do ano passado a rentabilidade ter superado a inflação, este ano isso não deve acontecer. Em 2020, tivemos uma rentabilidade na casa 4,9% com lucros distribuídos em R$ 7,5 bilhões, mas o lucro do diminuiu em 2021 para R$ 5,9 bilhões, então a expectativa é de que a rentabilidade também caia"
Essa também é a visão do professor e economista Alexandre Garcia, que prevê uma queda do rendimento. Mesmo assim, a rentabilidade do FGTS neste ano ainda pode sair ganhando de algumas aplicações financeiras. Os economistas esclarecem quando vale ou não a pena retirar o dinheiro do Fundo de Garantia.
O QUE RENDE MAIS?
Felipe Storch explica que as opções mais escolhidas como possibilidades de investimentos, que são a poupança e o Tesouro Selic, já apresentam um rendimento menor que o FGTS. Com isso, essas alternativas não são as melhores escolhas para quem quer ver o dinheiro render.
“O rendimento do FGTS já é mais vantajoso do que a poupança, e vem sendo maior que a taxa Selic, que agora está em 4,25%. Por isso, nesses cenários, o ideal é manter no Fundo de Garantia”.
Para Garcia, com a variação que o rendimento do FGTS pode sofrer de um ano para o outro, os trabalhadores também devem considerar outras opções. “O FGTS tem sido um bom investimento nos últimos dois anos, mas como o rendimento depende do lucro que foi obtido, ele pode não ser o mais seguro a médio e longo prazo”, afirma.
Segundo o economista, uma boa dica é optar por ativos com taxas de juros acima da inflação, o que vai garantir um rendimento maior do que na conta do FGTS.
“Se a pessoa tiver uma renda fixa ou um título de renda privada que vá pagar mais que a inflação, vale a pena fazer a troca para outras aplicações. O CDB, que é o Certificado de Depósito Bancário, também pode ser vantajoso, vai depender do fundo que o investidor escolher”, explica.
QUANDO O SAQUE VALE A PENA
Com o atual rendimento do FGTS, o economista explica que sacar o dinheiro na modalidade de “saque-aniversário” pode não ser tão interessante. Para ele, o ideal é deixar para retirar o dinheiro em caso de demissão, aposentadoria e doenças graves.
“É preciso lembrar que essa é uma poupança para momentos de dificuldades. Então o ideal é guardar esse dinheiro”, afirma.
Se o objetivo for resgatar o dinheiro para pagar dívidas, contudo, a situação é bem diferente. “Geralmente as dívidas têm taxas altas juros, maiores do que o rendimento. Por isso, é sempre melhor o trabalhador pagar a dívida", orienta.