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Carne salgada

Com picanha a quase R$ 84, preço da carne no ES assusta consumidores

Na Capital, o quilo da picanha chega a R$ 83,98 o quilo. O patinho é vendido por até R$ 41,90 o quilo. Para agravar a situação, o poder de compra tem caído

Publicado em 18 de Fevereiro de 2021 às 20:54

Isabella Arruda

Publicado em 

18 fev 2021 às 20:54
Supermercados de Vitória: Perim, Carone, Ok e Epa
Consumidores capixabas reclamam de preços elevados da carne bovina Crédito: Isabella Arruda
Consumidores capixabas estão impressionados com os preços nos supermercados, em especial o da carne bovina. Na Capital, o quilo da picanha chega a R$ 83,98 o quilo. O patinho é vendido por até R$ 41,90 o quilo.  Para agravar a situação, o poder de compra do brasileiro, em meio ao cenário de pandemia do novo coronavírus, tem caído.
Para o advogado Rodrigo Araújo, de 46 anos, cliente de um supermercado na Mata da Praia, em Vitória, em geral os preços da carne subiram notadamente nos últimos meses. "Mais a de boi, a de frango está estável. As carnes mais nobres aumentaram ainda mais, mas todas as bovinas aumentaram. Venho observando isso há meses. A carne de porco aumentou um pouco, mas demorou mais e está em promoção. Estou levando um filé mignon suíno que estava a R$ 25 e estou pagando R$ 18", relatou.
Para a doméstica aposentada Alcinéia Batista Ribeiro, cliente de um supermercado do Barro Vermelho, em Vitória, o preço das carnes tem assustado. "Nossa, um absurdo desde o início da pandemia. Antes da pandemia, a gente encontrava opção entre R$ 15 e R$ 25, agora a gente fica até sem saber o que fazer, esperando a misericórdia do senhor. Infelizmente a gente tem que comprar uma carninha, né. Tenho comido mais frango, ovos e peixe, que estão mais em conta", lamentou.
Visitados pela reportagem quatro supermercados da Capital, nos bairros Mata da Praia, Jardim da Penha e Barro Vermelho, foram registrados preços altos e variados de acordo com o corte bovino. Confira:
Para justificar o aumento no preço das carnes nos supermercados, o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) Hélio Schneider disse que a alta de moedas estrangeiras, como o Dólar e o Euro, frente ao Real, pode pode ter sido o maior impacto. Isso porque os frigoríficos passam a preferir vender o produto para fora do país e aumentar a margem de lucro, o que, consequentemente, acaba diminuindo a oferta para o mercado interno.
Supermercados de Vitória: Perim, Carone, Ok e Epa
No Supermercado 3,  a picanha em promoção estava R$ 75,90 o quilo Crédito: Isabella Arruda
Segundo Schneider, o aumento nos preços da carne bovina não prejudica apenas o consumidor, mas é também ruim para os supermercados, porque faz com que as pessoas comprem menos, procurando alternativas como ovos e carnes mais baratas.
"O problema da carne bovina especificamente é principalmente a pouca oferta de produto no mercado, sendo que mais de 60% da carne produzida no Brasil é exportada. O Dólar e o Euro no preço que estão e que só sobem, fazem com que se dê preferência para o mercado externo. Já no segundo semestre do ano passado houve uma alta bastante substancial. Qualquer pecuarista vai preferir vender as carnes para a Europa, já que vai ter uma rentabilidade muito maior. Ficamos à deriva no mercado interno. Além disso tudo, com relação a outros anos, a produção de boi está sendo menor que a procura", expressou.
Supermercados de Vitória: Perim, Carone, Ok e Epa
No Supermercado 1 o quilo do Patinho estava mais em conta: R$ 31,95 Crédito: Isabella Arruda
Também para o superintendente, a chance de baixarem os preços ainda não está à vista. "Se tivéssemos um Dólar caindo eu poderia prever, mas está absurdo, acima de R$ 5,40. O produtor fica tranquilo e os grandes frigoríficos também, mas o supermercadista tem duas alternativas: comprar ou não o produto. Se comprar, tem que repassar o aumento ao consumidor e aí caem as vendas do supermercado. Acaba que o consumidor interno não tem condições de consumir como gostaria e parte para outras opções para poder ter uma proteína no prato", acrescentou.
Apesar de tudo, Schneider afirmou que os preços não são abusivos, uma vez que o mercado, em especial considerando o capixaba, é altamente competitivo. "Se o preço subir muito, o consumidor tem opção de em metros à frente ir em outra loja, então há uma competição acirrada e isso é saudável para o consumidor", pontuou.
Somente ao longo de 2020, em dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as carnes estiveram entre as maiores altas de preços registradas. Os principais itens foram: batata (6,67%), carne traseiro (5,31%), margarina cremosa (5,06%) e cebola (4,98%).

SEM EXPECTATIVA DE MELHORA

De acordo com Hélio Schneider, não é possível prever os meses seguintes. "Este período em que estamos, que vai mais ou menos de dezembro a março, deveria ter, em tese, mais oferta. Depois a temperatura cai e as pastagens são prejudicadas, com menos oferta ainda. Ou seja, os preços podem se elevar ainda mais. Se existir um contraponto de queda do dólar, isso pode garantir que imediatamente a carne bovina possa abaixar de preço. Mas é imprevisível. Se o dólar cair, com certeza a carne vai ficar mais barata, caso contrário não. Esse mercado funciona assim, não tem milagre", concluiu.

O QUE DIZ O PROCON

Procurado, o diretor-presidente do Procon-ES Rogério Athayde explicou que cabe ao órgão fiscalizar o direito à informação clara e precisa sobre os variados preços praticados pelo estabelecimento, dentre outras normas, na forma da lei, sem, no entanto, intervir nos preços estipulados pelos estabelecimentos.
“No Brasil, o sistema econômico baseia-se na livre iniciativa e economia de mercado, da oferta e procura. A definição de preços depende de cada estabelecimento comercial e pode variar de acordo com os seus custos fixos, impostos, alta do dólar, margem de lucro etc. Entretanto, apesar da liberdade de mercado, é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor a especulação e elevação de preço sem justa causa. A principal recomendação para quem quer economizar é sempre a pesquisa de preços”, ressaltou.

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