Aquele modelo de trabalho tradicional com carteira assinada não deve existir no futuro. E para quem quer manter a empregabilidade alta, entra em campo o empreendedorismo e a prestação de serviços como novas formas de se trabalhar.
“Muitos profissionais acreditam que empregabilidade é estar contratado por meio da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), mas esse modelo já está ultrapassado. A pandemia e também outras crises demonstraram que o empreendedorismo veio para ficar. Um mercado com menos vagas de emprego tradicional faz com que as pessoas desenvolvam cada vez mais o autoemprego”, ressalta a especialista de carreira e gestão de pessoas Gisélia Freitas.
Segundo ela, quem for investir no próprio negócio pode apostar em produtos e serviços que estejam mais perto do consumidor. “Nesta pandemia, ficou muito forte esse tipo de comercialização. As pessoas querem comodidade, comprar de quem está perto de onde elas moram. Além disso, terá mais força quem estiver mais conectado tecnologicamente, com a divulgação forte nas redes sociais e com menos contato presencial”, afirma Gisélia.
A psicóloga e especialista em carreira Daniela Morais concorda que as possibilidades de empreender nunca ficaram tão altas. Prova disso, segundo ela, é que, durante a crise, muitos profissionais apostaram em outras habilidades como forma de ganhar dinheiro.
"Conheço uma pessoa que ficou desempregada e começou a fazer pão para vender no condomínio onde mora e outra que foi demitida e que foi contratada como freelancer para ajudar em um projeto. Isso mostra que nem tudo são perdas. Muitos trabalhos informais estão surgindo e vão permanecer em alta. Investir no próprio negócio ou trabalhar em projetos já está e vai continuar em evidência no futuro"
Ela lembra que ainda há muito espaço para quem quer crescer como empreendedor e que micro e pequenos empresários serão responsáveis por transformar o país.
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“Só para se ter uma ideia, eles empregam metade da força de trabalho do Brasil e geram 27% do PIB brasileiro. Entretanto, a qualificação será importante até mesmo para quem quer trabalhar por conta própria para que, assim, possa crescer com mais resultados”, aponta.
Além do empreendedorismo, Daniela salienta a possibilidade de prestar serviços por projetos. “São muitas as oportunidades e se você é bom, vai ter empregabilidade pelo resto da vida. Independentemente do tipo de trabalho, o diferencial entre um profissional e outro será o que ele faz de bom. Não importa se limpando casa ou gerenciando uma empresa”, argumenta.
Para o professor de administração e empreendedorismo da UVV, Rafael Galvêas, os jovens precisarão aliar capacitação com experiência para ter sucesso na profissão que escolherem. Segundo ele, procurar um estágio ou participar de empresas juniores dentro das universidades são formas de se conectar com o mercado de trabalho.
“Não adianta só estudar, precisa ter contato com as pessoas para saber a diferença entre o educacional e o profissional. O estágio é usado para aprender e os bons são contratados. Quem for atuar em empresa júnior tem uma grande possibilidade de virar empresário no futuro. Aliás, o empreendedorismo já era uma tendência e cada vez mais haverá necessidade da criação de novos negócios, principalmente com o desemprego em alta. Esta, inclusive é uma boa chance para sobreviver”, disse Galvêas.