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Caso Apex

Consultoria com ex-promotor do ES é contratada para analisar contas da Apex

Marcelo Zenkner integra a equipe da FTI Consulting, contratada pelo ex-presidente Fernando Cinelli para realizar apuração sobre operações do grupo; Cinelli foi afastado após investigação interna identificar "inconsistências financeiras na companhia"

Publicado em 06 de Outubro de 2026 às 17:13

André Cypreste

Publicado em 

06 out 2026 às 17:13
Sede da Apex Partners na Praia do Suá, Vitória.
Sede da Apex Partners na Praia do Suá, em Vitória. Carlos Alberto Silva

O fundador e ex-presidente da Apex Partners, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, contratou a FTI Consulting, empresa global de consultoria especializada em análises financeiras e investigações corporativas, para realizar uma apuração independente sobre operações do grupo. Entre os profissionais que integram a equipe está Marcelo Zenkner, ex-promotor de Justiça do Espírito Santo, ex-secretário de Estado de Controle e Transparência e ex-diretor de Governança e Conformidade da Petrobras.


A contratação foi informada à Justiça nesta terça-feira (6), em uma ação de produção antecipada de provas que tramita na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. Na mesma petição, a defesa de Cinelli reiterou o pedido para que empresas do grupo preservem e apresentem documentos relacionados às operações que estão sendo questionadas judicialmente.


A Apex foi procurada para comentar a petição. Em caso de resposta, esse texto será atualizado.


Segundo a petição, a FTI foi contratada para fazer uma análise "econômico-financeira, contábil, documental e forense" dos fatos e operações questionados pelas empresas. A consultoria consolidou, em 1º de outubro, uma lista de documentos e informações considerados necessários para o trabalho.


A FTI solicita, entre outros documentos, demonstrações financeiras de 2023 a 2025 e balancetes até junho de 2026; registros das operações de tesouraria; contratos e aprovações; atas e gravações de reuniões de conselhos, assembleias e comitês; além de informações sobre a estrutura de administração e decisão do grupo.


A relação também inclui documentos sobre três operações específicas: a aquisição de participação na CVC, a emissão de debêntures pela Rhino Securitizadora e a gestão do fundo BRM Carbyne. A consultoria quer identificar quem propôs, aprovou, executou e assinou cada operação.


Outro grupo de documentos solicitado envolve a caixa postal corporativa, arquivos, repositórios e agenda de Cinelli desde janeiro de 2021, além de registros de acesso a e-mails, equipamentos e sistemas a partir de agosto deste ano. A FTI também pede informações sobre políticas de retenção, expurgo e backup dos dados.

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Defesa diz estar sem acesso a documentos

Na petição, a defesa afirma que Cinelli não tem acesso a senhas, e-mails institucionais, servidores, registros de tesouraria, livros contábeis e arquivos corporativos desde 5 de agosto, quando deixou a administração das empresas. Segundo os advogados, o acervo passou a ser controlado pela administração interina.


A defesa sustenta que essa situação dificulta a manifestação de Cinelli sobre as acusações feitas contra ele. O argumento ganhou peso após uma decisão judicial que determinou a indisponibilidade de seus bens e a quebra de seu sigilo bancário.


De acordo com a petição, inicialmente foram apontadas quatro movimentações financeiras que somavam R$ 5,9 milhões. Posteriormente, as empresas acrescentaram outras movimentações, no valor de R$ 23,25 milhões, e pediram a ampliação das medidas de constrição.


A defesa cita manifestação do Ministério Público segundo a qual os comprovantes bancários demonstrariam a ocorrência das transferências, mas, isoladamente, não permitiriam definir a causa dos pagamentos, verificar eventual autorização societária ou atribuir responsabilidade definitiva ao antigo administrador.


Os advogados também afirmam que o próprio administrador judicial apontou pendências na documentação societária. Segundo a petição, o relatório de constatação prévia registrou que a documentação estava, em sua maioria, incompleta.

Pedido à Justiça

Com a nova manifestação, a defesa pede que as empresas do grupo sejam obrigadas a preservar integralmente documentos, arquivos, sistemas, bases de dados, registros e correspondências eletrônicas relacionados aos fatos e operações discutidos no processo.


Também solicita que esse material seja apresentado em até cinco dias, sob sigilo e mediante pena de multa diária. Como alternativa, pede que sejam exibidos pelo menos os documentos relacionados às movimentações financeiras que fundamentaram as acusações contra Cinelli.


A FTI também orientou que os arquivos sejam entregues, preferencialmente, em formato nativo e pesquisável, com preservação de metadados e, quando aplicável, da cadeia de custódia. A empresa solicita ainda a suspensão de rotinas automáticas de exclusão ou descarte de evidências digitais.


A consultoria informou que sua atuação poderá envolver coleta e preservação de dados eletrônicos, análise forense, recuperação de arquivos eventualmente deletados e revisão de documentos.

Relembre o caso

A Apex Partners ficou conhecida como uma das principais empresas de investimentos do cenário capixaba e nacional. No dia 6 de agosto, uma investigação interna identificou "inconsistências financeiras na companhia". Como reflexo dessa apuração, Fernando Cinelli, fundador e sócio da Apex, foi afastado do comando, junto com o diretor Financeiro, Eduardo Siqueira.


A Justiça, então, concedeu uma liminar em favor das empresas que compõem a Apex, suspendendo execuções visando a proteger o patrimônio de 178 companhias envolvidas diante de um montante de dívidas que chega a R$ 975 milhões. 


A decisão da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória também culminou no bloqueio de todos os bens de Cinelli, na quebra de seu sigilo bancário e na investigação das suas atitudes na empresa, apontadas pela Apex como "gestão temerária e de má-fé".


No dia 14 de setembro, o grupo formalizou o pedido de recuperação judicial. A medida tem como objetivo criar as condições necessárias para uma reestruturação organizada da companhia, com a preservação de seus ativos e a proteção dos interesses dos investidores e credores. A solicitação segue em análise na Justiça para decretar o futuro da empresa.

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