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De ovo de Páscoa a mercado: empreendedores aderem a apps para vender mais

Vendas on-line e entregas por aplicativo têm crescido na preferência dos consumidores e, diante da quarentena, se tornaram a salvação para muitos negócios continuarem faturando

Publicado em 01 de Abril de 2021 às 20:41

Ana Clara Morais

Publicado em 

01 abr 2021 às 20:41
Entregadores Ifood
Aplicativos conectam empresas e empreendedores aos consumidores Crédito: Fernando Madeira
Às vésperas de mais uma Páscoa, época em que as vendas ficam aquecidas em vários segmentos da economia, o Espírito Santo enfrenta mais uma fez um cenário parecido com o de 2020, com lojas e restaurantes fechados em função da quarentena decretada para frear a Covid-19. Porém, após um ano difícil para os comerciantes, a crise sanitária e econômica está ainda mais severa e os empreendedores têm buscado se virar para manter as vendas.
Uma das saídas para tentar amenizar os efeitos das portas fechadas é a venda por aplicativo. De grandes empresas a  microempreendedores, muitos têm optado pelos apps com a opção de entrega a domicílio. E se acha de tudo por lá: desde comida até compras em farmácias e supermercados, com entrega no mesmo dia, além de ovos de Páscoa e até torta capixaba. 
São várias plataformas com propostas parecidas, como Ifood, Shipp, Uber Eats e Rappi, que são os mais conhecidos. Há ainda plataformas exclusivas desenvolvidas pelas próprias empresas. Já outros microempreendedores e trabalhadores informais encontraram nos apps de redes sociais um canal de vendas ainda mais barato e prático.
A necessidade do isolamento social também fez com que grandes redes entrassem no novo formato de negócio. Americanas, Carrefour e outras marcas locais desenvolveram aplicativos próprios, onde vendem seus produtos e também de empresas parceiras.
É o caso, por exemplo, das lojas do Shopping Vitória. Desde novembro, o mall lançou o marketplace on-line, um site dedicado para a venda virtual dos produtos com entrega à domicílio. De acordo com Letícia Dalvi, gerente de marketing do shopping, a iniciativa deu certo. 
"A gente tá numa crescente do marketplace, tivemos lojista que zerou estoque. Além de outros canais que eles têm usado pra fazer as vendas, como as redes sociais. Durante a última semana, que focamos na Páscoa, tivemos uma média de 50 pedidos por dia. Dedicamos para vender porque a Páscoa é o Natal das lojas de chocolate e diferente do ano passado, esse ano não podíamos fazer drive-thru", pontua.
As vendas on-line também estão ajudando quem está começando. Um casal de Cariacica, de 25 anos de idade, vende por delivery há dois anos, tendo como carro chefe os geladinhos (chup-chup) gourmet. Ramon Carminati e Luisi Arpini hoje já possuem uma loja física, mas a venda por aplicativo ainda representa um terço do faturamento e é o que tem salvado durante a quarentena.
Luisi Arpini e Ramon Carminati, empreendedores de Cariacica
Luisi Arpini e Ramon Carminati, empreendedores de Cariacica Crédito: Divulgação/Sacollé
"Nas duas vezes que ocorreu a quarentena, logo de início, tivemos um boom de vendas pelos aplicativos. Nessa tivemos um boom de vendas e agora está normalizando, vamos ver se vai cair muito", conta Ramon Carminati, sócio do Sacollé, que vende pelo Ifood, WhatsApp e Instagram. O próprio Ramon faz as entregas de moto.
História semelhante a de Isabela Santana Geremias, de 21 anos. A capixaba começou vendendo brownies de bicicleta pelas ruas de Vitória e agora já tem uma loja física com a marca A Gigante do Brownie. Mesmo assim, ainda tem grande parte dos pedidos pelas redes sociais.
"Com a pandemia comecei a fazer o delivery pois não poderia mais vender na rua e comecei a divulgar bastante e hoje tenho várias entregas por dia, tenho motoboy fixo, fico na loja atendendo enquanto ele entrega em toda Grande Vitória", comenta. 
Isabela, dona da marca A Gigante do Brownie
Isabela Geremias vende brownies por delivery Crédito: Divulgação/A Gigante do Brownie

IMPACTO NO BOLSO DOS CONSUMIDORES

Maria Helena Moreira Rocha, de 49 anos, faz ovos de chocolate e sentiu uma grande diferença na Páscoa desse ano. Acontece que com a crise econômica cada vez mais severa, os clientes acabaram procurando produtos mais baratos. "Todo ano eu vendo, mas esse foi diferenciado porque geralmente eu vendo ovo maior, e os pedidos diminuíram no tamanho esse ano. Vendi o mesmo tanto de ovos, mas menores", relata.
A saída foi investir em opções diferentes. A confeiteira de Jardim Camburi, que já tem uma base sólida de clientes por trabalhar com bolos e doces há anos, inventou moda com caneca recheada, bombons e outros tipos de doces. "Precisei diversificar o cardápio com produtos mais baratos para vender mais", pontua.
Antes da Páscoa, Maria Helena estava vendendo caixas com itens de festa de aniversário como bolo, refrigerante e salgadinho, já que durante a pandemia as pessoas não estão podendo se encontrar para celebrações. No caso dela, todas as vendas são feitas pelo WhatsApp e Instagram e a própria filha faz as entregas quando o cliente não pode passar para retirar o produto.
Produtos vendidos por Maria Helena, em Jardim Camburi, foram diversificados na Páscoa
Produtos vendidos por Maria Helena, em Jardim Camburi, foram diversificados na Páscoa Crédito: Instagram/@helenamoreirads

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