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Mercado de trabalho

Desemprego cai no ES e atinge menor patamar desde 2015

Especialistas dizem que o resultado é positivo, mas deve ser encarado com cautela. Média salarial caiu, consumida pela inflação

Publicado em 30 de Novembro de 2021 às 16:08

Natalia Bourguignon

Publicado em 

30 nov 2021 às 16:08
Carteira de Trabalho: muitos profissionais desistem de encontrar uma oportunidade
Carteira de Trabalho: muitos trabalhadores não voltaram a procurar emprego Crédito: Marcello Casal/Agência Brasil
O desemprego no Espírito Santo recuou pela quarta vez seguida e foi para 10% no terceiro trimestre de 2021, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a menor desde o último trimestre de 2015, quando foi de 9,2%.
Segundo especialistas, esse é um dos indícios de que o mercado de trabalho do Estado começa a sair da grave crise provocada pela pandemia do coronavírus. Com o avanço da vacinação e o controle parcial da doença, muitas atividades econômicas voltaram a funcionar, o que se refletiu no emprego. Contudo, o contexto do mercado de trabalho atual ainda preocupa.
A taxa de desemprego é calculada sobre o número de pessoas na força de trabalho, isso significa que só são consideradas as pessoas empregadas ou que estão, de fato, procurando emprego. A economista Danielle Nascimento chama a atenção para o fato de que muitas pessoas ainda não voltaram a procurar emprego, o que pode estar contribuindo para a performance atual do indicador.
"O que temos nesse período é que a taxa caiu de forma considerável e também tivemos movimento de pessoas que ainda não voltaram para o mercado de trabalho, desistiram de procurar, não estão atrás de trabalho. Nesse cálculo de desemprego só entra quem efetivamente está procurando", aponta.
Entre julho, agosto e setembro deste ano, haviam 214 mil pessoas desocupadas, 30 mil a menos do que o trimestre anterior e 81 mil a menos que no mesmo período do ano passado.
Os dados do IBGE mostram crescimento de pessoas empregadas no setor privado, com ou sem carteira assinada. Porém, mostra também aumento nos trabalhadores informais e aqueles que trabalham por conta própria.
"A população ocupada melhorou no que a gente quer, que é no emprego com carteira, mas melhorou em outras que a gente não quer muito, que é o trabalho informal e por conta própria. Essas pessoas não contribuem para previdência, não tem apoio da seguridade social e isso gera uma fragilidade no mercado de trabalho", aponta Danielle.

SALÁRIO MÉDIO CAIU QUASE 30% DESDE 2015

Apesar da recuperação no emprego, o ganho médio teve queda de R$ 94 frente ao terceiro trimestre de 2020. Na comparação com o final de 2015, quando a taxa de desemprego estava parecida com a atual, a redução é ainda maior.
Naquele período, o rendimento médio dos trabalhadores era de R$ 2.443, e atualmente é de R$ 2.375. Porém, considerando as perdas inflacionárias, a diferença é de 27%, o que significa que os trabalhadores atuais perderam quase um terço de poder de compra dos seus salários desde 2015.
Apesar da redução no rendimento em comparação com o ano passado, a renda do trabalhador subiu no terceiro período deste ano em relação ao trimestre imediatamente anterior, passando de R$ 2.343 para R$ 2.375.
"A queda da taxa de desemprego é importante, mas as pessoas não sentem tanto por conta da realidade da inflação. E a inflação alta, por mais que a pessoa tenha emprego, ela  segue com sensação de perda do poder e compra", aponta o economista Eduardo Araújo.

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