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Vitória - ES - Ensaio: Muros e máscaras. Registros mostram a interação entre entre rostos cobertos com máscaras e arte na cidade em meio a pandemia de coronavírus. Vitor Jubini
Nova ordem mundial

Distanciamento social será o "novo normal" no pós-coronavírus

Apesar de se manterem mais afastadas, as pessoas vão passar a valorizar os encontros presenciais que ficarão mais raros. Socióloga aponta que medo de contrair doenças deve mudar comportamento da sociedade

Giordany Bozzato

gsoave@redegazeta.com.br

Publicado em 02 de Maio de 2020 às 19:48

Publicado em

02 mai 2020 às 19:48
Clientes com máscara na fila do banco no bairro Glória, em Vila Velha. O Governo do Estado determinou o usar máscara de proteção contra o coronavírus
Uso de máscaras pode se tornar mais comum na sociedade pós-coronavírus Crédito: Carlos Alberto Silva
Antes do coronavírus as pessoas acordavam, se arrumavam, saíam para o trabalho, depois iam se divertir com os amigos ou davam sequência aos estudos. Quando voltavam para casa já era tarde da noite. Agora, com exceção de quem tem a necessidade de ir às ruas, as pessoas passam o dia inteiro em casa – algumas vezes sem ver ninguém de fora do ciclo familiar.
O coronavírus trouxe transformações e muitas devem permanecer após a pandemia, como mostra a série de reportagem sobre essa "nova ordem mundial" instalada no combate ao novo inimigo da humanidade. As políticas econômicas, as relações de trabalho, o formato de gerenciar as nações são alterações vistas como o "novo normal".
Esse novo comportamento também vai ser refletido no dia a dia ao ter contatos pessoais. Se por um lado é provável que se aumentem as relações virtuais, por outro, os encontros presenciais devem ser valorizados porque ficarão mais raros. Quem explica essa aparentemente conflitante ligação entre os dois pontos é a socióloga e professora da Universidade de Brasília Christiane Machado Coêlho.
"A gente já vinha com um número de contatos virtuais muito grande e isso pode aumentar ainda mais depois do coronavírus. Por outro lado, os momentos de contato pessoal, justamente por ficarem mais raros, devem ser mais valorizados pelas pessoas"
Christiane Machado Coêlho - Socióloga e professora da Universidade de Brasília
“Claro que tudo vai depender de quanto tempo durar o isolamento, mas imaginamos que o contato pessoal seja valorizado. Estamos muito dependentes das tecnologias e a tendência é que passado isso tudo as pessoas voltem a dar mais importância ao ‘olho no olho’”, acrescenta a professora.
Um risco, no entanto, é que a sociedade passe a apresentar um medo de contágio – não só pelo coronavírus, mas também por outras doenças. “É importante que esse período de isolamento social não se transforme em isolamento existencial. Percebemos em nossa sociedade o aumento da insegurança social, mas não podemos ver os outros como uma ameaça”, destaca.
Coêlho também lembra que outra mudança na sociedade pode ser com relação ao estilo de vida das pessoas.” Em vários locais estamos vendo as pessoas fazendo hortas domésticas. As cidades estão esvaziadas. Será que não é o momento de rever o modelo que foi escolhido há tanto tempo e repensar o que queremos para o futuro? É bem provável que sim”, avalia.
Também professor universitário, Rafael Simões, doutorando no Programa de História Social das Relações Políticas, pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ressalta que um ponto positivo dessa crise é o aumento da solidariedade – sobretudo entre vizinhos.
“Temos visto várias pessoas se oferecendo para ir ao mercado, para a farmácia para outras pessoas que não têm condições de sair de casa. Também observamos alguns artistas fazendo apresentações gratuitas. Outros ainda distribuindo marmitas a quem precisa. E esses são pequenos exemplos dessa saudável retomada da solidariedade”, aponta o professor da UVV.
A infectologista Rúbia Miossi espera que este período crítico ajude a conscientizar as pessoas com relação à higiene, uso de máscaras e outras ações que contribuem para a saúde.
“Torço para que as pessoas lavem mais as mãos. É o básico. Torço para que elas não entrem em casa com os calçados, que tirem a roupa que chegou da rua. É isso que espero”, avalia.

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