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Nova matriz energética

EDP pode vender 2ª maior hidrelétrica do ES para focar em energia solar

Companhia planeja diminuir seu investimento em geração hidrelétrica, até 2025. Segundo especialistas, proposta vai na linha das práticas adotadas em outros países e pode ajudar a atrair investimentos

Publicado em 29 de Abril de 2021 às 02:00

Caroline Freitas

Publicado em 

29 abr 2021 às 02:00
A Usina Mascarenhas, em Baixo Guandu
A Usina Hidrelétrica de Mascarenhas, em Baixo Guandu, controlada pela EDP Crédito: Fred Loureiro/Secom-ES
Com planos de investir na geração de energia solar, a EDP Brasil avalia colocar à venda três das seis usinas hidrelétricas que opera no país. A companhia não confirmou quais serão as unidades, mas, segundo informações apuradas pelo jornal Valor Econômico, uma delas é a usina de Mascarenhas, localizada no Rio Doce, em Baixo Guandu, região Noroeste do Espírito Santo.
A usina, que entrou em operação em meados da década de 1970, tem capacidade instalada de 198 megawatts. Trata-se da segunda maior hidrelétrica do Estado, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), perdendo apenas para UHE Aimorés (330 MW), situada na mesma região e que fica na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais.
Ainda segundo o Valor, as usinas de Santo Antônio do Jari (AP) e Cachoeira Caldeirão (AP) também estão no radar da companhia portuguesa para uma possível venda no Brasil.
Embora não confirme o interesse específico na venda desses ativos, por meio de sua assessoria, a EDP explicou que tem sondado o mercado sobre a possibilidade de se desfazer de algumas usinas, entretanto, até o momento, não há certeza de que a negociação será concretizada.
Em nota, a companhia afirmou, entretanto, que tem como uma de suas estratégias diminuir seu investimento em geração hidrelétrica, até 2025, para elevar seus investimentos em energia solar, com o objetivo de reduzir o risco associado à fonte hídrica, em função da volatilidade de preços desta modalidade.
A nota reforça ainda que a UHE Mascarenhas e a EDP Espírito Santo, apesar de atreladas à EDP Brasil, são empresas distintas – uma com atuação no segmento de geração de energia e a outra no segmento distribuição – e que uma eventual negociação da primeira não traria quaisquer impactos aos consumidores capixabas.
A companhia destacou que mantém seu compromisso com o Estado, destacando que, “em 2020, a EDP investiu R$ 384,5 milhões no Espírito Santo, que também deve receber cerca de metade dos R$ 6 bilhões que a companhia pretende destinar a este segmento até 2025.”
O plano já havia sido adiantado pela colunista de A Gazeta, Beatriz Seixas. Dos R$ 3 bilhões que devem ser investidos em território capixaba, cerca de 38% serão destinados à expansão da rede, outros 32% serão utilizados em melhorias e 30% serão aportados em ações voltadas para a redução de perdas e TI, segundo a EDP.
Os novos investimentos vão se somar a outros que a distribuidora de energia elétrica do Espírito Santo têm em curso ou já concretizou há pouco tempo. A EDP vai construir, por exemplo, uma subestação de energia em Vitória, com um investimento de R$ 21 milhões, e outra em Ibiraçu. Outros dois empreendimentos finalizados e já em operação são as subestações Santa Isabel e Domingos Martins.

NEGÓCIO MAIS ATRATIVO

Para o especialista da área de energia Christian Celeste, o desinvestimento está muito ligado à própria estratégia da empresa de diversificar os projetos, mas, para além da variação de portfólio, a questão climática é um dos fatores que tornam a venda um negócio atrativo.
"O maior problema ligado às hidrelétricas hoje em dia é a questão climática. Há imprevisão sobre o clima, risco de falta d’água. Isso acaba trazendo um risco maior para um negócio que, usualmente, é considerado conservador, e implica também em um aumento de custos. Hoje ninguém fala mais em construir hidrelétrica. E a energia solar passa a ser algo interessante porque tem um perfil de risco bem diferente."
Para Romeu Rodrigues, especialista em Logística e Energia do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), o plano da companhia em colocar à venda as usinas condiz com a fase de transição da matriz energética observada no mundo todo. Os países, de um modo geral, têm apostado em formas de geração de energia limpa.
“É uma tendência irreversível, e as empresas estão buscando fazer essa transição, na medida do possível. A geração solar tem várias vantagens. Não é preciso estar concentrado em um local só, por exemplo, é possível produzir de vários pontos, e isso é bom até pelo ponto de vista de interiorizar o desenvolvimento. Além disso, é um investimento que movimenta fortemente a cadeia de comércio e serviços”, observa.
Paralelamente, ele destaca que o próprio governo do Estado tem buscado incentivar a essa transição, por meio do Programa Gerar, criado com o objetivo de estimular projetos de fontes de energias renováveis, como eólica e solar, e atrair investidores interessados em injetar recursos na área.
“É uma oportunidade muito boa para o Espírito Santo. Acho que precisamos correr atrás das empresas e mostrar que é um um bom momento para investir na área.”

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