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ES 500 Anos

Educação e inovação são apontadas como chave para desenvolvimento do ES

Especialistas defendem fortalecimento da educação básica, inovação e preparação para desafios tecnológicos e climáticos no crescimento do Estado

Publicado em 10 de Março de 2026 às 15:44

Nicoly Reis

Publicado em 

10 mar 2026 às 15:44
Painel “Formação de Capital Humano e Desenvolvimento de Competências para o Futuro”, no evento do plano ES 500 Anos, no Palácio Anchieta
Painel durante evento do plano ES 500 Anos, no Palácio Anchieta Crédito: Instagram/Reprodução
A formação de capital humano foi apontada como um dos pilares para o desenvolvimento econômico e social do Espírito Santo na próxima década. Essa necessidade foi apresentada durante o painel “Formação de Capital Humano e Desenvolvimento de Competências para o Futuro”, realizado na segunda-feira (9), no evento do plano ES 500 Anos, no Palácio Anchieta, em Vitória. Especialistas destacaram que a preparação da população para o futuro passa pelo fortalecimento da educação básica, pela redução das desigualdades educacionais, pelo estímulo à inovação e pela adaptação às transformações tecnológicas e climáticas.
O debate reuniu o diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, que mediou o encontro, além de Henrique Romano Carneiro, diretor-executivo da Escola São Domingos; Samuel Franco, sócio-diretor da Oppen Social; e Clarissa Gandour, professora da Escola de Economia de São Paulo da FGV (FGV-EESP) e consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O tema foi apresentado como transversal às cinco missões estratégicas do plano de longo prazo do Estado.
Durante a abertura do painel, Lira ressaltou que o Espírito Santo vive um momento positivo em indicadores econômicos e sociais, mas enfrenta o desafio de preparar a força de trabalho para um cenário marcado pelo avanço tecnológico e por mudanças no mercado global. Segundo ele, discutir competências para o futuro é fundamental para sustentar o crescimento e garantir desenvolvimento de longo prazo.
Educação e inovação são apontadas como chave para desenvolvimento do ES

Base educacional como fundamento

Na avaliação de Henrique Carneiro, a formação para o futuro depende de uma base educacional sólida, capaz de desenvolver competências essenciais, como pensamento crítico, criatividade e capacidade de resolver problemas. Ele destacou que, diante da rápida transformação tecnológica — impulsionada, por exemplo, pela inteligência artificial —, a educação básica precisa priorizar fundamentos que permaneçam relevantes ao longo do tempo.
A escola existe para treinar o cérebro, para formar os caminhos neurais que vão permitir a utilização desses mecanismos para a sua aplicação. A inteligência artificial pode executar, mas não pode fortalecer as nossas próprias redes neurais
Henrique Romano Carneiro - Diretor executivo da Escola São Domingos
Para Henrique, investir em alfabetização na idade certa, melhoria do desempenho em português e matemática e ampliação da educação integral são medidas fundamentais para preparar estudantes para qualquer cenário futuro.

Desigualdade educacional como desafio

O sócio-diretor na Oppen Social, Samuel Franco, chamou a atenção para os desafios relacionados às desigualdades educacionais no Brasil e no Espírito Santo. Ele destacou que avanços recentes na alfabetização indicam progresso, mas ainda há diferenças importantes entre municípios e grupos sociais.
Ele apresentou exemplos hipotéticos de estudantes em diferentes etapas da formação para mostrar como as lacunas na aprendizagem podem comprometer o desenvolvimento profissional no futuro. Um dos dados citados foi o baixo nível de aprendizagem em matemática ao final do ensino fundamental, o que pode afetar diretamente a qualificação da mão de obra e a produtividade econômica.
Para enfrentar o problema, Franco defendeu estratégias de recomposição de aprendizagem, maior atenção aos estudantes em situação de vulnerabilidade e fortalecimento da educação técnica alinhada às demandas do mercado de trabalho. “Se conseguirmos tratar de forma diferenciada aqueles que ficaram para trás, todo o Estado ganha em produtividade e desenvolvimento”, ressaltou.

Inovação como motor do desenvolvimento

Outro ponto destacado no debate foi o papel da inovação no desenvolvimento econômico do Espírito Santo. De acordo com os especialistas, investir em ciênciatecnologia e na conexão entre universidadesempresas e setor público será fundamental para transformar conhecimento em oportunidades de trabalho e crescimento produtivo.
Durante o painel, foi ressaltado que o Estado já apresenta avanços em diversos indicadores econômicos, mas ainda há espaço para ampliar investimentos em inovação e desenvolvimento tecnológico. A avaliação é que fortalecer esse ambiente pode atrair talentos, estimular o empreendedorismo e ampliar a competitividade da economia capixaba.
Nesse cenário, conforme os especialistas, a formação de capital humano aparece como elemento central para sustentar esse processo. A qualificação da população, especialmente nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, foi apontada como caminho para preparar profissionais capazes de atuar em novos setores econômicos e acompanhar as transformações do mercado de trabalho.

Transição climática e novos empregos

A economista do clima e professora na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP) Clarissa Gandour trouxe ao debate a relação entre mudanças climáticas e mercado de trabalho. Segundo ela, a transição para uma economia de baixo carbono deve provocar transformações estruturais na dinâmica produtiva e na demanda por habilidades profissionais.
Ela explicou que as políticas de descarbonização podem alterar setores econômicos, exigir novas competências e provocar a realocação de trabalhadores entre diferentes áreas. Ao mesmo tempo, essas mudanças podem gerar oportunidades de inovação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, desde que haja planejamento e investimento em qualificação profissional.
Para Gandour, a preparação da força de trabalho é essencial para que o Espírito Santo aproveite as oportunidades da transição climática e evite ampliar desigualdades no mercado de trabalho.
Os especialistas concordaram que a formação de capital humano exige ações coordenadas entre governo, setor produtivo, academia e sociedade civil. A proposta do plano ES 500 Anos, segundo os participantes, é justamente construir essa articulação para preparar o Estado para desafios como inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade econômica na próxima década.

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