Depois de ter o quartzito incluído na lista de exceções do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros, o setor de rochas ornamentais segue em conversas com entidades nos Estados Unidos para garantir também a não taxação do mármore e granito a partir da próxima semana.
O quartzito — material, amplamente utilizado na construção civil e em acabamentos de alto padrão — representa metade dos 80% das chapas produzidas no Estado que são enviadas para os Estados Unidos.
E para garantir a inclusão dos demais materiais, representantes da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participaram nesta sexta-feira (1°) de uma reunião na Embaixada do Brasil em Washington para a entrega simbólica de uma carta à National Association of Home Builders (NAHB) e ao Natural Stone Institute (NSI).
Em reunião nos EUA, setor de rochas do ES pede novas isenções no tarifaço
O documento, assinado conjuntamente pelas três entidades, reforça o pedido de inclusão de novos materiais de origem brasileira na lista de exceções à tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos às importações brasileiras.
Apesar do alívio com a isenção parcial, a Centrorochas destaca que a mobilização continua. “A carta reforça a importância de ampliar a lista de isenções para incluir materiais como mármore, granito e ardósia, todos amplamente utilizados pela indústria americana e sem alternativas viáveis na produção doméstica dos EUA”, afirmou Fábio Cruz, vice-presidente da associação.
O setor de rochas chegou a ficar com cerca de 1.200 contêineres parados em portos do Estado aguardando alguma definição sobre as tarifas, que foram anunciadas no dia 9 de julho. Depois da publicação da ordem executiva pela Casa Branca, na quarta-feira (30), o setor voltou a fazer embarques para os Estados Unidos.
Impacto das tarifas no mercado de construção dos EUA
Ainda segundo a Centrorochas, o impacto da medida tarifária sobre o mercado americano também tem gerado grande preocupação entre os agentes locais.
Segundo dados preliminares da NAHB, as novas tarifas podem elevar significativamente o custo médio das novas construções residenciais nos Estados Unidos.
A manutenção da tarifa representa risco direto para mais de 200 mil empregos nos EUA, entre fabricantes, distribuidores e instaladores do setor de pedras naturais. A ausência de insumos alternativos e a rigidez de contratos em vigor agravam ainda mais o cenário.
De acordo com estimativas da própria NAHB, as tarifas atualmente propostas devem adicionar, em média, mais de US$ 10.900 (R$ 60,3 mil) ao custo de cada nova casa construída nos Estados Unidos.
A entidade estima que cerca de 7% de todos os materiais de construção utilizados em novas construções residenciais multifamiliares e unifamiliares em 2024 tiveram origem em países estrangeiros.
Além disso, o custo dos materiais de construção já subiu 41,6% nos cinco anos desde a pandemia – índice muito superior à inflação acumulada no mesmo período (21,9%). A imposição dessas tarifas sobre materiais, eletrodomésticos e produtos de acabamento ameaça desorganizar cadeias de suprimento e aumentar ainda mais os custos de moradia para as famílias americanas.