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Luz nas companhias

Empresas apostam na produção de energia no ES e amenizam crise elétrica

Alguns grupos capixabas fabricam eletricidade capaz de manter uma região de 1,7 milhão de moradores. Boa parte é usada para atender a necessidades próprias, mas uma fatia também é comercializada

Publicado em 19 de Julho de 2021 às 06:00

Caroline Freitas

Publicado em 

19 jul 2021 às 06:00
Data: 30/10/2019 - ES - Vitória - Placas fotovoltaicas instaladas na Ufes (Centro de Línguas) para geração de energia. Usina solar é a terceira maior do país e a maior do ES
Placas fotovoltaicas instaladas na Ufes (Centro de Línguas) para geração de energia. Usina solar é a terceira maior do país e a maior do ES Crédito: Fernando Madeira
Em meio a um cenário de deterioração do nível dos reservatórios das hidrelétricas e possíveis problemas de abastecimento nos próximos meses, grandes empresas que atuam no Espírito Santo têm reforçado a produção de energia. São iniciativas voltadas tanto para o consumo próprio como para o compartilhamento de excedentes com o sistema nacional de energia.
Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), atualmente o Estado tem 68 usinas instaladas , com potência de aproximadamente 1,6 milhão de kW.
São empreendimentos voltados para a geração de energia através das fontes hídrica, biomassa, solar e combustíveis fósseis, distribuídos pela Grande Vitória e também por municípios como LinharesAracruzItapemirim, entre outros.
Muitas dessas usinas pertencem a empresas especializadas em energia, mas também há participação de indústrias do ramo da metalurgia, celulose, rochas ornamentais, e até de gêneros alimentícios.
Suzano, por exemplo, produz energia renovável a partir do eucalipto, que é picado, transformado em cavaco e inserido em digestores, que separam os componentes que serão utilizados para produção de celulose de mercado e demais produtos derivados. Depois, parte dos químicos utilizados nesse processo é recuperado por caldeiras, e, a partir queima de resíduos de biomassa, surge um vapor que é transformado em eletricidade.
No Espírito Santo, a energia gerada é suficiente para a produção da companhia e ainda gera excedente suficiente para abastecer o consumo residencial de uma cidade com cerca de 100 mil habitantes. Em âmbito corporativo, isto é, considerando todas as atividades da Suzano, não somente no Estado, o excedente de energia é suficiente para abastecer uma população de 1,4 milhão de pessoas.
A empresa tem como meta dobrar o fornecimento de energia renovável até 2030. O compromisso é anterior à crise energética, mas que ganhou maior relevância diante do momento atual.
ArcelorMittal Tubarão, por sua vez, concluirá, em agosto, um projeto de geração de energia solar que prevê a instalação de sistema fotovoltaico no modelo “Carport” para 60 vagas de veículos simples, utilizando estruturas metálicas de solução da própria companhia. Com investimento estimado em R$ 1,7 milhão, o gerador fotovoltaico será capaz de produzir cerca de 150kWp (Watt-Pico), alimentando o prédio de inovação tecnológica da empresa.
A companhia, entretanto, é autossuficiente desde 1999, e utiliza os gases provenientes de seus processos produtivos para gerar sua própria energia em seis centrais termoelétricas. A siderúrgica também reaproveita o calor do tratamento a seco do coque (carvão betuminoso) e a energia cinética dos gases do seu alto-forno na fabricação de energia. O parque industrial tem capacidade instalada para 500 MW, que equivalem ao consumo de cerca 1 milhão de pessoas no ano.
“Além de produzir para seu próprio consumo, nos últimos anos a empresa também tem comercializado o excedente. A venda é feita, prioritariamente, para a unidade do Grupo ArcelorMittal em Vega do Sul (SC) e o que sobra é disponibilizado para as demais unidades no Brasil, contribuindo para o sistema público”, informou.
Paralelamente, a metalúrgica realiza a cogeração de energia elétrica por meio do aproveitamento dos gases na aciaria (unidade da usina onde ficam maquinas e equipamentos), que são utilizados como combustível em quatro centrais termelétricas da empresa.
Também é desenvolvido um projeto de recuperação de calor de uma de suas coquerias (local de queima do carvão), que produz 170 MW de energia elétrica em duas centrais termelétricas e tem potencial de criar crédito de carbono, num período de 10 anos, de 2,5 milhões de toneladas de CO2.
Outra companhia que tem encontrado formas de aproveitar resíduos e transformá-los em energia é a Marca Ambiental. No aterro sanitário em Cariacica, a decomposição orgânica dos resíduos formam uma eletricidade limpa e renovável por meio do biogás.
São cerca de 1.500 toneladas de resíduos recebidos por dia e aterrados. A captação do gás é realizada pela Líberum Energia, e, na sequência, é redirecionada à planta industrial da Marca Ambiental, onde passa por diversas etapas de tratamento, após as quais o biogás está pronto para ser enviado para os motores. A energia desse processo é injetada na rede da EDP para ser distribuída.
A usina entrou em operação em 2020 e conta com um total de cinco geradores, sendo que três deles já estão em funcionamento, com capacidade suficiente para atender às necessidades de cerca de 30 mil pessoas (3 MW).
O potencial energético, entretanto, é estimada em 5 MW, o que equivale ao abastecimento de uma cidade de 50 mil habitantes, conforme explicou o diretor da Liberum Energia, Filipe Barone.
“A usina já está preparada para que esses dois motores também entrem em operação. O projeto de expansão está em andamento e deve ser realizado até o início de 2022.”
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Células de aterro sanitário da Marca Ambiental em Cariacica Crédito: Marca Ambiental/Divulgação
Um dos maiores conglomerados de empresas de transporte e logística do país, o grupo capixaba Águia Branca planeja fazer investimentos de mais de R$ 13 milhões na área de energia limpa, conforme revelou a colunista de A Gazeta, Beatriz Seixa, nesta sexta-feira (16).
Um dos passos para isso é por meio da AB Energias Renováveis, um consórcio que acaba de ser formado pelas empresas do grupo localizadas no Espírito Santo e em Minas Gerais.
A partir da união, pioneira no Estado, são construídas duas usinas de geração de energia solar, sendo uma em Pinheiros, no Norte capixaba, e a outra em Nanuque, Minas Gerais. Elas têm a finalidade de oferecer o produto nos dois Estados para as empresas envolvidas no acordo.
No Espírito Santo, vão ser 2,6 megawatt/pico em potência (MWp) e, em Minas, 0,7 MWp, o que equivale ao consumo médio de mais de 2.600 residências. Além disso, essa produção vai evitar o lançamento de mais de 2,8 mil toneladas de gás carbônico por ano na atmosfera.
Em Linhares, a usina solar da Brametal conta com 3.780 módulos fotovoltaicos (painéis solares), distribuídos em uma área de cerca de 40 mil metros quadrados, aproximadamente o tamanho de seis campos de futebol. Trata-se de um dos maiores empreendimentos do gênero no Espírito Santo, e está em negociação a ampliação da usina para a instalação de mais 136 painéis fotovoltaicos.
Com tecnologia de tracking, na qual os módulos se movem de acordo com as mudanças no ângulo dos raios solares para um maior aproveitamento da irradiação, a planta gera 2.489 MWh por ano, o suficiente para abastecer mais de mil residências por mês.
Além disso, a energia gerada na unidade evita a emissão de 260 toneladas de CO2, o que equivale ao plantio de 1.925 árvores. Segundo a empresa, a solução permitirá reduzir os custos com energia elétrica da fábrica da Brametal em aproximadamente R$ 360 mil ao ano.
A usina tem capacidade instalada de aproximadamente 1,4 MWp e 100% da energia gerada é consumida pela planta do Norte capixaba, atendendo a a algo em torno de 30% da demanda de energia da empresa.
Questionada sobre planos de ampliação, a companhia explicou que, no momento, o foco está na construção de uma nova fábrica no complexo de Linhares, onde está investindo cerca de R$ 7 milhões em uma linha de produção dedicada a produtos para atender o mercado de geração de energia solar fotovoltaica.
Também no ramo da energia solar, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) inaugurou, em março do ano passado, um parque de minigeração distribuída de energia fotovoltaica, que abastece os campi de Goiabeiras e Maruípe, com capacidade para produzir 7,7 milhões de kWh/ano de energia elétrica.
Isso representa uma redução de 45,5% no consumo de energia elétrica do campus Goiabeiras (e de 30% na conta geral de energia elétrica da Universidade). A economia anual estimada é de R$ 5 milhões, incluindo a substituição da iluminação externa por lâmpadas de LED.
“Não é possível medir com precisão a economia já proporcionada pela usina até o momento, uma vez que ela foi instalada em 16 de março de 2020, e no dia 17 de março do mesmo ano, houve a suspensão das atividades acadêmicas e administrativas da Ufes em função da pandemia da Covid-19”, informou a universidade, por meio de nota.
Contudo, segundo a Superintendência de Infraestrutura da Ufes, responsável pelo projeto, já são realizados estudos para implantação de novas usinas nos campi de Alegre e São Mateus, a fim de reduzir o consumo de energia elétrica também nestes municípios.
Neste contexto, o  Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer) firmou uma parceria com a Estel Energia, para aquisição de energia por preços mais acessíveis.
As empresas associadas ao sindicato que se enquadrarem nas tarifas B3 (baixa tensão) poderão integrar uma cooperativa de microgeração de energia e usufruírem dos mesmos preços aplicados pelo mercado livre de distribuição, modalidade que tem chancela da Aneel)
Segundo nota divulgada pela entidade, essa iniciativa faz parte do planejamento estratégico do Sindifer, que objetiva ampliar os benefícios aos associados de modo a reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade.
“A energia utilizada nesta modalidade será proveniente de uma CGH – Central Geradora Hidrelétrica, da Estel, que está em processo de construção em Muniz Freire, com previsão de funcionamento para julho de 2022. A energia gerada será injetada diretamente na distribuidora (EDP). Por se tratar de energia renovável, a Aneel estabelece uma política de geração de créditos, que poderão ser abatidos nas contas de energia.”
Hoje, cerca de 6,5 mil consumidores também realizam mini e micro geração de energia (MMGD) na área de concessão da EDP, de acordo com a concessionária. A produção alcança 93,1 kW. Por se tratarem de dados privados, a empresa não informou quanto desse total é utilizado para consumo próprio e qual o excedente repassado.
Conforme explicou o coordenador do curso de pós-graduação em Eficiência Energética Industrial do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de São Mateus, Rodrigo Fiorotti, o sistema de energia nacional é interligado. Assim, mesmo que uma empresa esteja situada no Espírito Santo, quando repassa a energia que “sobra”, beneficia não somente o Estado, mas outras regiões do país. O mesmo acontece quando companhias em outros locais compartilham sua produção.
Data: 30/10/2019 - ES - Vitória - Placas fotovoltaicas instaladas na Ufes (Centro de Línguas) para geração de energia. Usina solar é a terceira maior do país e a maior do ES
Placas fotovoltaicas foram instaladas na Ufes para geração de energia Crédito: Fernando Madeira
“Hoje, as hidrelétricas ainda respondem por cerca de 64% da matriz elétrica brasileira. Contudo, temos um espaço muito grande para crescer em outras áreas e expandir a geração de energia solar, eólica, entre outras, e a atuação das empresas contribui com esse avanço, e com a redução da pressão sobre o sistema hidrelétrico.”
A preocupação com cenário para o fornecimento de energia elétrica no país ganhou os holofotes a partir de abril, devido aos baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas. O período chuvoso termina em março e, neste ano, foi marcado pelo pior histórico de afluência do Sistema Interligado Nacional (SIN) desde 1931, início da série histórica.
Mas, desde outubro, o Operador Nacional do Sistema (ONS) tem autorização para adotar medidas excepcionais diante da escassez de chuvas. Conforme observou Fiorotti, quando os reservatórios caem, é preciso despachar outras fontes de geração de energia, principalmente as térmicas, que têm um custo mais alto. Contudo, a combinação de outras ações também ajuda a aliviar o sistema.
“Há formas de diminuir a pressão sobre o sistema: reduzir o consumo, torná-lo mais racional, e mas também produzir mais energia, com geração das próprias unidades consumidoras. Desde 2012, por exemplo, o consumidor brasileiro pode gerar suas própria energia a partir de fontes renováveis. E quanto mais gerar, mais vai diminuir a demanda do setor elétrico. Todos esses esforços que estão sendo feitos contribuem, mas ainda há muito a avançar.”

GÁS NATURAL TAMBÉM PODE REDUZIR PRESSÃO SOBRE HIDRELÉTRICAS

Outra alternativa para reduzir a pressão sobre o setor elétrico, conforme observou o diretor-presidente da ES Gás, Heber Resende, é fortalecer o uso do gás natural não apenas nas grandes indústrias, mas também nas residências.
“Todos os grandes consumidores podem buscar o uso do gás, que é uma alternativa mais viável. Energia elétrica é muito eficiente para tocar motores, mas para aquecimento não. Mesmo nas residências, o consumo ainda é muito pequeno no Estado, por uma questão cultural. Energeticamente falando, é muito mais eficiente para calefação, cocção, e é preciso incentivar o uso.”
Resende pontua que já tem havido um aumento do consumo de gás durante o período de crise hídrica, principalmente por causa da usina termelétrica de Linhares, que tem operado próxima à capacidade máxima há vários meses.
“A previsão anterior era de que funcionasse de maneira intermitente, somente em alguns meses. Mas, desde o ano passado, tem funcionado praticamente direto.”

CRISE HÍDRICA: PIOR SECA EM QUASE UM SÉCULO

O país enfrenta atualmente a maior crise hídrica dos últimos 91 anos, segundo avaliação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Os reservatórios das hidrelétricas estão com menos de um terço da capacidade e o período de chuvas já acabou. Entre setembro do ano passado e abril de 2021, o Brasil registrou o menor volume histórico de água nas represas das usinas hidrelétricas, responsáveis pela maior parte da energia gerada no país.
O baixo volume dos reservatórios afeta, principalmente, as Regiões Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por grande parte da capacidade de armazenamento de água em território brasileiro. Embora o Espírito Santo não tenha sofrido com a seca, ele é afetado indiretamente já que o sistema elétrico é interligado em todo o país.
Diante da situação crítica, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) autorizou o ONS a utilizar todos os recursos disponíveis para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas, "sem limitação nos montantes e preços associados". Além disso, autorizou o acionamento das usinas termelétricas e também a importação de energia da Argentina e do Uruguai e a importação de gás natural da Bolívia, de modo minimizar a crise do setor de energia.

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