Com o avanço da imunização contra a Covid-19 em todo o país, empresas do Espírito Santo estão criando campanhas de conscientização para incentivar trabalhadores que têm essa opção a se imunizarem contra o coronavírus.
Entre os estímulos estão o abono das horas de ausência para ir vacinar, liberação do trabalhador para ficar um dia em casa, carona até o posto de atendimento e até atendimento médico para quem tem reação.
A rede de supermercados Carrefour, que conta com uma unidade em Vila Velha, por exemplo, resolveu dar um dia de folga aos funcionários que receberem o imunizante. A ação começou na semana passada, mas até os profissionais que já se imunizaram também terão direito ao benefício.
Segundo o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schineider, cada empresa do setor tem adotado um protocolo diferente, mas todas estão incentivando a vacinação dos funcionários, principalmente em função do elevado grau de risco de contaminação no ambiente de trabalho, que conta com circulação intensa de pessoas.
“As empresas têm o maior interesse em vacinar sua equipe, tanto que fizemos ao governo do Estado a solicitação para que os empregados do setor tivessem alguma prioridade na vacinação, porque estão expostos diariamente ao risco”, observou.
Na Golden Investimentos, a prática de oferecer benefício aos vacinados tem sido fazer acordos individuais com cada funcionário. O profissional que apresentar reação à vacina, por exemplo, tem folga garantida. Quase metade dos 50 assessores da empresa já recebeu o imunizante.
Outras empresas têm realizado campanhas educacionais, a fim de conscientizar os funcionários sobre a importância da vacinação. É o caso da Petrobras que também tem abonado as horas de ausência dos empregados cuja vacina seja agendada em horário que coincide com o expediente, assim como da Vale, que, por meio de seus canais de comunicação internos e lideranças, tem incentivado seus colaboradores a participar do Plano Nacional de Imunização (PNI).
No Shopping Vitória, os funcionários têm abertura para agendar a vacinação no horário que considerarem mais confortável. Além disso, há um revezamento entre colegas para dar suporte no agendamento para quem não tem acesso fácil à internet no momento da abertura. Segundo a empresa, também há acompanhamento médico para quem já tomou vacina e teve algum tipo de reação.
Já a Viminas Vidros Especiais divulgou entre os funcionários um vídeo explicativo feito pela equipe de medicina do trabalho da empresa sobre as vacinas contra a Covid-19 e sobre a importância da imunização. Até agora, 33% dos funcionários receberam pelo menos uma dose de vacina.
A Corpus Saneamento e Obras também fez uma campanha interna com ações de incentivo à vacinação, como palestras e produção de comunicados internos conscientizando os trabalhadores sobre a importância de se imunizar. A empresa promoveu, inclusive, uma carona para a vacina, levando funcionários até os locais de imunização.
EMPRESAS ESTÃO VIGIANDO QUEM NÃO SE VACINA; NEGATIVA PODE LEVAR À DEMISSÃO
Mais da metade da população do Espírito Santo já recebeu pelo menos uma dose de alguma das vacinas contra a Covid-19. Além da imunização por faixa etária, a proteção também foi disponibilizada para algumas categoriais cujas atividades são consideradas prioritárias. É caso dos profissionais da área da saúde, da educação e, mais recentemente, dos trabalhadores portuários.
Com a contínua ampliação de doses disponíveis, que tem permitido maior flexibilização das atividades econômicas nas últimas semanas, empresas estão de olho nos profissionais que não se vacinam, colocando em risco a própria saúde, assim como a de terceiros.
Um caso recente no Espírito Santo é de uma professora universitária que se recusou a tomar a vacina, mesmo tendo essa possibilidade. Ela foi comunicada pela instituição de ensino de que deveria entregar seu comprovante de imunização em até 30 dias. Ela acabou se vacinando
Conforma já mostrou A Gazeta, recusar a vacina pode até levar à demissão do funcionário. Em fevereiro deste ano, o Ministério Público do Trabalho (MPT) definiu que, havendo a disponibilidade de vacina, recusar a tomá-la sem apresentar razões médicas documentadas - como laudo que informe a sensibilidade a algum dos componentes do imunizante - pode levar à demissão por justa causa de modo a não colocar em risco a saúde dos demais empregados.
No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia deliberado que, embora não se possa forçar ninguém a receber a vacina, o Estado, por exemplo, pode impor medidas restritivas a quem se recusar a tomar o imunizante. Essas ações poderiam incluir multa, vedação a matrículas em escolas e o impedimento à entrada em determinados lugares.