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Mineração

Entenda como a Vale está ficando cada vez mais gringa e o que pode mudar

Entrada de capital estrangeiro tende a gerar uma melhora na governança e afastar a possibilidade de influência governamental na mineradora. Operações no ES não devem sofrer impactos

Publicado em 20 de Abril de 2021 às 02:00

Natalia Bourguignon

Publicado em 

20 abr 2021 às 02:00
Vale caminha para encerrar 2021 com menos presença do setor público entre seus sócios
Vale caminha para encerrar 2021 com menos presença do setor público entre seus sócios Crédito: Reuters/Folhapress
A mineradora Vale, que deixou de ser estatal há quase 25 anos, tem reduzido ainda mais a presença do setor público entre seus acionistas. Ao mesmo tempo, cresce a presença de investidores estrangeiros, o que, segundo analistas, pode ter consequências positivas na gestão da empresa e para a imagem dela frente ao mercado internacional.
Os analistas avaliam que, mesmo com um controle acionista mais "gringo", não devem haver mudanças significativas no planejamento de investimentos da empresa ou na forma de gestão de funcionários e fornecedores no Espírito Santo e de modo geral. No entanto, há sim um tendência de mudanças a nível mais macro, alterando principalmente a governança da companhia.
Conforme revelou o Estadão, em fevereiro deste ano, 55% das ações da Vale estavam nas mãos de estrangeiros. As aquisições foram feitas principalmente no ano passado, quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vendeu mais de R$ 10 bilhões em lotes de ações. É esperado que a instituição deixe a companhia totalmente até o fim deste ano. Fundos de pensão e até o governo federal tem pensado em igualmente vender os ativos, aproveitando do bom momento da empresa.
O interesse dos grandes fundos internacionais tem sido grande, influenciado pela maneira como a empresa conseguiu se reerguer após a tragédia de Brumadinho (MG). Em fevereiro, a mineradora fechou um acordo bilionário com o governo de Minas Gerais, o Ministério Público e a Defensoria Pública para a reparação dos danos socioeconômicos causados pelo acidente.
“A Vale vem recuperando a margem dela, procurando ser mais sustentável. Ela encerra um assunto polêmico, que foi Brumadinho, e que gerou uma multa gigantesca. Após essas questões resolvidas, os investidores estrangeiros viram que o ativo estava mais barato que os concorrentes e entraram comprando lotes”, explica o economista e sócio da Golden Investimentos, Thomas Giuberti.
Ele cita ainda outras características da empresa e do mercado que certamente contribuíram com a atratividade da Vale, como a qualidade do minério produzido - considerado uns dos melhores do mundo -, o baixo custo de produção, a alta do preço do minério no mercado internacional e a escalada do dólar.
Essa também é a visão do sócio da Alphamar investimentos, Leonardo Perini. “Esse apetite do investidor estrangeiro pela Vale mostra uma diminuição da percepção de risco, que estava aumentada por conta das questões envolvendo Brumadinho. Hoje, esse apetite estrangeiro vem confirmar que vale a pena ter essa empresa no portfólio”.

MENOS INTERFERÊNCIA ESTATAL E  MAIS GOVERNANÇA

Segundo uma fonte do mercado, até pouco tempo ainda pairava sobre a mineradora o fantasma de uma possível interferência governamental nos rumos da empresa. Contudo, mudanças na governança da empresa e a entrada do capital estrangeiro restringiram essa possibilidade.
“Com o estado se desfazendo dos papéis por conta do preço, ajuda muito na percepção do mercado quanto ao valor da empresa, liberdade que ela tem de atuar, sem nenhum tipo de pressão governamental”, disse.
O fundo americano Capital Group, que tem US$ 2,1 trilhões sob gestão, é um dos que tem avançado sobre o capital da Vale e já se aproxima dos 15% dos papéis, segundo o Estadão. Outro gigante, o BlackRock, já tem 5,2% da mineradora, enquanto a Mitsui detém 5%.
O planejador financeiro da Meu Patrimônio, Renan Lima, aponta que as aquisições estão sendo feitas por fundos tradicionais, muito respeitados no mercado e que, tendo critérios rígidos de governança, devem exigir o mesmo da Vale.
“Para a Vale, em termos de governança, é melhor. O capital privado tem, em geral, melhor governança que capital público. Não quer dizer que sejam todas as melhores decisões, mas aumenta-se a probabilidade de um nível de governança maior e tomada de decisão mais racionais”, afirma.
De acordo com o sócio da Valor Investimentos, Rodolfo Carneiro, essa melhora na governança já vinha sendo observada há cerca de dois anos e foi também um dos fatores que contribuíram para a entrada do capital estrangeiro.
Contudo, ele argumenta que essa confiança junto ao mercado construída recentemente não é eterna ou permanente. A manutenção da boa imagem no mercado internacional vai depender de uma constância nas boas práticas da empresa.
“É como um selo de segunda chance, um atestado de melhora. Contudo, caso ocorra outro acidente, ela pode ser bastante penalizada. É um voto de confiança do mercado de que as coisas melhoraram, mas é sempre de sobreaviso”, opina.

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