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Mercado de trabalho

Entenda o que explica a alta do emprego formal em plena crise no ES

Dados sobre mercado de trabalho no Brasil e no Estado têm sido conflitantes. Especialistas apontam que pandemia possa ter prejudicado coleta de informações

Publicado em 07 de Abril de 2021 às 02:00

Natalia Bourguignon

Publicado em 

07 abr 2021 às 02:00
Carteira de Trabalho e previdência social
Carteira de Trabalho Crédito: Fernando Madeira
Enquanto a pandemia de coronavírus atinge seu pior momento no Espírito Santo e no país, tirando vidas e causando grande impacto nas empresas e na renda das famílias, os dados do emprego, um dos principais indicadores da retomada econômica (ou da falta dela), têm sido conflitantes.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilado pelo Ministério da Economia, aponta para um crescimento na criação de vagas de emprego formal. Ao mesmo tempo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), do IBGE, mostra que o desemprego está em crescimento, com queda inclusive no número de trabalhadores com carteira assinada, segundo dados do Espírito Santo.
Se consideradas apenas as pessoas com carteira assinada na Pnad, houve redução de cerca de 5% entre o início e o fim do ano, ou seja, 41 mil pessoas a menos. Contudo, foi registrado um crescimento de cerca de 1% entre os dois últimos trimestres.
Especialistas explicam que há dois pontos principais que devem ser considerados na leitura desses dados. O primeiro é a maneira como eles são coletados e analisados.
Enquanto o Caged usa dados mensais fornecidos pelas empresas principalmente através do sistema do E-social e só engloba o trabalho formal, a Pnad é uma pesquisa trimestral, amostral e autodeclaratória, ou seja, é feita a partir de entrevistas com um grupo de pessoas que informam qual é sua situação em uma semana determinada.
A economista e analista de negócios e projetos da consultoria Todos, Danielle Nascimento, afirma que essas diferenças impedem que sejam feitas comparações diretas entre as duas pesquisas. “São indicadores que têm movimentos diferentes”, diz.
A segunda questão levantada é a possibilidade de ambas terem sofrido com dificuldades por conta da pandemia, o que pode ter impacto nos resultados.

POSSÍVEL SUBNOTIFICAÇÃO NO CAGED

Em relação ao Caged, uma pesquisa do Instituo Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) mostrou que há indícios de que o grande saldo positivo de emprego tenha sido provocado por uma subnotificação nas demissões. O pesquisador Daniel Duque mostrou que houve uma queda no número de empresas que reportam dados para a pesquisa a partir de abril de 2020.
Isso pode indicar que essas empresas fecharam ou "hibernaram", mas não declararam as demissões ao governo. Segundo o economista do Ibre/FGV Rodolpho Tobler, esse fato pode ter causado um impacto no resultado geral do indicador.
“A minha sensação é de que o retrato real está mais para o lado da Pnad. Estamos em um momento muito complicado. Estudos mostram que pode ter ocorrido subnotificação de demissões no pior momento da pandemia. Naquele momento que algumas empresas chegaram a fechar, pode não ter ocorrido uma notificação tão precisa e isso acabou carregando para os meses seguintes esse resultado positivo", diz.
Em entrevista ao Jornal da Globo, o economista Alexandre Schwartsman opinou no mesmo sentido. "Há uma desconfiança quanto à possibilidade de não estarem notificando todas as demissões, porque elas ocorrem em empresas que fecharam. Quando as empresas param de operar param de relatar essa informação”, afirmou.
Já o professor de Economia da Universidade de São Paulo e coordenador do projeto Salariômetro da Fipe, Hélio Zylberstajn, discorda. Segundo ele, os dados do Caged têm correspondido com outras informações relativas ao desemprego.
“O governo está batendo as informações do E-social com o seguro-desemprego e Fundo de Garantia para ver se eles conversam. Se tiver muita demissão vai ter muito saque do FGTS e do seguro, e as séries estão coerentes. Tudo leva a crer que a informação do Caged é consistente, sim”, afirma.
Segundo ele, a redução das demissões se deve principalmente ao Benefício Emergencial, que permitiu que empresas suspendessem contratos ou reduzissem salários e jornadas em troca de uma estabilidade temporária para os trabalhadores.
"Tivemos 10 milhões de trabalhadores que mantiveram emprego por acordos individuais e, nas minhas contas, devemos ter tido outros dois milhões com acordos de convenções coletivas. Em fevereiro tínhamos ainda três milhões de trabalhadores com estabilidade provisória. Não é pouca coisa. Houve muita contratação e houve redução grande nos desligamentos, avalia.

MUDANÇA DE METODOLOGIA

Outro ponto relativo ao Caged diz respeito à mudança de metodologia que aconteceu no início de 2020. Como Danielle Nascimento explica, os dados passaram a ser coletados automaticamente através do E-social e não mais em um formulário separado que as empresas precisavam responder mensalmente.
Com isso, alguns grupos de trabalhadores que antes não apareciam nas estatísticas, passaram a figurar. Um exemplo são os trabalhadores temporários, que não entravam na conta anterior porque a regra não obrigava as empresas a declará-los. “Ninguém foi lá e encheu a base de dados. Mas estamos agora olhando para um banco de dados que abrange mais gente”, esclarece.
Contudo, a especialista ressalta que a quebra metodológica tornou inviável a comparação do Caged atual (chamado de Novo Caged), com o antigo. Por isso, comparações com a feita pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, de que foi o "melhor resultado para o mês em 30 anos" são equivocadas.
“Não dá para fazer esse tipo de comparação. Pesquisadores têm ressaltado que, apesar de a mudança (na metodologia) ser relevante e positiva, a gente perde, sim, o comparativo”, avalia.

PNAD TAMBÉM PASSA POR DIFICULDADES NA PANDEMIA

A pandemia também dificultou o trabalho de coleta de dados do IBGE para a Pnad. Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as medidas de distanciamento obrigaram o órgão a mudar sua coleta presencial para telefone de forma inesperada a partir de março de 2020. A mudança causou uma queda no número de entrevistas realizadas impactando principalmente a obtenção de informações sobre o emprego formal.

Arquivos & Anexos

A redução no número de entrevistas na PNAD Contínua durante a pandemia e sua influência para a evolução do emprego formal

Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Tamanho do arquivo: 581kb
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“A Pnad está com problemas. Primeiro que ela está defasada em dois meses e antes era um. Segundo que tem esse viés no painel eles. Acredito que, eventualmente, eles vão consertar, mas, neste momento, as informações não estão conversando muito bem”, aponta Zylberstajn.
Tobler acredita que o fato de as entrevistas serem por telefone, e não presencialmente, também podem ter levado às pessoas a darem respostas diferentes. Ele avalia ainda que muita gente pode ter se confundido, por exemplo em relação ao Benefício Emergencial.
“Na Pnad pode ter também havido uma subrepresentação de pessoas que estão trabalhando. Na pesquisa, podem perguntar se uma pessoa trabalhou na semana de referência, mas se ela está com contrato suspenso, pode dizer que não trabalhou, mesmo não estando desempregada”, exemplifica.

MARÇO DEVE TRAZER QUEDA NO EMPREGO

Os especialistas concordam que, qualquer que seja o indicador, a partir de março é esperado que haja uma deterioração do mercado de trabalho por conta do agravamento da pandemia.
“É quando começam as medidas mais severas em mais capitais. É esperado que nos próximos meses esse recuperação perca o fôlego”, diz o economista da FGV.
Essa também é a avaliação do professor da USP. “A tendência não deve continuar. A economia está diminuindo o ritmo, as previsões para PIB já estão bem pra baixo e devemos entrar em uma nova recessão.”

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