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Prejuízos

Entenda os impactos da suspensão do leilão da BR 262 para a economia do ES

Cancelamento da concessão deve impactar setores como a indústria e o agronegócio, além do turismo. Leilão da rodovia que liga o ES a MG não avançou por falta de empresas interessadas

Publicado em 22 de Fevereiro de 2022 às 20:10

Natalia Bourguignon

Publicado em 

22 fev 2022 às 20:10
BR 262
BR 262 tem muitas curvas e fluxo alto de caminhões Crédito: Vitor Jubini
A suspensão do leilão de concessão da BR 262, anunciado na última quinta-feira (17) pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), é um balde de água fria não só para os cidadãos que trafegam pela via, como também para todo o setor produtivo do Espírito Santo.
Sem as obras de duplicação e outras intervenções que estavam previstas no projeto, sofrerão ainda mais os setores do turismo, logística, transporte de passageiros, indústria e agronegócio, entre outros. É importante considerar ainda o impacto na segurança dos motoristas que trafegam pelo local.
A rodovia é conhecida pelas curvas sinuosas, e sofre com deslizamentos de terra e quedas de barreira em períodos chuvosos. Segundo o projeto de concessão, além da duplicação total, estavam previstas obras de contenção em muitos pontos, o que tornaria a BR 262 mais segura.
Entenda os impactos da suspensão do leilão da BR 262 para a economia do ES
Não é preciso ir longe no passado para notar os problemas. Na segunda-feira (14), as chuvas provocaram uma cachoeira na rodovia e houve deslizamento de terra na altura de Domingos Martins.
No início de fevereiro, um acidente envolvendo uma carreta e dois carros deixou três mortos na BR 262, na altura de Muniz Freire. Caminhões são numerosos na rodovia e, por conta das pistas íngremes, das muitas curvas e das pistas simples, acabam se envolvendo em acidentes durante ultrapassagens perigosas.

IMPORTANTE EIXO ENTRE MINAS E ESPÍRITO SANTO

Ademais, a rodovia é uma das mais importantes ligações entre o Espírito Santo e Minas Gerais. As obras de melhoria poderiam ampliar a capacidade de transporte da via, permitindo que produtos e pessoas pudessem chegar mais rápido e com mais segurança de uma ponta à outra.
Segundo o diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, a rodovia atual praticamente não mudou desde a década de 70 (época em que foi asfaltada). Ele afirma ainda que o governo federal tem um passivo histórico com o Estado nessa área.
"É uma via do século passado. E o Espírito Santo já se modernizou e tem potencial de se desenvolver ainda mais, mas estamos aí com esse atraso"
Pablo Lira - Diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN
“Mais uma vez a gente vê o governo federal não dando a devida atenção para a logística do Estado. E nós temos vocação para isso, pela localização geográfica, pelo potencial do comércio exterior, temos uma ligação com o mundo”, aponta.
A presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, afirmou em nota que o setor é fortemente impactado pelo estado atual da rodovia. Segundo ela, a situação da BR 262 é um gargalo para o escoamento da produção e faz aumentar o custo do transporte.
“Mais uma vez está sendo postergada a oportunidade de melhorar as condições dessas rodovias, tão importantes para escoar a produção. Estradas sucateadas atingem em cheio a eficiência do transporte, minando a competitividade dos negócios”, disse em nota.
Pablo Lira citou ainda outros setores da economia que são prejudicados pela demora na resolução do impasse relativo à rodovia. Um deles é o agronegócio, visto que grande parte dos alimentos frescos que chegam à Região Metropolitana vêm dos municípios da Região Serrana, e têm que passar pela BR 262 para serem escoados.
Ainda em relação às cidades que são cortadas pela rodovia, há uma perda no potencial turístico desses municípios.
“Tem um vetor de crescimento econômico para a Região Serrana do Estado. Há grandes empreendimentos imobiliários que estão prontos ou sendo construídos por lá, como condomínios e hotéis. O turismo de montanha do Espírito Santo depende da BR 262”, afirma o diretor do IJSN.

PASSIVO DE INFRAESTRUTURA COM O ES

O governador Renato Casagrande também ressaltou a dificuldade que o Estado tem na obtenção de soluções para questões de infraestrutura que dependem de ação do governo federal.
“No caso das estradas são concessões, não são nem investimentos públicos, e a gente vê a demora mesmo assim. Com a BR 101 foi demorado, a BR 262 não coloca de pé porque o investimento é muito alto. Tem um passivo de infraestrutura do governo federal aqui no Espírito Santo na infraestrutura. Algumas coisas estão se resolvendo, mas não caminham na velocidade que a gente gostaria”, disse em entrevista para A Gazeta na última sexta-feira (18).
Na mesma ocasião, ele afirmou que, junto ao governo de Minas Gerais, pode destinar dinheiro da compensação pela tragédia de Mariana (MG) para viabilizar o leilão.
O recurso seria aportado no contrato de concessão para amortecer o gasto da empresa interessada na concessão com as obras exigidas. O objetivo é tornar projeto mais atrativo aos investidores e fazer a duplicação finalmente sair do papel.

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