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PIB per capita

Entenda por que a pandemia tem aumentado a pobreza no ES e no país

No Espírito Santo, dados preliminares apontam para queda de quase R$ 1,2 mil na geração de riquezas por pessoa entre 2019 e 2020

Publicado em 10 de Março de 2021 às 02:00

Caroline Freitas

Publicado em 

10 mar 2021 às 02:00
Dinheiro, moedas, real
Dinheiro: geração de riquezas caiu e população ficou mais pobre em 2020 Crédito: Siumara Gonçalves
Marcado pela pandemia do novo coronavírus, o ano de 2020 foi de inúmeras perdas. Na economia, o indicador mais recente, ligado ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, aponta para a queda de cerca de R$ 1,7 mil na geração de riquezas por pessoa no ano passado na comparação com 2019.
É este o recuo observado no chamado PIB per capita, que, no ano passado, alcançou R$ 35.172 na média do país - menor patamar da série histórica iniciada em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O PIB per capita é calculado pela divisão do valor corrente do PIB pelo número de habitantes. O indicador costuma ser usado para comparar o nível de riqueza e de bem-estar entre diferentes locais.
Ou seja, uma queda neste valor acaba se refletindo na piora das condições de vida e na redução da renda, o que também provocou um aumento da pobreza.
No Espírito Santo, dados preliminares apontam que o PIB per capita encolheu cerca de R$ 1,2 mil entre outubro de 2019 e setembro do ano passado. Neste período, o indicador alcançou R$ 33.931,65 no Estado.
Nos 12 meses anteriores, cifra chegou a R$ 35.112,73. A projeção do resultado completo de 2020, considerando o quarto trimestre, será divulgada no fim deste mês pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
Se considerados os rendimentos mensais obtidos pelos capixabas ocupados formal ou informalmente no terceiro trimestre de 2020, a renda média da população, que estava em R$ 1.967, encolheu 4,79% em relação ao mesmo período de 2019, quando era de R$ 2.066.
O encolhimento da renda está ligado a uma série de fatores. Muitos trabalhadores foram afetados, por exemplo, pelo corte de jornada e salários. Em todo país, 9,8 milhões de empregados foram impactados, sendo mais de 180 mil no Estado.
Com a crise, elevou-se também o nível de desemprego, que atinge 13,4 milhões de brasileiros, sendo 259 mil apenas no Espírito Santo, segundo os dados mais recentes do IBGE.
Uma grande parcela da população, aliás, ficou dependendo do auxílio emergencial para sobreviver. O benefício pagava parcelas de R$ 600, mas depois foi reduzido para apenas R$ 300, menos de um terço do salário mínimo.
Foi o caso, por exemplo, de Priscila Lopes Falcão, 32 anos, cuja história foi contada por A Gazeta em outubro passado. A moradora do bairro Nova Palestina, em Vitória, que na época estava grávida da quinta criança, conta que ainda não encontrou uma nova oportunidade de trabalho.
“Estou há um ano sem emprego. Logo no começo da pandemia, o restaurante em que eu trabalhava informalmente fechou as portas. Eu estava grávida na época e ficou difícil conseguir emprego. Estava vivendo do auxílio emergencial. Agora a bebê já nasceu, e voltei a distribuir currículos. Estou torcendo para conseguir uma vaga. Mas, enquanto não acontece, a gente vive no sufoco, só com o Bolsa Família e a ajuda de algumas pessoas.”
Mãe de cinco crianças, Priscila Falcão está há um ano sem emprego Crédito: Fernando Madeira - 10/2020
Diante da magnitude dos prejuízos acumulados e da expectativa de estagnação ou até mesmo uma leve retração da economia no curto prazo, com o agravamento da pandemia no país, analistas estimam um longo caminho pela frente para recuperar essas perdas.

RECUPERAÇÃO DISTANTE

A economista Danielle Nascimento reforça que a redução do PIB per capita tem relação direta com a contração do PIB, vez que não houve uma redução tão grande da população. E o resultado do PIB brasileiro nada mais fez que consolidar o que houve na economia ao longo do ano anterior, isto é, fechamento de negócios, redução de atividades, aumento de demissões, entre outros fatores.
“Alguns setores tiveram resultados positivos, mas nenhum deles conseguiu superar sozinho as perdas agregadas. E olhando para o futuro, temos que ter um olhar amplo porque, ainda que o setor se serviços tenha sido o mais prejudicado, todos foram afetados em maior ou menor grau. É preciso ter um olhar múltiplo, o que é muito mais desafiador, mas, também, é a única saída.”
A economista destaca que, em meio ao recrudescimento da pandemia, a recuperação passa por caminhos diversos, e que é preciso encontrar medidas que deem fôlego às empresas para que possam se reerguer e movimentar o mercado de trabalho.
Nesse sentido, o diretor de Integração do IJSN, Pablo Lira, observa que uma das medidas mais eficazes seria dar agilidade à vacinação da população, de modo a evitar um colapso geral do sistema de saúde no país, como já se observa em diversos estados, e permitir o avanço gradual das atividades.
“Analisando a perspectiva nacional, há uma grande probabilidade de termos um impacto na economia e na renda da população semelhante ao de 2020, ou até mesmo superior. O governo federal tem deixado muito a desejar em relação à nossa vacinação, que não está ganhando ritmo. Somente agora foi anunciada uma tratativa para comprar mais vacinas com a Pfizer, por exemplo. Podemos ter sérios prejuízos, ainda mais se considerarmos que o pico dessa nova fase da pandemia está se mostrando maior que o de 2020.”
"Estamos observando agora algo que não vivemos em 2020, que é o colapso do sistema de saúde de vários Estados, levando à adoção de medidas ainda mais restritivas. O momento é crítico e, considerando o cenário atual, entendo que os impactos da pandemia na economia ainda vão permanecer ao longo de 2021, no mesmo patamar ou até pior"
Pablo Lira - Diretor de Integração do Instituto Jones dos Santos Neves
Ele observa que o auxílio emergencial, por exemplo, pode dar um fôlego maior à população em situação de vulnerabilidade econômica e social no curto prazo, mas reforça que os esforços também devem se voltar para a criação de um sistema de transição, e de ações que promovam o fortalecimento do mercado de trabalho, de modo que seja possível voltar a gerar renda e movimentar a atividade econômica no país.
Lira reforça ainda que esse cenário se replica aqui no Estado, mas em menor intensidade. "Temos uma perda econômica menor. Hoje não estamos em situação que exige adoção de medidas mais restritivas. Temos a ferramenta do mapa de risco que permite realizar o monitoramento adequado da pandemia."
“Em relação ao Espírito Santo, particularmente, tudo indica que vamos sofrer menos os impactos dessa nova onda da Covid, inclusive na economia. Temos conseguido controlar bem a doença, e temos a vantagem de estar com as contas em dia, mantermos o selo de bom pagador, termos recursos no Fundo Soberano. E isso tudo traz mais segurança, inclusive para o investidor, que vê no Estado uma boa oportunidade em meio ao colapso observado em outros locais.”
Lira reforça, entretanto, que o cenário atual pode não ser o mesmo no dia de amanhã, e que nada impede que a pandemia se agrave em território capixaba. Sendo assim, é preciso continuar monitorando de perto a situação.
“Uma das coisas que ajudam a atividade no Espírito Santo no momento é o fato de que o Estado tem muitas indústrias, principalmente extrativas, que tem se beneficiado do fortalecimento das economias internacionais. Veja a China, por exemplo, que está puxando a compra de diversas commodities. E temos uma demanda reprimida, de modo geral, porque os estoques no mundo inteiro ficaram baixos, e vão sofrer por mais um tempo”, observou a analista de macroeconomia da XP Investimentos, Rachel de Sá.
Assim como a economista Danielle Nascimento, porém, ela reforça que é preciso ter uma visão voltada para o todo, e que é preciso pensar também em outros segmentos que agonizam.
“O setor de serviços, por exemplo, vai depender muito da vacinação, e é um dos que mais contratam. No momento, temos vagas sendo criadas, mas a quantidade de pessoas voltando ao mercado também está aumentando. Então, é preciso adotar medidas para o fortalecimento da economia, para reverter esse cenário, criando mais empregos e renda.”

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