O Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo teve recuo de 0,3% no segundo trimestre de 2022, enquanto o do Brasil cresceu 1,2% no mesmo período, na comparação com os três primeiros meses deste ano. Apesar do crescimento econômico nacional normalmente impulsionar a economia capixaba, desta vez isso não aconteceu.
Isso se deu por características particulares do Espírito Santo. Por aqui, um dos setores com maior participação no PIB é o da indústria extrativa, que inclui por exemplo as atividades de mineração, petróleo e gás. E o desempenho negativo da economia do Estado no segundo trimestre se deu justamente por causa desses segmentos.
No ano de 2022, somando os dois primeiros trimestres, a indústria geral acumula queda de 1,2% no Espírito Santo. Esse dado considera dois segmentos: a indústria de transformação, que cresceu 4,4%; e a indústria extrativa, que acumula queda de 12,6% no ano.
Dentro da indústria extrativa, dois segmentos se destacam pelo peso que possuem na economia capixaba, tanto na geração de riquezas como na criação de empregos. São eles:
- Petróleo e gás: a produção de óleo e gás está em declínio no Espírito Santo já há alguns anos. Essa queda tem se acelerado em função do amadurecimento (envelhecimento) dos campos de extração e da ausência de descobertas de novos poços produtores nos últimos anos.
- Mineração: puxada principalmente pelas atividades de pelotização de minério. Apesar da Samarco ter retomado a produção parcial em Anchieta, a maior produtora do Estado é a Vale, que tem reduzido a produção no Complexo de Tubarão nos últimos anos, sobretudo desde o desastre de Brumadinho (MG), em 2019.
“Tem umas especificidades regionais da economia que afetam o Espírito Santo, como a indústria de petróleo, por exemplo. Os poços do Estado estão chegando em um nível de maturação que outros poços de petróleo como os de Santos, região Sul do país e Rio de Janeiro não estão. Há uma década, os campos de petróleo capixabas estavam em expansão e impulsionavam o PIB. Além disso, o Brasil tem outros produtos que ajudam na base produtiva como soja e o nosso Estado não tem”, destacou o diretor de Integração do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira.
O coordenador de economia do IJSN, Antônio Rocha, explica ainda que o peso da indústria extrativa para a economia capixaba é maior do que o peso da indústria extrativa a nível nacional. "Qualquer alteração na indústria extrativa no Espírito Santo tem um peso muito grande no PIB e vai se fazer sentir muito mais forte aqui", pontuou.
No caso da mineração, Pablo Lira lembra que o setor sente a crise imobiliária da China, um dos principais países parceiros comerciais do Estado. "A China é uma das principais compradoras de minério de ferro e importante parceira da balança comercial do Estado e do Brasil. Apesar do aumento da produção, tivemos uma redução do preço da commodity do minério de ferro no mercado internacional. E isso acaba neutralizando ou contrabalanceando esse aumento da produção", explicou Pablo.
Por outro lado, ajudam a conter a queda os setores de comércio e serviços, que são os que tem puxado o bom desempenho da economia nacional. No Espírito Santo, o comércio varejista ampliado cresceu 1,5% no ano. Já o setor de serviços acumula alta de 11%.
O PIB do segundo trimestre foi de R$ 44 bilhões, que é a soma das riquezas produzidas no Estado entre abril e junho. Os dados foram divulgados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) em entrevista coletiva nesta sexta-feira (2). Já os números do PIB nacional foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A queda do segundo trimestre é tratada pelos especialistas como uma variação pequena e que demonstra certa estabilidade por conta do ajuste de sazonalidade.
PIB DO ES CRESCEU NO PRIMEIRO SEMESTRE
Apesar da queda trimestral, considerando os primeiros seis meses deste ano na comparação com o mesmo período de 2021, o resultado é positivo e o PIB capixaba cresceu 3,8%.
No período o Estado teve aumento da produção de produtos agrícolas, como café, banana e abacaxi. As exportações cresceram 12,71% se comparadas com o primeiro semestre de 2021 e mais de 32 mil empregos formais foram gerados.
“O crescimento do PIB no primeiro semestre do ano, se comparado com o mesmo período de 2021, se deu por alguns movimentos dos setores. Ele foi puxado pelo crescimento do comércio varejista, apesar da queda no segmento de veículos. O setor de serviços ajudou bastante, principalmente, com os serviços prestados às famílias. O que também ajudou nessa contribuição foi o setor de transportes e serviços como os correios", informou Antônio Rocha.