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Preços altos

Falta de gado faz frigoríficos do ES reduzirem produção pela metade

Empresas têm tido dificuldade em encontrar bovinos, o que fez o preço da carne disparar no mercado, chegando até o consumidor final. Situação provocou uma redução de trabalhadores nas plantas de abate

Publicado em 14 de Abril de 2021 às 02:00

Natalia Bourguignon

Publicado em 

14 abr 2021 às 02:00
Itens da cesta básica no supermercado
Como reflexo da situação, a carne de boi tem ficado cada vez mais cara para o consumidor Crédito: Fernando Madeira
A atividade dos frigoríficos e abatedouros do Espírito Santo caiu pela metade desde o final do ano passado por conta da escassez de boi para abate. Segundo o Sindicato da Indústria do Frio do Espírito Santo (Sindifrio-ES), com a redução no processamento de carne, as empresas precisaram reduzir escalas de trabalho, dar férias coletivas e até demitir diante da falta da matéria-prima.
A falta de gado provocou um choque no setor. O preço do boi subiu 54,6% desde março do ano passado, e está sendo cotado a R$ 286 a arroba atualmente, contra R$ 185 há um ano na média nacional.
"Isso está acontecendo no Brasil inteiro. Aqui a redução foi de 50% aproximadamente. O motivo é a falta de bovinos, porque a oferta de bois está pequena. Se reduz a produção, consequentemente reduz os trabalhadores. Com certeza houveram demissões", afirmou o presidente do Sindifrio-ES, Evaldo Mário Lievore. 
O motivo principal para essa falta no Estado, segundo ele, foi a dura estiagem que aconteceu entre 2016 e 2018, que danificou pastagens, matou rebanhos e obrigou muitos pecuaristas a praticamente começar do zero.  
"Na época, quem pode vender o gado, vendeu. Muitas fêmeas foram abatidas. Agora que eles estão recuperando o rebanho, mas tem que aguardar a criação do bezerro e a engorda. Também houve saída de boi do Espírito Santo para outros Estados, como Minas Gerais e Bahia, por exemplo"
Evaldo Mário Lievore - Presidente do Sindifrio-ES
Lievori estima que a situação só deve melhorar em um ano, já que a condição climática tem favorecido as pastagens.
Ele explica que a criação de boi de pasto predomina no Estado, uma vez que a criação em confinamento depende de ração feita de milho, que é trazida de outras regiões do país e acaba encarecendo a produção.
O representante do setor destaca ainda que as novas condições de trabalho impostas pela pandemia contribuíram para que houvesse uma redução de trabalhadores nas plantas de abate.
"Os frigoríficos têm que seguir protocolos. Não pode aglomerar, têm que manter distanciamento... Se você teve que afastar pessoas, reduz o número de trabalhadores no mesmo local", aponta.

PREÇO ALTO FEZ O CONSUMO CAIR

Apesar dos cortes na produção, o setor supermercadista do Estado afirma que não encontra problemas em adquirir carne bovina junto aos frigoríficos. Contudo, o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider, aponta que a alta dos preços fez o consumo cair.
"O consumo, a gente percebe, tem diminuído mais em função do próprio preço. Estamos em uma situação em que as pessoas não têm trabalho, não têm renda. Se não tem renda, vai gastar como? Já vimos isso em outras ocasiões. O cliente procura outras opções de proteínas como a carne suína e as aves", afirma.
Na Grande Vitória, a pesquisa de inflação realizada pelo IBGE apontou que alguns cortes de carne bovina tiveram aumento de mais de 36% em março deste ano no acumulado de 12 meses, como é o caso do acém. Todos os demais cortes acumulam aumento de, pelo menos 20%.

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