Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Gargalo logístico

Ferrovia em Minas que beneficia o ES ainda tem construção incerta

O investimento no trecho da Serra do Tigre é uma luta de longa data dos governos capixaba e mineiro, e pode contribuir para ampliar a velocidade e a capacidade do transporte de cargas para o Estado

Publicado em 31 de Maio de 2021 às 02:00

Caroline Freitas

Publicado em 

31 mai 2021 às 02:00
Locomotiva da VLI Multimodal, empresa que opera a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA)
Locomotiva da VLI Multimodal, empresa que opera a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) Crédito: VLI/Divulgação
O governo federal só tomará uma decisão sobre a inclusão do projeto ferroviário conhecido como Contorno da Serra do Tigre, em Minas Gerais, na renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) após a apresentação de um relatório final da audiência de consulta pública pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Mas, segundo o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann, em evento na última quinta-feira (27), Brasília não tem se mostrado interessado no projeto..
“Estamos lutando com o Ministério da Infraestrutura, que aparentemente é contra esse investimento, para que o dinheiro da outorga antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica, em vez de ir para uma ferrovia na Bahia ou em Santos (SP), seja utilizado para superar um gargalo logístico na Serra do Tigre.”
A proposta é importante para ligar Goiás ao Espírito Santo. Enquanto a agência não emite o relatório, o Estado fez mais um esforço para viabilizar o investimento, que pode contribuir para ampliar a velocidade e a capacidade do transporte de cargas para o Estado. 
Em conjunto com o governo de Minas Gerais e as Federações das Indústrias de ambos Estados, foram encomendados novos estudos que demonstrem a viabilidade e a importância do novo ramal.
O material foi exigido pela ANTT, no início de fevereiro, durante a audiência pública realizada para colher sugestões relacionadas à renovação antecipada da concessão da FCA. 
À época, o titular da Superintendência de Concessão da Infraestrutura (Sucon), Renan Essucy Gomes Brandão, explicou que a ANTT reavaliaria os estudos para saber se existem outras necessidades de investimentos que não foram mapeados na fase prévia de avaliações, mas esclareceu que a decisão final é do Ministério da Infraestrutura.
O especialista do Conselho Infraestrutura da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Romeu Rodrigues, explicou que esses estudos foram contratados recentemente, e devem ficar prontos em até dois meses.
“Decidiu-se pela revisão dos estudos ferroviários já feitos, e das premissas anteriores. Diante disso, contratamos recentemente a Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte (MG), que já está elaborando esses estudos e esperamos ter os resultados dentro de 60 dias. Temos expectativa de obter um material robusto, que convença o governo federal dos benefícios que o contorno pode trazer para o desenvolvimento do Espírito Santo e de Minas Gerais.”
Rodrigues explica que a questão tem sido acompanhada com interesse e que a viabilização do investimento será decisiva para atrair maior volume de carga para o Estado, em momento de expansão do complexo portuário, que deve receber, nos próximos anos, investimentos da Imetame, do Porto Central, e também da empresa que abocanhar a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), bem como os Portos de Vitória e Barra do Riacho, após a desestatização, prevista para o final deste ano.
“Precisamos de mais cargas. Os nossos portos, dentro de três anos, poderão escoar um volume muito maior de cargas e, para trazê-la precisamos expandir a malha logística, com investimentos em ferrovias, rodovias. É preciso resolver esses gargalos logísticos e, para isso, precisamos da colaboração do governo federal.”
A FCA (concedida à empresa VLI e que tem um de seus trechos ligando Goiás à Minas Gerais ), junto com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) formam o Corredor Centro-Leste. Essa é a principal ligação ferroviária entre o centro do país, grande produtor de grãos, e os portos capixabas.
Contudo, o traçado da via, considerado muito íngreme no trecho da Serra do Tigre (MG), limita o volume de carga transportada e faz com que a produção "passe direto" em direção aos portos do Rio de Janeiro e São Paulo.
“Estamos lutando com o Ministério da Infraestrutura, que aparentemente é contra esse investimento, para que o dinheiro da outorga antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica, ao invés de ir para uma ferrovia na Bahia ou em Santos (SP), seja utilizado para superar um gargalo logístico na Serra do Tigre.”
Hoffmann destacou que fazer o contorno desse trecho de serra é fundamental para ampliar a velocidade e a capacidade do transporte de cargas para o Estado, e que caso o contorno não se concretize, o Estado pode ser isolado logisticamente,
Questionado sobre o andamento das negociações, o Ministério da Infraestrutura informou, em nota, que “as discussões sobre o contorno da Serra do Tigre foram tratadas no âmbito da consulta pública. A efetivação dos investimentos na obra, ou não, só será conhecida após a publicação do relatório final da audiência pública, que já ocorreu.”
Ainda segundo a pasta, o prazo para publicação do relatório final é de até 30 dias após deliberação da diretoria colegiada da ANTT, ainda não realizada, de acordo com informações contidas no portal da Agência.
A ANTT foi questionada sobre o assunto, mas disse apenas se tratar de responsabilidade do Ministério da Infraestrutura, órgão responsável pela formulação de política pública de Transportes.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Trecho será fechado por uma hora para obra de duplicação; operação depende das condições climáticas
BR 101 será interditada nesta quarta (22) para detonação de rochas em Iconha
Imagem BBC Brasil
Prisão de artista por esculturas feitas há 15 anos revela novos extremos da censura na China
Imagem BBC Brasil
Trump diz que vai estender cessar-fogo com Irã e manter bloqueio no Estreito de Ormuz

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados